Atuante, combatente e da base: saiba quem é o vereador que mantém o estilo que o levou a ocupar uma cadeira no Palácio Carijó

Na política é comum perfis de candidatos atuantes durante a campanha eleitoral. Muitas promessas, lives, verdadeiros fiscais em prol da população. Mas, depois de eleito, a atuação muda, principalmente se for de base. No entanto, em Paranaguá, existe um exemplo que foge a essa regra. É o caso do vereador Marcelo Correa da Costa (Republicanos) ou, como é conhecido, Péke Bocudo.
Ele compõe a base, foi o vereador mais votado dos 19 eleitos e tem sido o mais atuante no quesito de fiscalização. Mesmo sendo aliado do prefeito, não deixou de cobrar a Administração Municipal.
“A mesma postura que eu tive antes, cobrando, todo mundo imaginava que, depois de eleito, eu mudaria. E, nesses seis meses de mandato, mostrei que, mesmo sendo um vereador de base, continuei fazendo o trabalho, reivindicando, fazendo algumas críticas. A minha postura é a mesma”, afirmou Péke, em entrevista ao JB Litoral.
Da base, mas com uma exigência
O parlamentar recordou que, ao ser convidado para fazer parte da base do atual prefeito Adriano Ramos (Republicanos), fez apenas uma exigência: de não mudar sua essência.
“Quando o Adriano, anos atrás, em 2021, me fez uma proposta para que eu fizesse parte do time, inclusive do Republicanos, a única coisa que eu disse é que não iria mudar a minha essência. Que não mudaria esse jeito maluco que tenho. Esse foi o trato”, disse.
“Então, ele me dá liberdade para eu fazer o meu trabalho de vereador. Com prudência, mas tenho liberdade de cobrar, de me posicionar”, completou.
Por dentro da Câmara
O vereador também revelou que percebeu mudanças depois de eleito e o que aprendeu ao enxergar a atividade legislativa atuando diretamente nela.
“Na verdade, a política é um jogo, uma manipulação muito forte. Então, eu acho que se você for pequeno na política, você não se cria. Já que você se propôs a ser um vereador, ser um político, tem que ser grande, tem que pensar grande. Porque se você for pequeno, pensar pequeno, o sistema te engole”, defendeu.
Mas, independentemente do tipo de atitude ou de pensamentos, Marcelo Péke ressalta que o que não muda é a função de fiscalizar.
“Tudo que envolve o poder público tem que ter fiscalização. E eu sou muito forte nessa fiscalização, eu exijo muito, denuncio no Ministério Público, cobro, uso minhas redes sociais para fazer as denúncias”.
O vereador também explicou que, agora, entende a demora de ter algumas indicações atendidas pela Prefeitura.
“Daí a gente entende que a gestão ainda está sem dinheiro, então, muitas indicações feitas ainda não foram atendidas. Quando é uma situação menor o resultado vem mais rápido”, comentou.
Atuação em números
Péke não é o vereador com o maior número de projetos de lei apresentados, mas está em terceiro no ranking de quem fez mais indicações, são 417. O vereador acredita que muito deve sair do papel no próximo ano, com o orçamento organizado pela atual gestão.
Se a atividade legislativa em si está entrando nos eixos, o engajamento nas redes sociais está em alta. No Instagram, Péke tem pouco mais de 6.500 seguidores. Ele conta que recebe, em média, entre mil e 1.200 mensagens por dia. E que faz questão de responder a todas.
“Tudo o que acontece é marcado nas redes sociais mesmo, ou nos chega através de mensagens. E sempre procuro atender todas as solicitações”.
AS “VISITAS” À UPA
Outro ponto crítico e que custou até um processo do Conselho Regional de medicina (CRM) contra o parlamentar foi a fiscalização presente dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
“Foi promessa de campanha. E no meu primeiro dia de mandato eu estava na UPA, de madrugada. E lá eu vou todos os dias, em horários alternados. E eu tive um problema muito sério na UPA com médicos, porque alguns dormiam a noite toda, outros batiam o cartão e iam atender em clínicas particulares”, disse
Agora, devido à fiscalização frequente, o vereador afirmou que essas situações não acontecem mais.
Projetos
Nesses primeiros meses de mandato, o vereador apresentou quatro projetos de Lei, fez 417 indicações e 12 requerimentos, com 100% de presença nas sessões parlamentares.
O projeto de autoria de Péke que deve ser votado em breve é o que propõe instituir um Banco de Ração. “É uma parceria que o Município tem com empresas para abastecer esses protetores, que sofrem bastante para garantir a alimentação dos animais. Tem protetores que têm 100 animais em suas casas”.
De acordo com o texto do projeto, a Prefeitura terá a responsabilidade de distribuição dos recursos e armazenamento de doações. Então, Paranaguá irá cadastrar os protetores que precisam de ração para os seus animais. As pessoas físicas também poderão fazer doações diretamente para o município, para que esse recurso seja usado no Banco de Ração.
“Todos ganham, desde quem recebe a doação até o Município, que vai diminuir a população de cães de rua. Também quem fez a doação, que poderá fazer propaganda nas ações da Prefeitura”, comentou.
O que esperar do Péke
Nascido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Péke é filho de pai mato-grossense e mãe de Guaraqueçaba. Parnanguara de coração, desde os sete anos de idade, ele afirma que fará a diferença.
“Eu sou daqui, mas nasci lá, meu documento é de Campo Grande. Como vereador, hoje sei que faço parte dessa história, e posso fazer a diferença. Porque ser vereador é para isso, para estar junto à população e melhorar nossa cidade. Então, tenho muito orgulho dessa cidade, que completa 377 anos”, concluiu.
