R$ 70 milhões para resolver um problema antigo: viadutos em “U” podem solucionar congestionamento na Av. Roque Vernalha


Por Redação Publicado 17/09/2025 às 21h54

Alvo de reclamação de muitos moradores em Paranaguá, o problema no trânsito, causado pela passagem de nível e consequentes manobras ferroviárias na Avenida Roque Vernalha, pode ser solucionado. O prefeito, Adriano Ramos (Republicanos), solicitou uma saída para resolver a questão que atrapalha a mobilidade urbana ao secretário de Estado das Cidades, Guto Silva, e uma solução foi apontada: a criação de dois retornos em desnível.

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Cada viaduto deve ter cerca de 460 metros. Foto: Wilson Leandro/Prefeitura de Paranaguá

Segundo a Prefeitura de Paranaguá, o investimento será de R$ 70 milhões, financiado pelo Governo do Estado. Chamados de viadutos em “U”, as estruturas no cruzamento da Avenida Roque Vernalha com a linha férrea podem contribuir com a qualidade de vida dos moradores que residem e/ou trabalham na região.

Em visita a Paranaguá neste mês para anunciar investimentos em pavimentação asfáltica para os municípios do Litoral, o secretário das Cidades esteve na avenida e viu de perto a necessidade da população diante do conflito no trânsito. Na segunda-feira (15), foi realizada uma reunião entre engenheiros de Paranaguá e da Secretaria de Cidades para dar celeridade à obra. A expectativa é de que a licitação possa ser feita até o fim deste ano. A Prefeitura ficou encarregada de fazer o anteprojeto.

“Eu ouvi a necessidade de ter um uma conexão sem aquela intersecção no meio de Paranaguá. E a gente sabe que tem uma população imensa que transita por aquele trecho, mas que, infelizmente, por aquela região da cidade estar fora da poligonal da área portuária, o Porto não consegue realizar esse investimento. Agora, temos um acordo com o prefeito e o anteprojeto já está avançando”, explicou Guto.

O local liga os bairros Estradinha e Vila Cruzeiro. O prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos, afirmou que a licitação será aberta até o fim deste ano e a previsão é de que as obras tenham início em 2026. “Com os novos viadutos, os veículos deixarão de compartilhar o mesmo nível da ferrovia. Isso vai reduzir os conflitos entre modais e aumentar a segurança de condutores e pedestres, além de devolver previsibilidade aos deslocamentos diários”, disse o prefeito.

Ele acrescentou que a obra em questão é um compromisso seu de campanha e que o primeiro passo foi dado para a solução definitiva dos congestionamentos registrados na passagem de nível da Av. Roque Vernalha.

“É um compromisso meu de campanha, todo mundo sabe disso, desde 2020 quando fui pela primeira vez candidato, de resolver de vez o problema da passagem de nível da Roque Vernalha. O secretário falou que queriam conhecer o local, nós fomos e ele identificou, entendeu a necessidade, inclusive quando nós estávamos lá, muitas pessoas estavam passando e pedindo pelo viaduto. E o primeiro passo já foi dado”, afirmou Adriano.

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A licitação será aberta até o fim deste ano e a previsão é de que as obras tenham início em 2026. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

População aprovou a novidade

O motorista Renilton Rosa Gomes disse que os viadutos são uma necessidade urgente da população. “No horário de pico aqui prejudica muito as pessoas, já vi vários acidentes. Ficamos muito felizes com a notícia, eu apoio. Dependemos do progresso para que as coisas andem para a frente”, enfatizou o morador.

A professora e vereadora em Paranaguá, Tenile Xavier (PSD), passa pelo local diariamente e disse que essa é uma demanda que a população cobra há muito tempo e espera que, desta vez, a obra se concretize. “O que importa é que a gente encontre uma maneira de dar uma qualidade de vida para o morador que necessita passar por essa região e, com certeza, entrando em prática, teremos algo muito importante para a mobilidade urbana aqui da nossa cidade”, afirmou Tenile.

Ela ainda comentou que já presenciou diversas situações complicadas causadas pela passagem de nível e a manobras ferroviárias constantes. “É o momento em que o SAMU precisa prestar um atendimento, ou então prestou atendimento e está realizando os primeiros socorros, mas precisa chegar até o Hospital Regional ou até a UPA. Assim como tem pessoas que tem o seu horário para chegar no trabalho, horário de aula, quantos vestibulares já foram perdidos?”, questiona a vereadora.

Tenile lembra que a pauta foi levada algumas vezes à Câmara de Vereadores de Paranaguá, pedindo providências para que alguma medida fosse tomada, tendo em vista a melhoria para quem precisa se locomover na cidade.

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A professora e vereadora em Paranaguá, Tenile Xavier, falou sobre a necessidade da obra. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

Por que viadutos em “U”?

Estão previstos dois viadutos, um pra cada sentido da Avenida Roque Vernalha. Cada um deve ter cerca de 460 metros, com rampas construídas em técnica de terra armada e passagem superior em concreto armado sobre a linha férrea, como informou a prefeitura.

Também está prevista a construção de uma passarela para dar mais segurança aos pedestres que transitam na região. Além de calçadas acessíveis, drenagem, sinalização e paisagismo.

O prefeito Adriano Ramos justificou que o formato foi escolhido para evitar impactos negativos nos comércios da região. “É uma obra estruturante, pensada para manter o comércio funcionando e dar fluidez de verdade. O formato em ‘U’ evita interferências na ferrovia e não exigirá desapropriação dos estabelecimentos da área”, afirmou Adriano.

Moegão promete reduzir filas

O secretário Guto Silva explicou que, com a entrega do Moegão, estimada para dezembro, haverá mudanças na utilização das ferrovias, com trens mais longos que não precisarão fazer tantas manobras. A mudança foi apontada por ele pela possibilidade de diminuir o problema no trânsito na interseção com a Avenida Roque Vernalha.

Queremos reduzir esse tempo de espera e, por outro lado, aumentar a produtividade do Porto, que vem batendo recorde e, obviamente, dá essa condição também de impulsionar nossa economia”, completou Guto.

A estrutura do Moegão vai dinamizar o processo de recebimento de cargas, que hoje são descarregadas separadamente em cada terminal. De acordo com a Portos do Paraná, neste sistema, 550 vagões são descarregados diariamente e, com o Moegão e a padronização em um único espaço, a capacidade passa para até 900 vagões por dia.

Estimativa é de que moegão reduza as manobras ferroviárias na área urbana. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral
Estimativa é de que moegão reduza as manobras ferroviárias na área urbana. Foto: Diogo Monteiro/JB Litoral

O Moegão é composto por três linhas férreas independentes, sem a necessidade de entrada nos terminais. O porto ressalta que as manobras hoje necessárias para o descarregamento deixarão de existir. “Assim, as composições entram e saem do complexo reduzindo sensivelmente as interrupções no trânsito da cidade”, informou a Portos do Paraná.

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