Paranaguá tem o maior registro de tuberculose no Litoral; região lidera ranking da doença no Paraná
A tuberculose pode ser prevenida e tratada, mas ainda representa um desafio para a saúde pública. Caracterizada pela tosse persistente por várias semanas, a doença registra um percentual elevado de casos nos municípios do Litoral do Paraná, o que acende um alerta para a sociedade.

Além da tosse seca ou produtiva, também podem indicar sintomas o emagrecimento, cansaço, fadiga, febre no fim da tarde e suor noturno. Em todo o Estado, a tuberculose atinge mais homens (69,9%) do que mulheres (30,1%).
De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), a 1ª Regional de Saúde de Paranaguá, que abrange os sete municípios da região, contabilizou 150 novos casos em 2025, com 12 óbitos e 2.012 testes realizados.
O índice é o menor constatado em comparação aos últimos quatro anos no Litoral, como 2024 (187 casos confirmados), 2023 (178), 2022 (225) e 2021 (165). No entanto, ainda chama a atenção por ser a região do Paraná onde a incidência é maior, com 48 pessoas diagnosticadas a cada 100 mil habitantes, à frente da Região Metropolitana de Curitiba, onde a incidência é de 23,8 e da 9ª Regional de Foz do Iguaçu, com 47 casos a cada 100 mil habitantes.
Estratégias de combate
O JB Litoral procurou a Sesa para entender o que tem sido feito para estruturar o serviço e ampliar as formas de prevenção da doença, considerada altamente infecciosa. Segundo a Secretaria, o enfrentamento no Litoral do Estado é um desafio pelas características da região.
“A região portuária recebe grande fluxo de pessoas de outros territórios nacionais e internacionais. As estratégias estão alinhadas às diretrizes do Plano Estadual pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública (2022-2030)”, afirmou a pasta, em nota.
O plano inclui o fortalecimento da vigilância epidemiológica com o lançamento do Sistema de Vigilância de Óbitos – Tuberculose, em 2025, a instituição do Comitê Estadual de Controle da Tuberculose e a implementação de estratégias de prevenção e tratamento.
Para este semestre, também está prevista a capacitação em manejo clínico da doença para atualização dos profissionais da 1ª Regional de Saúde, a fim de garantir que o diagnóstico e o tratamento ocorram em tempo oportuno.
“Os resultados das ações implementadas já são visíveis na região. Entre 2022 e 2025, o Litoral registrou uma redução de 33% no número de casos. Esse desempenho demonstra o impacto positivo das políticas públicas estaduais e reafirma o compromisso da Sesa com a eliminação da tuberculose como problema de saúde pública no Paraná”, ressaltou a Sesa.
Paranaguá lidera registros
Paranaguá teve 70 casos confirmados em 2025, seguida de Guaratuba (26), Matinhos e Pontal do Paraná (com 19 casos cada), Morretes (8), Antonina (5) e Guaraqueçaba (3).
A Secretaria Municipal de Saúde de Paranaguá (Semsap) explicou ao JB Litoral que o diagnóstico e o tratamento para a doença estão acessíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde e que os medicamentos são de uso prolongado, 100% distribuídos pelo Governo do Estado, assim como os testes.
“A descentralização da tuberculose (TB) é a transferência das ações de diagnóstico, tratamento (especialmente o Tratamento Diretamente Observado – TDO) e acompanhamento do nível secundário (especialidades) para a Atenção Primária à Saúde (APS). Essa estratégia visa facilitar o acesso dos pacientes, aumentar a adesão ao tratamento e reduzir o abandono”, afirmou a Semsap, por meio de nota.
A pasta ainda ressaltou a importância da manutenção do tratamento para reduzir as chances de contágio. “O tratamento é prolongado, pelo menos seis meses, e muitas pessoas às vezes abandonam, achando que estão boas, mas no fim ainda estão doentes”, enfatizou a Semsap.
A conscientização também poderá ser levada para as escolas, com as equipes de educação em saúde. “Nós encaminhamos um projeto para a Secretaria de Educação para que a gente possa fazer uma campanha de conscientização educativa sobre a tuberculose”, antecipou.
Bebês protegidos

Os bebês que nascem na maternidade Maria de Lourdes Elias Nunes, anexa ao Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, e na Maternidade de Guaratuba, já vão para casa imunizados.
As duas unidades hospitalares estão entre as 39 do Estado que aplicam a vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin), que protege da doença. Esta dose é aquela que pode, ou não, deixar uma pequena cicatriz no braço, como reação do organismo.
“A prevenção por meio da vacina nas primeiras horas de vida (preferencialmente nas primeiras 12 horas para bebês com mais de 2kg) é a única forma de evitar que a bactéria atinja o sistema nervoso central ou se espalhe pelo corpo do recém-nascido, o que pode ser fatal”, destacou a Sesa.
Antes da oferta da vacina nas maternidades, a BCG era aplicada apenas nas Unidades Básicas, para onde os recém-nascidos são levados nos primeiros dias de vida.
