Sindop se manifesta contra invasão em terminal da Cargill em Santarém (PA)
Na madrugada de sábado (21), indígenas que bloqueavam o acesso de veículos ao complexo portuário de Santarém (PA), invadiram o terminal da Cargill. Eles são contra o Decreto nº 12.600/25 e à dragagem dos principais rios amazônicos para a expansão portuária.

O terminal portuário de Santarém (PA) estava com a portaria de caminhões bloqueada pelo grupo há mais de 30 dias. O Sindicado dos Operadores Portuários do Estado do Paraná (Sindop) emitiu uma nota de repúdio sobre o caso.
“O Sindop se manifesta publicamente repudiando os graves atos de violência e depredação do Terminal Portuário de Santarém e à sede da Cargill. O Sindop concorda e apoia a manifestação do Ministério dos Portos e defende o retorno da normalidade das operações do terminal portuário invadido”, afirmou o Sindop.
Os atos ocorreram em resposta a uma decisão judicial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), na quarta-feira (18), que determinou a desobstrução das vias de acesso à empresa em 48h, com possibilidade de intervenção policial em caso de descumprimento.
MPor suspende licitação da dragagem
Em nota, o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor) informou que já adotou todas as medidas cabíveis diante das manifestações em Santarém (PA), incluindo a notificação da Companhia Docas do Pará (CDP), o acionamento da Advocacia-Geral da União (AGU) e a suspensão da licitação da dragagem.
“Os próximos passos estão sendo coordenados pela Secretaria-Geral, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Governo do Estado do Pará. O direito à manifestação é garantido pela Constituição, mas atos que gerem violência, invasões ou ocupações irregulares são ilegais e não serão tolerados”, destacou o Mpor.
Anteriormente, na sexta-feira (20), os ativistas indígenas também protestaram em frente às instalações da Cargill em São Paulo.
Segundo a nota, o Ministério reforçou que o Decreto nº 12.600 não trata de privatização, mas apenas autoriza a realização de estudos técnicos. Novas reuniões são realizadas nesta segunda-feira (23) para tratar do assunto.
“É fundamental que o diálogo seja mantido para que se alcancem soluções. Entretanto, todas as decisões judiciais devem ser cumpridas. O Ministério de Portos e Aeroportos atuará com firmeza na defesa da legalidade, da ordem pública e do interesse da sociedade”, disse o MPor.
Cargill adotou plano de emergência
Em nota enviada à imprensa, a Cargill afirmou que adotou o plano de emergência e os funcionários que estavam no local, diante da ameaça à sua integridade, procuraram abrigo em local fechado até que pudessem sair em segurança.
“Desde o início das ações, a Cargill vem reiterando seu respeito ao direto de manifestação e a despeito de não ingerência sobre a pauta apresentada, segue tendo suas operações impactadas e, nesse momento, integralmente interrompidas”, disse a Cargill.
