Quando o discurso oficial de cofres vazios não condiz com os investimentos em festa

Apesar de afirmar enfrentar dificuldades financeiras, e não arcar com dívidas que prejudicam até o funcionamento do SAMU, entre outros setores essenciais, a Prefeitura de Matinhos mobilizou mais de R$ 4 milhões para a realização da festa de 58 anos do Município, um investimento que remete a grandes eventos de capitais ou festas turísticas históricas. O contraste entre o discurso oficial e os contratos milionários assinados para a comemoração tem gerado questionamentos dentro e fora da cidade.
Nos bastidores, o argumento da administração é de que se trata de um investimento em cultura, lazer e turismo, com potencial de retorno para a economia local. No entanto, o volume de recursos empregados na festa vem sendo contraposto a outras áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura urbana.
Com a programação já quase toda definida e os contratos em vigor, a expectativa da Prefeitura é atrair um grande público para a orla. Mas o sucesso da festa não será medido apenas pelo número de espectadores. Também entra em cena a percepção da população sobre o retorno social, econômico e institucional de um investimento tão alto, em um momento em que o discurso oficial é de aperto financeiro. Que o retorno econômico existe, isso é fato, o problema é dizer que não tem orçamento para o mais importante e, de repente, dar um jeitinho de ter grana – e muita – para a festança.
