Cadeiras anfíbias garantem inclusão e acesso ao mar no Litoral


Por Redação Publicado 19/02/2026 às 17h12

O programa Praia Acessível, do Governo do Estado, foi um dos destaques da temporada Verão Maior Paraná 2025/2026. Voltado a ampliar o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida ao banho de mar e de rios, o programa registrou neste verão o maior número de atendimentos desde sua criação, em 2016. Em pouco mais de 40 dias, foram contabilizados 1.786 atendimentos em pontos do litoral e em praias de água doce do interior do estado.

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Ana Kobayashi é cadeirante há três anos e meio. Foto: SEDEF

O atendimento é realizado com cadeiras anfíbias, projetadas para oferecer segurança e conforto, com rodas especiais para areia e água, cinto de segurança regulável, apoio cervical e estrutura flutuante. Profissionais de Educação Física e equipes capacitadas acompanham os participantes durante toda a atividade, promovendo autonomia, inclusão e momentos de convivência familiar.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), em parceria com a Sanepar e a Secretaria do Esporte. Para o secretário da Sedef, Rogério Carboni, o programa é uma oportunidade de oferecer um verão inclusivo e igualitário. “Ouvimos continuamente histórias de pessoas que há anos não podiam entrar no mar e nos relatam com alegria as suas sensações”, destaca.

Nesta edição, o programa contou com 11 cadeiras anfíbias distribuídas em postos de atendimento no litoral — em Matinhos, Guaratuba e Pontal do Paraná — e em regiões de água doce, como Marilena, São Pedro do Paraná e Marechal Cândido Rondon.

Experiências que marcam o verão

Ana Kobayashi reencontrou no programa a possibilidade de voltar a viver o mar, uma de suas maiores paixões. Aos 69 anos, aposentada e moradora do município de Pontal do Paraná, ela é cadeirante há três anos e meio, após a amputação de uma perna em decorrência de complicações de saúde iniciadas ainda na infância.

Após perder a cartilagem do joelho aos cinco anos de idade e passar por diversas cirurgias ao longo da vida, ela optou pela amputação como forma de preservar sua qualidade de vida. “É uma a experiência que me traz uma alegria imensa. Estar no mar representa bem-estar, liberdade e a retomada de algo essencial em minha vida”, define.

Professora formada pela Universidade Federal do Paraná, moradora de Matinhos, Emanuelle Araújo, de 32 anos, só consegue entrar no mar graças ao programa Praia Acessível, do qual participa desde 2018. Ela tem paralisia cerebral, condição que compromete a coordenação motora do lado esquerdo do corpo e a fala, consequência de uma intercorrência durante o parto.

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Emanuelle enfrentou a perda da funcionalidade corporal, o que tornou o acesso à praia cada vez mais difícil. Foto: SEDEF

Nascida e criada no Litoral, Emanuelle enfrentou a perda da funcionalidade corporal, o que tornou o acesso à praia cada vez mais difícil. Durante o ano, sem a estrutura do Verão Maior Paraná, ela não consegue tomar banho de mar. “O contato com a água salgada tem efeito terapêutico em mim, ajuda a aliviar espasmos musculares e proporciona relaxamento. Por isso esse o programa é tão importante para o meu bem-estar e a para inclusão de pessoas com deficiência”, afirma.

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