Derrota no Senado expõe fragilidade de Lula e marca novo momento do governo


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 30/04/2026 às 04h48

A rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado não é só um revés pontual. É um recado direto ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. E dos mais duros. Pela primeira vez em mais de um século, a Casa barra uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Não é detalhe. É ruptura.

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Lula apostava em seu Advogado-Geral da União para a vaga deixada aberta por Luís Roberto Barroso. Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

O episódio escancara algo que já vinha sendo percebido nos bastidores: o governo perdeu capacidade de organizar maioria sólida no Congresso. A base, que nunca foi fixa, existe no papel, mas não se sustenta quando a pressão aumenta. E, nesse caso, não era uma votação qualquer, era uma escolha estratégica, simbólica e de alto impacto institucional.

A derrota também muda o clima político em Brasília. Até aqui, o governo vinha operando com derrotas pontuais, ajustes aqui e ali. Agora, o cenário é outro. A rejeição pública de um indicado ao STF transforma uma dificuldade de articulação em um problema político evidente, com desgaste direto da autoridade do Planalto.

Mais do que o nome de Messias, o que está em jogo é o controle da agenda. O Senado mostrou que pode impor limites e que não vai apenas chancelar decisões do Executivo. A partir daqui, cada movimento do governo passa a ser testado com mais rigor.

Muitos senadores gritavam “Lula acabou. Esse é o fim”. Na verdade, o governo não acabou. Mas a forma como vinha operando, sim.

E o recado que saiu do plenário é claro: ou reorganiza a base e recompõe força política, ou passa a conviver com derrotas cada vez mais frequentes e mais caras.

Do outro lado, surge uma oportunidade de ouro: indicar uma mulher e comprar essa briga com o Congresso. A narrativa de perseguido dá certo nas novelas, nos realitys e também na política.

Mas, neste momento, a única cena que vai reverberar na cabeça de todos é a do amargo e indigesto placar: 42 votos contrários e 34 a favor.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.