Morte de marinheiro atingido por lancha da praticagem completa um mês nesta segunda-feira (18); inquérito segue em andamento

Era a manhã de 18 de outubro de 2024, quando Jhon Lenon Francisco Correia, de 33 anos, conhecido por amigos e familiares como Leno, faria, pela última vez, o trajeto que conhecia tão bem, entre a Ilha do Mel, em Paranaguá, e o terminal de embarque e desembarque, em Pontal do Sul, Pontal do Paraná. O táxi náutico que ele pilotava foi atingido por uma lancha utilizada para serviços de praticagem, no Canal da Galheta, e Leno teve morte instantânea, deixando três filhos, de 11, 6 e 4 anos de idade.
De acordo com testemunhas, a lancha colidiu na lateral do barco. Tripulantes de outras embarcações, que realizavam a travessia para a Ilha do Mel, foram os primeiros a prestar socorro, ajudando no resgate da embarcação de Leno Francisco. O piloto da lancha de praticagem sofreu apenas ferimentos leves e recebeu atendimento imediato de equipes do Corpo de Bombeiros, que chegaram em seguida ao local do acidente.

DENÚNCIAS, INVESTIGAÇÕES E POSICIONAMENTOS
À época, o proprietário do táxi náutico em que Leno trabalhava, Davi Rocha, afirmou que houve omissão de socorro e denunciou que situações semelhantes são constantes. “O barco da praticagem passou por cima da minha lancha, matou meu marinheiro e não tiveram a capacidade de ficar lá para prestar socorro. A lancha que puxa o navio na barra, estava com o prático dentro e ele não teve a capacidade de mandar os marinheiros da lancha ficar para prestar o socorro”, disse.
“Isso está acontecendo todo dia aqui no canal que sai de Paranaguá para a barra. Não foi a primeira vez que as lanchas da praticagem causaram acidente, já causou em outras vezes, por causa da velocidade”, completou.
Nesta segunda-feira (18) completa um mês da morte de Leno e o inquérito ainda não foi concluído. Procurada pelo JB Litoral, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou, por meio de nota, que aguarda laudos da Marinha.
“A PCPR segue investigando o caso e realizando diligências a fim da conclusão do inquérito policial. A PCPR aguarda laudos periciais da Marinha, que darão auxílio no andamento das investigações”, alegou.
A reportagem também procurou a Capitania dos Portos do Paraná (CPPR), que não se manifestou até o fechamento desta reportagem. No dia da colisão a Capitania informou que iria instaurar um inquérito administrativo para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades do incidente.
Já a Praticagem do Paraná afirmou, desde os primeiros dias após ao acidente, que todos os esclarecimentos estão sendo prestados às autoridades investigativas competentes.
“A análise de acidentes na navegação é complexa e se processa com base na legislação, sendo prematuro qualquer juízo de valor sobre responsabilidade antes da conclusão do inquérito pela Capitania dos Portos e do posterior julgamento pelo Tribunal Marítimo”, informou a nota recebida pela JB Litoral.
FAMÍLIA “ANESTESIADA”
Nesta quinta-feira (14), o JB Litoral conversou com o tio de Leno, Jean Francisco. Também marinheiro, Jean conta que, além de sobrinho, Leno era o seu melhor amigo.
“Ele era meu melhor amigo e eu ainda nem acredito no que aconteceu. Às vezes mando vídeo no WhatsApp dele para ver se tenho a resposta, mas não reponde mais. Como fui eu quem correu atrás de tudo, inclusive de entrar com advogado, estou me fazendo de forte, mas eu lembro dele a todo momento”, relatou.
Sobre como a família tem lidado com a ausência de Leno, Jean contou que todos tentam seguir a vida, mas ainda estão “anestesiados”.
“Ontem [quarta-feira (13)] que o grupo da família voltou. Ninguém quer tocar muito no assunto. Tá bem difícil, a gente ainda não acredita, mas tem que seguir porque ele queria e ele espera”, disse.
