Pescadores de Pontal do Paraná relatam queda na pesca da tainha nesta temporada


Por Por Redação JB Litoral Publicado 30/06/2025 às 13h29 Atualizado 01/07/2025 às 14h16

Nesta época do ano ela é esperada, motiva festas e circuitos gastronômicos. Tem quem goste dela recheada, frita, na brasa, na cambira e até em forma de moqueca. As opções são muitas, mas o que não pode faltar é a tainha. Porém, em comparação aos anos anteriores, a temporada da tainha teve uma queda significativa na quantidade de peixes pescados, segundo o pescador Fernando Costa de Lima.

“Ano passado teve lanço logo no começo de junho que já deu bastante peixe. Chegamos a pegar até 13 toneladas. Agora, se for falar em uma média, devemos ter pescado entre 1,3 e 1,5 tonelada.”, explicou Lima.

O lanço é uma técnica de pesca artesanal em que os pescadores, em canoas, cercam o cardume no mar e puxam as redes até a praia. Uma vez na areia, a separação e a distribuição do pescado também são feitas em conjunto.

Para a prática do lanço, muitas vezes os caiçaras permanecem meses acampados à beira-mar, para não perder nenhum momento quando chega o aviso do “espia”, pescador experiente que vigia o movimento dos cardumes. Eles usam canoas a remo, sem motor, e lançam suas redes em círculos para cercar os peixes em áreas rasas. Cada pescador cuida de uma parte da rede, enquanto outros vão ao centro da roda e batem na água. Os peixes que tentam fugir acabam capturados. Quem pesca mais reparte com quem pescou menos, e aqueles que ajudam a puxar as redes, incluindo curiosos e até turistas, ganham um peixe como agradecimento.

Cinco toneladas em um dia

No ano passado, na manhã do dia 29 de junho, foram capturadas quase cinco toneladas de tainha nos balneários Barrancos e Shangri-Lá, em Pontal do Paraná. Já em 21 de junho de 2023, pescadores de Pontal chegaram a capturar, em um único lanço, oito toneladas.

O acampamento “raiz”

Fernando está acampado junto com amigos e familiares desde 24 de maio e deve permanecer até 15 de julho. O acampamento é formado por sete barracas. O pescador fala do privilégio de fazer parte do espetáculo da natureza.

“Todo dia Deus faz uma pintura diferente. Então, é um privilégio estar aqui. Às vezes vem alguém de fora. Esses dias atrás tinha um pessoal lá da Argentina. Eles falaram: ‘A gente veio para conhecer a Ilha do Mel, conhecer o Pontal do Sul, e acabamos conhecendo o acampamento da tainha’. Eles diziam: ‘Nossa, a gente está lá do outro lado e vocês aqui veem o sol nascer de frente’. Isso não tem dinheiro que pague. Tanto o amanhecer como o entardecer são maravilhosos. É uma bênção de Deus”, comenta.

No local, eles também preparam a cambira, um prato típico de Pontal do Paraná feito com filé de tainha salgado. “Antigamente não existia geladeira. Então, eles abriam o peixe, salgavam e colocavam para defumar de três a cinco dias. Esse é o processo da cambira. Como aqui também não temos eletricidade, nós seguimos preparando a cambira”, conta.

No acampamento, a cambira é servida com pirão de água e banana.

Visita das escolas

A prática dos pescadores também virou assunto de escola. O acampamento recebeu na semana passada a visita dos alunos das turmas do quinto ano da Escola Municipal Benvinda. Eles puderam presenciar o lanço da tainha. A iniciativa agradou o pescador.

Infelizmente, a pesca está se degradando. Então, essas visitas são importantes para as crianças conhecerem como tudo funciona”, comenta.

A vivência faz parte do projeto pedagógico Conhecendo Pontal, sob o olhar caiçara, que busca aproximar os alunos da cultura e da realidade local. Acompanhados pelos professores, os estudantes observaram de perto o trabalho dos pescadores e aprenderam sobre a importância dessa prática para a economia e para a preservação dos saberes tradicionais.

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