Foco de dengue e em abandono, Palacete Joaquim Américo deve ser reformado e voltar à Prefeitura de Paranaguá
Depois de um período de indefinições, o Palacete Joaquim Américo Guimarães — imóvel histórico tombado pelo Patrimônio Público e atualmente abandonado — poderá ser transferido novamente à Prefeitura de Paranaguá. Na última semana, a Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Assuntos Sindicais obteve, por empréstimo do Governo do Estado, as chaves do imóvel, com o objetivo de realizar uma vistoria técnica e elaborar um laudo de viabilidade para uma futura reforma.
Em nota ao JB Litoral, o Governo do Estado informou que está conduzindo um projeto de recuperação da fachada do palacete, além de ações de limpeza do terreno para garantir segurança no entorno. Paralelamente, a atual gestão municipal voltou a manifestar interesse na posse definitiva do imóvel, o que levou o Estado a considerar a possibilidade de doação, permitindo que o município assuma a revitalização completa e a posterior destinação do espaço.
Ainda segundo o governo estadual, a licitação para as obras de revitalização do imóvel deve ser lançada este ano.
SECRETARIA DO TRABALHO ASSUME TRATATIVAS
De acordo com a Prefeitura de Paranaguá, as negociações estão sendo conduzidas pelo secretário municipal do Trabalho, Emprego e Assuntos Sindicais, Wagih Hammoud. Na última quinta-feira (18), ele se reuniu em Curitiba com representantes da Secretaria da Administração e da Previdência do Estado do Paraná (SEAP), ocasião em que detalhou os interesses do município e assinou um termo de empréstimo das chaves.
“Será uma grande conquista para a cidade e atenderá aos interesses da população. Revitalizar e reaproveitar esse espaço, localizado em uma área privilegiada, é fundamental, especialmente considerando o estado de abandono atual, que o tornou abrigo de animais e foco potencial de dengue”, afirmou o secretário.

CULTURA E PATRIMÔNIO HISTÓRICO FICOU DE FORA
Apesar de a Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico ter sido criada com a missão de restaurar o casario histórico da cidade, a pasta não participou diretamente da busca por recursos para a recuperação do Palacete. Segundo a prefeitura, a decisão de centralizar a iniciativa na Secretaria do Trabalho foi tomada em comum acordo entre as áreas envolvidas.
“Essa reforma é uma necessidade urgente para Paranaguá. O secretário Wagih sempre defendeu a revitalização do prédio — que é patrimônio estadual — como uma ação em benefício direto à população. Com o apoio das demais secretarias, ele tomou a iniciativa de buscar soluções junto ao governo estadual”, declarou a administração municipal em nota.
USO SERÁ COMUNITÁRIO E MULTIUSO
Hammoud adiantou que, após a restauração, o espaço poderá ter uso comunitário e institucional, sendo destinado a eventos, palestras, encontros e reuniões.
“O local atenderá tanto às demandas da Prefeitura quanto do Estado, e ainda deve contribuir com a revitalização da área comercial do entorno, promovendo desenvolvimento e integração urbana”, completou o secretário.
CENTRO HISTÓRICO PASSARÁ POR AMPLA REQUALIFICAÇÃO
Além do Palacete, o centro histórico de Paranaguá também será contemplado com uma ampla intervenção. Em fevereiro deste ano, o governo estadual, em parceria com a Prefeitura, apresentou um projeto de requalificação urbana para a região às margens do Rio Itiberê.
As obras vão abranger uma área superior a 55 mil metros quadrados, incluindo melhorias em pavimentação, calçamento, iluminação pública, paisagismo, novos trapiches, ciclovia, estacionamento, centro gastronômico e a ampliação do Mercado Municipal, que será integrado ao Mercado do Peixe.
Os estudos técnicos estão a cargo da Paraná Projetos, vinculada à Secretaria de Planejamento, que contratou a Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) para a elaboração do anteprojeto. O projeto arquitetônico é assinado pelo escritório Ricardo Amaral Arquitetos Associados, responsável também pela Fábrica da Ideias, em Curitiba. A licitação será conduzida pelo Instituto Água e Terra (IAT).
“A Cidade Mãe do Paraná precisava de uma repaginação para atrair mais turistas e proporcionar melhor qualidade de vida aos moradores”, afirmou Guto Silva, secretário estadual do Planejamento.
Como contrapartida, a Prefeitura ficou responsável pela obtenção da licença ambiental prévia e pela realização de estudos complementares. A expectativa é que a ordem de serviço seja emitida até o segundo semestre, com um prazo de execução de 12 meses.
IPHAN ACOMPANHA OBRAS EM ÁREA TOMBADA
Como a área de intervenção inclui construções tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o governo estadual já realizou uma consulta prévia ao órgão, que acompanha o andamento dos projetos.
“Serão necessários estudos complementares sobre os impactos potenciais das obras nessa área histórica para que possamos dar prosseguimento ao processo”, explicou Anna Paula Gonçalves, analista da Paraná Projetos.
Após a aprovação do anteprojeto pelo Iphan, o documento será encaminhado ao IAT, que o utilizará como base para o edital de licitação. A contratação seguirá o modelo integrado, no qual a empresa vencedora será responsável pelos projetos básico e executivo, além da execução da obra. O valor total do investimento será revelado apenas após a abertura das propostas, já que o orçamento é sigiloso.
No caso específico do Palacete Joaquim Américo Guimarães, o Iphan informou que ainda não foi oficialmente procurado pela Prefeitura de Paranaguá.
HISTÓRIA DO PALACETE DOS LEÕES
O palacete Joaquim Américo Guimarães ou Palacete dos Guimarães está localizado na Rua Marechal Deodoro, 152, Centro Histórico (antiga Rua Direita).
No início do Século XIX – Joaquim Américo Guimarães, nascido em 1802, em Paranaguá, era o proprietário do sobrado.
1853 – O Palacete dos Guimarães hospeda Zacarias de Góis e Vasconcelos, primeiro presidente da Província do Paraná, entre 6 e 10 de dezembro.
1938 – O prédio, funcionando como Fórum de Paranaguá, já apresentava sérios problemas estruturais.
1952 – Funcionou no local o escritório da empresa “Luz e Força”.
1959 – Funcionou no imóvel o Fórum Eleitoral, onde ocorreu a transmissão via rádio de contagem de votos com os radialistas Ludovico e Mario Mikosz.
1970 até o 2º semestre de 1971 – Após a desocupação como Fórum, o antigo prédio passa a ser utilizado pela instituição de ensino, Escola do Comércio Alberto Gomes Veiga, hoje Colégio Estadual.
1991 – Reforma do prédio com recursos destinados por meio da Lei nº 1662.
Após 1991 sediou as varas criminais, Conselho Tutelar e alguns órgãos da Prefeitura. Depois permaneceu fechado. A Prefeitura retirou móveis há aproximadamente dois anos.
O Palacete dos Guimarães foi devolvido ao Estado por falta de recursos da administração municipal para a reforma.




