Pai de coração: Família Acolhedora permite que crianças e adolescentes tenham o convívio e o afeto paterno
Comemorado no segundo domingo de agosto, o Dia dos Pais é uma data que nem sempre representa felicidade, principalmente para aqueles que não têm a presença de uma figura paterna. Com o objetivo de mudar essa realidade, o Programa Família Acolhedora propicia que crianças e adolescentes de Paranaguá, que precisaram ser afastados de suas famílias de origem, vivenciem um ambiente de cuidado, proteção e afeto.

Pedro Arantes, morador na Colônia Pereira, já acolheu 10 crianças, junto com sua esposa, Ivete Aparecida Rocha Arantes, por meio da iniciativa. Neste Dia dos Pais, Pedro contou ao JB Litoral sua experiência com o Família Acolhedora e como é ser pai de coração.
“Para mim, é muito gratificante ter essas crianças conosco, porque elas já vêm de um lar muito sofrido. Quando chegam, queremos proporcionar o melhor para a vida delas. Queremos o estudo, para que tenham um outro tipo de vida. Essas crianças chegam em casa e com uma semana você já vê a diferença no rosto delas. Logo, já está chamando a gente de papai e de mamãe”, disse o pai.
O Programa possibilita que a criança ou adolescente permaneça na família acolhedora somente por um período. “Sabemos que amanhã ou depois elas vão embora, mas nesse momento que estão com a gente, queremos dar o melhor para elas. A gente tanto ensina quanto aprende com elas. Já estamos na décima criança acolhida”, afirmou Pedro.
Sua esposa, Ivete, contou que o casal tem um filho biológico e uma filha adotiva.
“Nosso filho mais velho tem 32 anos. Tivemos um do meio, que faleceu, e adotamos a nossa mais nova, em 1997. Hoje, ela está com 28 anos e mora conosco. Em 2020, eu e Pedro conversamos e achamos por bem adotar um bebê. Corremos atrás de todos os papéis para poder entrar na fila da adoção. Até que eu conheci a Patrícia, assistente social, que me apresentou o Família Acolhedora”, relatou Ivete.
A partir daí, o casal buscou mais informações sobre o programa, fez o cadastro e veio o primeiro acolhimento: um adolescente de 14 anos, que ficou com eles por nove meses.
“Depois, acolhemos três irmãs, depois quatro irmãos que ficaram conosco cinco meses, e uma bebezinha de quatro meses, que foi embora com um ano e um mês. Logo que ela foi embora, em outubro, acolhemos esse de três anos, que está conosco até hoje”, detalhou Ivete.

Mais do que participar de um programa, é uma missão
O casal já está aposentado, mas dedicou anos à Educação, ambos eram professores. Ivete acredita que, assim como foi com os milhares de alunos, o acolhimento é uma missão de vida. Enquanto docentes da Rede Estadual, eles vieram do norte do Paraná para Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, no ano de 2000, onde ficaram por 15 anos. Quando se aposentaram, foram convidados por um primo para se mudarem para Paranaguá.
“Assim viemos. Conversando esses dias com meu marido, eu perguntei: ‘por que viemos a Paranaguá?’ Porque não tínhamos intenção nenhuma. E ele respondeu: ‘nós viemos para cuidar dessas crianças’. E eu cheguei à conclusão que é isso mesmo. Já foram dez vidas que passaram pela nossa casa”, declarou a aposentada.
Ivete também conta que a decisão de participar do Família Acolhedora costuma comover as pessoas.
“Todo mundo fica assim, bastante comovido pela coragem e porque as crianças não ficam conosco. Não podemos sentir que eles vão ficar aqui com a gente a vida inteira. Recebemos capacitação, têm as psicólogas que orientam sobre como devemos agir. O Família Acolhedora é transformador, o pai para eles é muito importante. O berço do pequeno que está aqui há 10 meses sempre ficou ao lado do Pedro. É um amor que transcende, é maravilhoso poder proporcionar isso”, disse Ivete.
Sempre que podem, eles incentivam outras famílias a participarem do programa e fazer a diferença na vida dessas crianças e adolescentes.

Como funciona o programa
A Secretaria da Família, Cidadania e Desenvolvimento Social informou que o Família Acolhedora conta com, aproximadamente, 30 famílias cadastradas em Paranaguá. Trata-se de uma iniciativa de proteção à criança e ao adolescente que oferece, em vez de abrigos, um ambiente familiar temporário para crianças e adolescentes que, por alguma razão, precisaram ser afastados de suas famílias de origem, geralmente por situações de negligência, violência ou abandono.
“As crianças e adolescentes são acolhidos por famílias previamente cadastradas, capacitadas e acompanhadas por equipes técnicas especializadas. O objetivo principal do programa é garantir um ambiente seguro e afetuoso durante o período em que estão afastados da família biológica, promovendo seu desenvolvimento integral”, comunicou a pasta por meio de nota.
A Secretaria enfatiza que não se trata de adoção, já que a prioridade é sempre o retorno à família de origem ou, quando isso não for possível, a busca por outra solução definitiva, como a adoção legal. Mas, tanto o retorno a família de origem quanto a adoção são atribuições do Poder Judiciário.
“O programa também promove o fortalecimento dos vínculos familiares e sociais, respeitando os direitos e as necessidades individuais de cada criança ou adolescente”, finalizou a Secretaria.
