Da União para o Município: Prefeitura de Antonina solicita apropriação do Armazém Macedo


Por Gabriela Perecin Publicado 20/10/2025 às 16h55

Após as obras de restauro concluídas em 2022, o Armazém Macedo, em Antonina, saiu das ruínas e voltou a receber eventos. Testemunha da história do Litoral, o espaço deve entrar com mais frequência no cronograma cultural do Município. Isso porque a Prefeitura aguarda a oficialização do comodato solicitado à União, o que permitirá executar serviços de manutenção e segurança, além de ampliar a utilização do prédio.

Foto 1 – Casarão foi restaurado pelo Iphan e entregue em 2022, ampliando sua utilização. Foto: JB Litoral
Casarão foi restaurado pelo Iphan e entregue em 2022, ampliando sua utilização. Foto: JB Litoral

O casarão foi restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e entregue em março de 2022, com investimentos de R$ 7,2 milhões. Logo após a reforma, foi anunciado que o local seria cedido para o Serviço Social do Comércio (Sesc Paraná) pelo prazo de 20 anos, o que não aconteceu.

O secretário de Governo e Planejamento de Antonina, Rafael Camargo, reforçou que diversas finalidades podem ser exploradas no Armazém.  

“O espaço é muito utilizado para eventos, congressos, palestras e visitação turística, sendo um dos principais cartões postais do município. Projetos são desenhados e muitos movimentos, em conjunto com a iniciativa privada, estão sendo concretizados, criando um cenário de muito otimismo e realizações para 2026 em Antonina”, disse Rafael.

Construída em meados do século 19, edificação foi tombada em 2012 pelo Iphan. Foto: JB Litoral
Construída em meados do século 19, edificação foi tombada em 2012 pelo Iphan. Foto: JB Litoral

Mas segundo ele, para realizar qualquer evento ou atividade do Município no local, é preciso solicitar uma permissão para a União, porque o prédio histórico não pertence à cidade. Com o comodato oficializado, a Prefeitura passa a administrar o casarão pelos próximos 40 anos.

“Quando passar para a cidade, a gente pode fazer qualquer tipo de negócio, parceria, fazer um aluguel viável. O Sesc não aceitou ficar com o prédio porque era da União. Para fazer um café lá dentro o custo seria de 20 mil por mês”, explicou o secretário.

Ainda de acordo com Rafael Camargo, o pedido para administrar o prédio já passou pela fase regional e foi encaminhado para Brasília. O secretário estima que o trâmite deve ser concretizado em até 90 dias.

Depósito de erva mate e esconderijo de escravos

Localizado no centro histórico de Antonina, o Armazém Macedo foi tombado em 2012 pelo Iphan. Construída em meados do século 19, a edificação se consolida com um exemplar de arquitetura industrial, representando a fase áurea da industrialização e da atividade portuária no Estado.

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Com comodato em mãos, Prefeitura de Antonina não precisará mais pedir permissão à União para utilizar o espaço. Foto: JB Litoral

O casarão à beira mar era dividido em duas partes, uma destinada ao depósito de erva-mate, a principal atividade econômica dos anos 1800, na Província Del Guairá, atual norte do Paraná, e a outra reservada à habitação da família Macedo. A área onde ficavam as ervas possuía um piso em arcos com meio metro de altura, evitando que o mate entrasse em contato com o solo molhado pela maré.

O local foi fundado por José Ribeiro de Macedo, o comendador Macedo, bisavô do atual secretário de Desenvolvimento Urbano e de Obras Públicas do Estado, Rafael Greca. O secretário conta que ele era um abolicionista apoiado por um grupo de maçons, entre eles Ildefonso Pereira Correia (Barão do Serro Azul), Petit Carneiro, Emiliano Pernetta e Ermelino de Leão. O grupo financiava o resgate de escravos, atividade transgressora na época e os enviava para outros países.

Na época, estes bem-feitores sequestravam os negros em risco. Os colocavam dentro de barricas de erva-mate, despachando-os em segredo dentro dos navios, a partir do Armazém Macedo, para Montevidéu e Buenos Aires. Lá, outros abolicionistas maçons os recebiam, dando-lhes dinheiro para começar vida nova”, disse Rafael Greca, à época da conclusão das obras de restauro.

O Comendador Macedo foi agraciado, em 1874, com a Comenda da Imperial Ordem da Rosa, por decreto da Princesa Isabel.

História preservada

A Prefeitura de Antonina informou que alguns prédios históricos estão em processo de licitação para serem restaurados, como a tricentenária Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar da Graciosa (patrimônio histórico tombado em 1999), o Arquivo Histórico Municipal e a antiga Prefeitura.

A obra de restauração da Igreja de São Benedito, que inclui a requalificação de seu entorno, teve a ordem de serviço assinada em 7 de maio de 2025 e viabilizada com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com investimento de, aproximadamente, R$ 2.257.856,00 milhões. A obra está em execução, segundo informações divulgadas pelo Governo Federal.

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Igreja de São Benedito recebe reforma com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Foto: Arnaldo Alves/AEN

“Está tudo encaminhado. A Secretaria de Estado do Turismo também tem nos atendido muito. É vital para a cidade o restauro dos bens históricos. Com as três igrejas funcionando, o Santuário de Nossa Senhora do Pilar, São Benedito e a Igreja Bom Jesus do Saivá, podemos fazer um roteiro turístico religioso”, avaliou o secretário de Governo e Planejamento de Antonina, Rafael Camargo.

Pensando no turismo cultural, a Administração Municipal pretende restaurar o antigo prédio da Prefeitura e o Arquivo Histórico Municipal, além de criar uma Casa da Memória e reformar o Teatro Municipal. Este último, com as novas intervenções, poderá receber espetáculos nacionais de médio porte, que hoje não são realizados por falta de estrutura adequada de som e iluminação, como explicou o secretário.

Patrimônio Cultural

De acordo com o Iphan, o Centro Histórico de Antonina foi tombado em 2012 devido aos seus valores históricos e paisagísticos. A área contemplada é composta por igrejas, edifícios com características do período colonial brasileiro, bem como de arquitetura eclética e art déco, com calçamento de pedras.

“A cidade é a materialização dos processos de ocupação territorial na região, particularmente no Paraná. Sua importância histórica está vinculada à primeira fase do chamado Ciclo do Ouro, que antecedeu a exploração nas Minas Gerais”, informou o Iphan.

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