Na conta de quem serão colocadas as mortes ocorridas em 4 anos sem balanças na BR-277?
Soa até absurdo que o assunto não seja tratado como prioridade apenas porque está “dentro do prazo”. As balanças (Foto), que deveriam verificar se os caminhoneiros — e os responsáveis pelas transportadoras — estão agindo corretamente e trafegando com cargas dentro dos limites de peso, estão abandonadas há três anos e meio. Nesse período, vivemos como em uma roleta-russa, trafegando ao lado de grandes veículos que, devido ao excesso de peso, podem não vencer uma descida ou uma curva e provocar tragédias.

Quantas já não ocorreram, sem que fosse possível saber se o peso estava dentro do permitido? Ainda assim, como a situação está dentro do prazo da atual concessão do trecho, os novos equipamentos só devem ser instalados por volta de fevereiro de 2026, quando esse hiato na fiscalização já terá ultrapassado quatro anos.

Tentando coibir a prática meio que às cegas, só resta à PRF checar se a documentação das cargas condiz com o que suporta o caminhão. Em casos em que o peso declarado é ultrapassado, o responsável é autuado. Mesmo assim, de forma tão aleatória e rudimentar, o óbvio vem acontecendo: o crescimento de flagrantes de excesso de peso. Como não há o que fazer, agora só nos resta saber: na conta de quem vão ficar as mortes desse período?
