STF realiza julgamento de cartas marcadas com condenação iminente


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Por Brayan Valêncio Publicado 03/09/2025 às 16h04

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete aliados na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) está se desenrolando exatamente como se previa, sem novidades, sem viradas de mesa, sem qualquer chance real de absolvição. Trata-se de um jogo de cartas marcadas, em que a engrenagem judicial já parecia saber de antemão onde iria chegar: a condenação.

Julgamento deve ser concluído na próxima semana. (Foto: Gustavo Moreno/ STF)

As defesas se empenharam em um discurso repetitivo. Todas admitiram que possa ter havido uma tentativa de golpe, mas buscaram blindar seus clientes alegando que eles não participaram diretamente dessas ações. É uma narrativa frágil, que reconhece a gravidade do episódio, mas tenta retirar da linha de frente justamente aqueles que estiveram no comando político do país.

No caso de Bolsonaro e do general Walter Braga Netto, o foco foi a tentativa de anular a delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência. Eles justificaram que a colaboração teria falhas e não poderia servir como base para condenação, principalmente porque há dúvidas razoáveis sobre a voluntariedade e fidelidade dos fatos narrados. Mas a verdade é que a corte não deu sinais de que compraria esse argumento. Ao contrário: as menções de Cid reforçaram a convicção de que havia, sim, um plano em andamento, e que Bolsonaro estava no centro dele.

O quadro, portanto, é de previsibilidade absoluta. Não houve contradições gritantes, nem apresentação de fatos novos capazes de virar o jogo. O julgamento não está sendo um espaço para descobertas, mas para a formalização de uma narrativa já consolidada: de que houve articulações golpistas, de que elas partiram do núcleo duro do governo e de que os oito réus têm responsabilidade nesse processo.

É nesse sentido que o julgamento se aproxima mais de uma confirmação do que de uma análise. O rito está sendo cumprido, os argumentos são ouvidos, mas a convicção de que a condenação virá já está presente no ar. Em Brasília, ministros e advogados sabem que não há espaço para manobras de última hora ou para surpresas de bastidor. Agora, os oito homens enfrentam um único destino.

Com o fim desta etapa, o processo entra em sua fase decisiva: na semana que vem começam os votos dos ministros, e cada um deles terá a missão de não apenas apontar a participação de cada réu, mas também reafirmar a soberania e a democracia diante da maior tentativa de ruptura institucional da história recente do país.

O caminho escolhido por Bolsonaro só poderia levar a esse desfecho. Ao fim, a lição é clara: as grandes democracias resolvem seus piores problemas dentro das próprias instituições, com julgamento, condenação e memória para que episódios semelhantes não voltem a se repetir.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.