Ratinho Junior de férias: governador volta no 2º semestre com um pé em Brasília
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
Junho está acabando e, com ele, as férias do governador Ratinho Junior (PSD) se iniciam. Oficialmente, apenas mais um período de descanso na agenda entre os dias 23 de junho e 14 de julho. Na prática, porém, o recesso tem um significado bem maior: pode ser o último antes de mergulhar de vez no projeto de disputar a Presidência da República em 2026.

Os sinais de que o governador paranaense tem ambições nacionais não são de hoje, mas nas últimas semanas eles começaram a ganhar uma nova escala. Ratinho Junior já colocou no ar o seu primeiro comercial com alcance nacional, apresentando o Paraná como um “estado-modelo”, com altos índices de desenvolvimento e gestão eficiente. A propaganda tem o tom de quem quer falar não apenas com os paranaenses, mas com o Brasil inteiro, principalmente ao se apresentar de forma minuciosa e também demonstrar todos os bons resultados estaduais que considera ser importante destacar.
O movimento faz parte de uma estratégia calculada. Ratinho sabe que, para ser um nome competitivo na eleição presidencial, precisa construir um legado sólido no Paraná e, principalmente, garantir que seu sucessor seja alguém que mantenha o atual projeto político. Não por acaso, o governador tem intensificado as articulações para preparar a própria sucessão. Os nomes mais falados nos bastidores são o do secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi (PSD). Aqui é importante destacar que a disputa interna promete esquentar nos próximos meses.
Fazer um sucessor, no entanto, não é tarefa simples. Em um estado grande e politicamente complexo como o Paraná, a missão vai muito além da propaganda institucional. Exige articulação política de alto nível, negociação com diferentes setores e, sobretudo, a capacidade de quebrar a popularidade do ex-juíz federal e hoje senador, Sergio Moro (União Brasil).
Já na sua própria batalha, Ratinho precisa quebrar a desconfiança que ainda existe dentro do próprio PSD. Hoje, nem todos no partido estão 100% fechados com o projeto nacional do paranaense. Tem gente com o pé no barco do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem gente incentivando a indicação do governador gaúcho e correligionário Eduardo Leite e tem até aqueles que devem estar no palanque petista, vislumbrando pastas importantes na Esplanada. Há também lideranças de diferentes regiões que querem um lugar ao sol e cobram mais diálogo, mais espaço e mais clareza sobre o futuro.
Para viabilizar a própria candidatura ao Planalto, o governador precisa primeiro pacificar as bases e conquistar um apoio irrestrito dentro da sua própria sigla. Sem um PSD coeso e unido, o sonho presidencial corre sério risco de naufragar antes mesmo de ganhar as ruas.
Depois de resolver a equação interna e garantir um sucessor forte e alinhado, vem o terceiro grande desafio: construir uma projeção nacional real. Até agora, o governador é bem conhecido dentro do Paraná, mas ainda precisa se apresentar de forma consistente ao eleitorado de outros estados. A propaganda em rede nacional e a recente viagem para o Pará foram os primeiros passos, mas a estrada é longa.
Ratinho Junior sabe disso. Por isso, as férias de julho não serão apenas para descanso. Serão também um momento de análise e planejamento. O governador entra no segundo semestre com a consciência de que, de agora até 2026, cada movimento conta. Será preciso foco, articulação e, acima de tudo, resultados políticos concretos.
Sonhar com a Presidência ainda parece algo distante, mas está longe de ser impossível. Se conseguir fazer a lição de casa no Paraná e se consolidar como uma liderança nacional dentro do PSD, Ratinho Junior pode, sim, entrar no jogo. Por enquanto, o desafio número um é claro: planejar bem o sucessor e manter o grupo político sob suas rédeas, sem abrir brechas para outros governadores sonhadores como ele.
