De brincadeiras a alertas: Paraná entra na onda dos bebês reborn e psicóloga comenta o fenômeno
A essa altura, você provavelmente já ouviu falar dos bebês reborn, bonecas hiper-realistas que se assemelham a bebês de verdade e podem chegar a custar até R$ 10 mil. Nas últimas semanas, essas bonecas têm dominado as redes sociais em publicações que viralizaram pelo país.

Até o Governo do Estado do Paraná entrou na onda. Para divulgar os números de nascimentos em 2023, a administração estadual publicou uma arte com a frase: “5º Estado com maior número de Reborns”, riscando o prefixo “re” e deixando apenas a palavra “borns” — em inglês — para deixar claro que se referia ao nascimento de crianças, e não às bonecas hiper-realistas.



Dados de nascimento no Paraná
De acordo com o IBGE, o Paraná registrou quase 140 mil nascimentos em 2023. A grande maioria dos partos (99,39%) ocorreu em hospitais, sendo que a faixa etária predominante entre as mães foi de 25 a 29 anos. As cidades com maior número de nascimentos foram Curitiba, Londrina e Cascavel.
Ainda segundo o IBGE, o Estado também teve uma queda no número de óbitos: foram 83 mil registros no ano passado, uma redução de 7% em relação a 2022.
A origem dos bebês reborn
Embora o fenômeno tenha ganhado popularidade recentemente, a técnica de criação dos bebês reborn surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial. Na época, diante da escassez de brinquedos, antigas bonecas eram restauradas e aperfeiçoadas. Com o tempo, especialmente a partir dos anos 1990, os detalhes ficaram mais sofisticados, tornando os bonecos cada vez mais realistas.
A polêmica recente começou com um vídeo da adolescente Y.B., de Janaúba (MG), que publicou no TikTok imagens levando seu bebê reborn, chamado Bento, ao hospital. O conteúdo viralizou e ultrapassou 8 milhões de visualizações. Posteriormente, a própria jovem admitiu que o vídeo era encenado e havia sido gravado durante uma visita a uma amiga na maternidade.
Desde então, outros conteúdos inusitados surgiram nas redes, como o “parto” de um bebê reborn e até um relato de uma advogada sobre uma cliente que buscava a guarda de um boneco.
Uso terapêutico
Em Paranaguá, o JB Litoral conversou com a psicóloga Laisa Ponte explica que bonecos são comumente usados em terapias, tanto com crianças quanto com adultos.

“O boneco é utilizado em terapias por profissionais especializados. No caso dos bebês reborn, há muita exposição na mídia, e infelizmente, algumas pessoas estão embarcando nessa onda sem o devido entendimento”, afirma.
Segundo ela, não há problema em brincar com um bebê reborn, desde que fique claro que se trata de uma brincadeira.
“Tudo em excesso faz mal: alimentação, relacionamentos, brincadeiras. Precisamos estar atentos se não estamos intensificando tendências à psicose, se há pessoas fugindo da realidade. Essa fuga pode se tornar um problema sério”, alertou.
Maternidade reborn em Curitiba
Desde 2020, Curitiba conta com uma “maternidade” de bebês reborn, localizada no bairro Juvevê. As bonecas são produzidas em vinil ou silicone, com possibilidade de personalização de expressões faciais, cor dos olhos e tipo de cabelo, conforme solicitação do cliente.
O tema chega à política
A repercussão foi tamanha que o tema chegou ao Legislativo. A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) recebeu um projeto de lei do vereador Renan Ceschin (Pode) que proíbe o uso de bebês reborn para obtenção de benefícios destinados a crianças de colo, como prioridade em filas e atendimentos. A proposta busca garantir que tais direitos sejam reservados exclusivamente a quem está, de fato, acompanhado de uma criança pequena.
A Prefeitura de Curitiba também se pronunciou. Em suas redes sociais, esclareceu que portar um bebê reborn não dá direito a assento preferencial nos ônibus nem prioridade em filas.
No Congresso Nacional, a deputada federal Rosangela Moro (União Brasil – SP) apresentou um projeto de lei que propõe a oferta de atendimento psicológico gratuito pelo SUS para pessoas que enfrentam sofrimento mental em decorrência do vínculo afetivo com bebês reborn.
E em Paranaguá?
O JB Litoral entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Paranaguá para apurar se houve alguma ocorrência atípica envolvendo o bebê reborn. Em resposta, a assessoria informou que nenhuma situação foi registrada.
Enquanto isso, os memes seguem viralizando nas redes sociais e o tema sendo amplamente debatido em programas televisivos. Um deles, de Curitiba, até exibiu ao vivo um “parto” de um bebê reborn.



