Todos os homens de Ratinho Junior


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 02/10/2025 às 16h20

A eleição de 2026 começa a se desenhar no Paraná com uma dúvida central: quem vai herdar o projeto político de Ratinho Júnior (PSD)? O governador, em fim do seu segundo mandato consecutivo, não poderá concorrer à reeleição e trabalha para manter seu grupo unido, ao mesmo tempo em que precisa administrar expectativas e rivalidades internas.

Governador Ratinho Junior tem três pré-candidatos em sua lista de possíveis sucessores. Fotos: Divulgação

No tabuleiro, três nomes aparecem como os mais próximos ao papel de sucessores: Alexandre Curi (PSD), deputado estadual , presidente da Assembleia Legislativa e articulador político com gestores do interior do estado; Guto Silva (PSD) ex-chefe da Casa Civil, atual secretário das Cidades e figura de confiança no governo; e Rafael Greca (PSD), ex-prefeito de Curitiba, secretário do Desenvolvimento Sustentável e um dos políticos mais experientes do estado. Cada um deles carrega ativos próprios e também fragilidades.

Em comum, todos precisarão enfrentar a presença do senador Sergio Moro (União Brasil), que aparece como adversário competitivo e com reconhecimento nacional. O ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública tem capital político consolidado, sobretudo no eleitorado conservador e anti-sistema , o que obriga os aliados de Ratinho a construírem narrativas capazes de contrastar com a força midiática de Moro.

Alexandre Curi: a força dos bastidores

Alexandre Curi é considerado por muitos dentro do PSD como o “candidato natural” de Ratinho Júnior. Deputado estadual com larga experiência e trânsito político, é peça-chave na relação do governo com lideranças locais e com a Assembleia Legislativa.

Entre seus pontos fortes está a capilaridade política já que Curi tem base sólida no interior e é reconhecido como articulador eficiente, com forte relação com prefeitos, vereadores e lideranças locais. O parlamentar também é homem de confiança de Ratinho e do núcleo duro do PSD, o que o coloca em posição privilegiada para herdar a máquina governista.

Além disso, ele pode se apresentar como o guardião do projeto de Ratinho, oferecendo segurança de que a agenda de obras e investimentos terá sequência, visto que hoje é um grande fiador das maiores propostas do governo no legislativo.

Mas, embora seja conhecido nos bastidores, Curi ainda não tem forte apelo direto junto ao eleitorado em geral. Fora da classe política, seu nome é pouco lembrado. Além disso, sua força eleitoral tende a ser limitada sem o empurrão direto da estrutura de governo.

Guto Silva: o gestor técnico

Guto Silva construiu sua trajetória no governo Ratinho como operador político de confiança e interlocutor junto a setores empresariais. Como chefe da Casa Civil e na Secretaria das Cidades, coordenou articulações com prefeitos e ajudou a desenhar políticas estratégicas, especialmente em infraestrutura.

Guto pode se vender como gestor, alguém que entende de governo e tem capacidade de execução. Ele também tem bom trânsito com investidores, empresários e lideranças do setor produtivo, o que pode gerar apoios importantes, além de ser visto como “homem do governo”, alguém que participou do desenho das principais ações da atual gestão.

Em contrapartida, Guto tem dificuldades de projeção popular e ainda não construiu uma imagem junto ao eleitor comum. Como gestor técnico e figura “séria”, pode acabar sendo ofuscado pelo peso simbólico e midiático do ex-juiz Moro e sem o apoio “paternal” de Ratinho em período integral, tende a não se sustentar em um cenário de disputa acirrada.

Rafael Greca: o político carismático

Rafael Greca é um dos políticos mais experientes do Paraná e conta com grande apelo popular, principalmente em Curitiba. Com histórico de realizações urbanas e estilo próprio, Greca é um nome conhecido e que desperta emoções opostas no eleitorado.

O gestor é figura pública de longa data e tem presença consolidada na história política paranaense. Além disso, seu estilo pessoal garante lembrança e conexão com parte do eleitorado, fazendo com que os mais antigos relembrem os “bons e velhos tempos” e repassem esse imaginário popular para os mais novos.

Mas, quando se fala em Greca, também já vem automaticamente a ideia da resistência ao seu nome, principalmente entre os mais conservadores. Outro tema que sempre assombra o ex-prefeito é a sua limitação de saúde e isso pode voltar a ser explorado em 2026 para criar um elemento de dúvida entre os eleitores.

O fator Moro e o dilema da sucessão

Sergio Moro se apresenta como o maior desafio para o grupo de Ratinho. O senador tem destaque nacional, base consolidada em setores conservadores e carrega a bandeira da antipolítica tradicional. Para Curi, Guto e Greca, a dificuldade está em construir uma narrativa que dialogue com o eleitorado sem cair no confronto direto em que Moro tem vantagem.

Enquanto o grupo governista aposta na força da máquina, no apoio da grande base de prefeitos e no legado administrativo de Ratinho, Moro chega com exposição midiática e apoio espontâneo de parcelas do eleitorado. A equação passa pela escolha de quem melhor traduzirá a continuidade de Ratinho sem ser apenas sombra do governador.

A sucessão de 2026, portanto, coloca Ratinho diante de uma decisão estratégica: apostar no articulador (Curi), no gestor técnico (Guto) ou no político experiente (Greca). Qualquer que seja a escolha, o desafio é o mesmo: enfrentar a força surpreendente de Sergio Moro e manter unido o campo governista para não abrir espaço para possíveis adversários que querem ocupar o Palácio Iguaçu.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.