Ratinho está pronto, mas há outras coisas para serem definidas


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 21/01/2026 às 03h16 Atualizado 28/01/2026 às 15h14

Se a eleição presidencial fosse hoje, Ratinho Junior (PSD) provavelmente não seria o favorito nas pesquisas, isso é fato. Mas eis a grande virada que começa a tomar forma desde o começo de 2026: a construção de um nome nacional não passa apenas por números em sondagens, e sim por estrutura partidária, articulação política e narrativa.

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Governador tem a ambição de ocupar o Palácio do Planalto. Foto: Divulgação/Governo do Paraná.

O que se viu nas últimas semanas foi justamente isso: uma movimentação organizada em torno de Ratinho Junior que marca um passo além do ‘achar que poderia’ e caminha para o ‘estar pronto’.

No PSD, a discussão sobre a corrida presidencial deixou de ser mera especulação de bastidores e virou assunto de público. Líderes e caciques deixaram claro que o nome dele é levado a sério e aparece na lista de opções competitivas. Não é pouca coisa uma legenda com a capilaridade do PSD costurar isso já em janeiro do ano eleitoral; analistas experientes percebem que isso não acontece por acaso, e sim porque há um conjunto de fatores que justificam essa movimentação interna.

Além disso, Ratinho Junior tem construído uma narrativa coerente de gestor executivo, algo que, em um país cansado de polarizações e brigas ideológicas, pode ser um trunfo e tanto. Se juntar a isso a possível costura de apoio de lideranças conservadoras, inclusive setores que olham para ele como alternativa à fragmentação da direita, o quadro começa a tomar contornos concretos.

Claro: ainda há obstáculos gigantes. O presidente Lula lidera ampla parte das intenções de voto e nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) têm bases próprias mais consolidadas nesta fase inicial. Mas Ratinho está jogando um jogo diferente. Em vez de negar a própria viabilidade, ele se coloca como opção presidencial, abre espaço para diálogo e tenta construir alianças largas dentro do centro-direita e do Centrão, o tipo de movimento que, no Brasil, não se improvisa em três meses de campanha.

O fato de o PSD discutir isso publicamente, de ele próprio dizer que aceitaria ser candidato se o partido assim o decidir, e de lideranças confirmarem essa possibilidade é um sinal claro: Ratinho não só está sendo lembrado para 2026, ele já está pronto para entrar na disputa quando os partidos confirmarem suas convenções.

E no jogo político, pronto muitas vezes é diferente de favorito, mas é a condição mínima essencial para que uma candidatura deixe de ser utopia e se torne projeto real.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.