Mais de mil nascimentos em Paranaguá marcam o início da Geração Beta
Eles ainda não sabem andar, falar ou escrever, mas já nasceram em uma geração conectada. Você sabia que as primeiras crianças nascidas em 2025 fazem parte da geração Beta? Ela sucede a geração Alfa (2010–2024) e será marcada por um cenário ainda mais digitalizado e interativo.

Somente nos primeiros meses deste ano, o Hospital Regional do Litoral, em Paranaguá, já contabilizou 1.011 partos, todos de integrantes da nova geração. Segundo especialistas, as gerações são moldadas por experiências e contextos compartilhados e os Betas crescerão em um ambiente onde inteligência artificial, realidade aumentada e acesso instantâneo à informação farão parte do cotidiano desde os primeiros anos de vida.
Para a socióloga Mary Falcão, professora da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), em Paranaguá, o grande diferencial desta nova geração está na relação natural que ela terá com a tecnologia. “O que distingue uma geração é a maneira como as pessoas se relacionam com as inovações e os desafios do seu tempo. A geração Beta nasce em um momento em que já não estamos apenas lidando com a tecnologia. Estamos avançando com ela, especialmente com o crescimento da inteligência artificial”, explica.
Entre os pequenos que já fazem parte dessa nova era está Benício Matozzo, filho de Guilherme de Oliveira Mattozo e Karoline Santos Matozzo. Para o casal, o nascimento do filho representa não só um sonho realizado, mas também uma missão: prepará-lo para viver em um mundo veloz, cheio de estímulos, mas também de responsabilidades. “A chegada do Benício foi muito desejada. O momento do nascimento é emocionante. Deus nos abençoou. Sabemos que será uma geração marcada pela facilidade extrema no acesso à informação. Nosso papel é educá-lo para que isso tenha um impacto positivo”, conta Guilherme.

Mesmo reconhecendo os benefícios do mundo digital, os pais também demonstram preocupação. “Nosso medo é que ele se perca com o excesso de informação e esqueça a simplicidade de viver e de se relacionar com as pessoas. Queremos que ele valorize o respeito, a disciplina e a convivência real”, completam.
Uso excessivo de telas
Essa preocupação também é compartilhada por profissionais da saúde. A psicóloga Letícia Luz Blankenburg, que atua com desenvolvimento infantil, alerta para os riscos do uso excessivo de telas desde os primeiros anos de vida. Segundo ela, isso pode gerar problemas como irritabilidade, dificuldade de concentração, distúrbios do sono e baixa tolerância à frustração.
Letícia ainda chama a atenção para a forma como conteúdos digitais curtos, muito comuns nas redes sociais, impactam o cérebro das crianças. “Vídeos rápidos e com muito estímulo visual provocam a liberação de dopamina, o que faz a criança buscar constantemente novidades. Quando não há esse estímulo, o tédio aparece, e ela pode ter dificuldade em se interessar por outras atividades”, explica.
Para ela, o segredo está no equilíbrio. “Mesmo com rotinas corridas, reservar tempo para atividades longe das telas como brincadeiras simples, jogos cantados e momentos em família, é essencial para o desenvolvimento emocional e social das crianças“, alertou.
Ainda em construção, o conceito de geração Beta vem sendo analisado por pesquisadores e especialistas ao redor do mundo. Observando o contexto sociológico, Mary Falcão destaca que tudo vai depender da forma como a sociedade vai escolher educar essa geração.
“Os Betas enfrentarão um mundo mais desafiador, e isso pode levar ao surgimento de novas formas de expressão, empatia e organização social. Cabe a nós, enquanto adultos, dar os exemplos certos e preparar o terreno para esse futuro”, finalizou.
Qual a sua geração?
As gerações humanas são classificadas por períodos históricos comuns. A anterior, geração Alfa (2010–2024), é considerada a mais digital até hoje, marcada pelo acesso precoce à internet e dispositivos móveis. Antes dela, vieram a geração Z (1997–2010), os primeiros nativos digitais; a geração Y ou Millennials (1981–1996), marcada pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional; a geração X (1965–1980), que viveu eventos históricos como a queda do Muro de Berlim; e os Baby Boomers (1946–1964), que testemunharam o pós-guerra e o crescimento econômico mundial.
