Tornozeleira de Bolsonaro e Moraes sem visto: o Brasil no olho do furacão


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 19/07/2025 às 04h13

Jair Bolsonaro (PL) não é mais aquele político intocável e dono da verdade absoluta. Hoje, com uma tornozeleira eletrônica na perna, ele virou o símbolo vivo do desgaste político e jurídico que corrói o Brasil. Essa tornozeleira não é mero detalhe burocrático, mas a concretização do fracasso de uma política pautada na afronta às instituições, na polarização tóxica e no negacionismo.

Perna
Imagem ironizando tornozeleira eletrônica utilizada por Jair Bolsonaro viralizou na internet (Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

Durante anos, Bolsonaro desafiou o Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a lisura das eleições, espalhou desinformação e incentivou manifestações antidemocráticas. O resultado? Uma verdadeira tentativa de desmonte das instituições mais sérias e democráticas do país. A resposta a essas ações deliberadas de 2019 a 2022, tem sido dura e chegou na medida extrema de controlar a liberdade de um ex-presidente que responde por cinco crimes em um único processo.

Mas o estrago vai além do Brasil. A instabilidade política ganhou repercussão internacional e chegou até o governo Trump. A decisão americana de retirar os vistos de oito ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, no mesmo dia em que Bolsonaro recebia uma “visita” da Polícia Federal (PF), mostra que a crise brasileira não é mais problema doméstico. A interferência externa revela um país cuja crise institucional ultrapassou fronteiras e se tornou uma preocupação nas relações internacionais.

É irônico e preocupante que um país que sempre defendeu a soberania e o respeito às suas instituições hoje assista à intervenção indireta de um governo estrangeiro sobre sua mais alta corte. Trump, figura polêmica e influente no cenário global, usa seu poder para pressionar ministros do STF, ameaçando a independência do Judiciário brasileiro. Estamos diante de um conflito entre poder interno e influência externa que enfraquece ainda mais o Estado de Direito no Brasil.

A tornozeleira eletrônica em Bolsonaro serve de alerta: não existe impunidade, e desafiar a democracia tem um preço alto. A persistência do ex-presidente em confrontar a Justiça não só trava o funcionamento das instituições, mas também abre brecha para agentes externos interferirem em assuntos que deveriam ser resolvidos dentro da Constituição.

Essa crise dupla, interna e externa, expõe o Brasil a riscos graves. De um lado, um ex-presidente que não aceita a derrota e tenta minar as instituições; de outro, um país que vê sua soberania ameaçada por sanções e pressões políticas estrangeiras. O reflexo? Uma imagem desgastada internacionalmente, com consequências práticas na economia, na diplomacia e no equilíbrio político.

Bolsonaro, sua tornozeleira e as manobras internacionais deixam claro que a crise política brasileira não é apenas uma disputa interna. É um nó que precisa ser desatado para o país voltar a respirar. Até lá, seguimos na corda bamba, entre o autoritarismo de quem não aceita o resultado das urnas e a interferência de quem usa seu poder para ditar os rumos de uma nação independente.

O desfecho dessa crise é incerto, mas enquanto o país se afunda nessa instabilidade, quem sorri é o presidente Lula (PT). A popularidade do petista voltou a subir, de acordo com os dois levantamentos após o “tarifaço”. Na pesquisa Atlas/Bloomberg, 60% dos eleitores ouvidos diziam concordar com a política externa do presidente Lula. Já na Genial/Quaest, a desaprovação do presidente caiu 4 pontos percentuais, o menor patamar em 2025.

Esses resultados comprovam que agora Lula tem um discurso pronto para 2026 — entregue de bandeja pelas confusões provocadas por Trump e pela família Bolsonaro. Agora, Lula pode pregar a união nacional contra um inimigo externo, não porque seu governo cumpriu todas as promessas e tem superado as expectativas da população, mas porque a oposição cavou sua própria cova com a desordem que ironicamente sempre quis causar.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.