Moro lidera, mas Ratinho ainda é quem dá as cartas


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 11/10/2025 às 00h13

Falta menos de um ano para a eleição de 2026, e o Paraná entra oficialmente em modo de sucessão. As primeiras pesquisas confirmam o que já se imaginava: o senador Sergio Moro (União Brasil) é hoje o nome mais lembrado e o que aparece com maior vantagem na corrida pelo governo. É natural. Moro tem visibilidade nacional, um eleitorado fiel e carrega o peso simbólico da Lava Jato, um capital que ainda rende votos, especialmente entre os eleitores mais conservadores.

Sergio Moro lidera a corrida para governador, mas Ratinho Junior está longe de se ver como derrotado. Foto: Rodrigo Félix Leal/ AEN

Mas a liderança de Moro é apenas uma parte da história. No Paraná, eleição majoritária nunca se resume a quem está na frente, se resume a quem tem o apoio do governador. E Ratinho Júnior (PSD), no seu segundo mandato, mantém uma popularidade que o coloca como o principal fiador político do Estado. Seu nome ainda é sinônimo de estabilidade, gestão e proximidade com o interior, o que faz dele o grande padrinho da disputa de 2026.

As pesquisas indicam que o candidato apoiado por Ratinho herdaria boa parte de seu capital político, algo entre 60% e 70% das intenções de voto dos eleitores que hoje aprovam o governo. Ou seja, a corrida segue aberta, mesmo com Moro na dianteira. A dúvida é apenas quem vai receber o “carimbo do governador”.

Nos bastidores, a lista de cotados se afunila. Apesar dos secretários Beto Preto (PSD) e Rafael Greca (PSD) afirmarem que podem disputar a eleição. Quem está na dianteira (de forma parecida com o que o Coritiba está fazendo na série B) é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi (PSD). Até o secretário das Cidades Guto Silva (PSD) já é visto nos bastidores como alguém que, aos poucos, está ficando para trás.

Ratinho, por enquanto, observa. E a postura é calculada. Ele sabe que quanto mais tarde anunciar seu candidato, mais controle terá sobre a narrativa e menos tempo dará aos adversários para reagir. Além disso, o governador tenta costurar alianças em dois níveis: manter o PSD como protagonista estadual e, ao mesmo tempo, preservar a ponte com o PL de Jair Bolsonaro, hoje o segundo partido mais forte no Paraná.

A relação entre Ratinho e o bolsonarismo é de pragmatismo. O governador evita rompimentos e trabalha para manter o apoio de Bolsonaro sem se subordinar ao seu grupo político. É por isso que interlocutores próximos ao Palácio Iguaçu conversam tanto com Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, sobre o futuro palanque no Estado. Ratinho não quer entregar o Paraná de bandeja para o União Brasil de Moro, nem quer brigar por protagonismo. Ele prefere construir um nome próprio, que simbolize continuidade e garanta a influência do seu grupo mesmo fora do cargo.

Moro se movimenta rapidamente

Enquanto isso, Moro tenta ocupar o espaço de oposição. Ele aposta na sua imagem de independência e na força de ser o “anti-sistema”, mesmo hoje sendo parte dele. O problema é que, no Paraná, o voto de governo pesa mais do que o voto de protesto. O eleitor paranaense costuma ser fiel a quem governa bem e entrega obras, e é exatamente isso que Ratinho vem fazendo desde o início do mandato.

Apesar de ambos serem de direita, disputa pelo Palácio Iguaçu deve ser travada entre apoiadores de Moro e grupo formado pelo atual governador Foto: Rodrigo Félix Leal/ AEN

Se a eleição fosse hoje, Moro venceria. Mas eleição não é fotografia, é filme. E o filme do Paraná mostra que o apoio do governador costuma decidir quem cresce quando a banda começa a tocar, e quase sempre, quem vence. O exemplo mais recente é o de Eduardo Pimentel (PSD), que não liderava nenhuma pesquisa em Curitiba até o início do período eleitoral. Coincidentemente, o momento em que Ratinho entra em cena e diz: “é o meu candidato”. Meses depois, Pimentel era prefeito eleito, deixando para trás nomes fortes da política curitibana e até um ex-prefeito.

A lógica tende a se repetir em 2026. Moro tem o nome. Ratinho tem a máquina, o grupo político e o voto do interior. Quando ele decidir quem será o sucessor, o tabuleiro muda pra valer.

Sergio Moro é hoje o líder das pesquisas, mas Ratinho Júnior ainda é o dono do jogo. No Paraná, a disputa começa de verdade no dia em que o governador subir num palanque, apontar o dedo e dizer: “é com ele que eu vou”. E só a partir daí a história eleitoral do Estado em 2026 vai começar a ser desenhada de verdade.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.