Escolha é da comunidade: mais seis colégios no Litoral poderão adotar modelo cívico-militar
Dos atuais 60 colégios da rede estadual no Litoral, oito já adotaram o modelo cívico-militar. Esse número pode aumentar para o ano letivo de 2026. A Secretaria de Estado da Educação (Seed) publicou, na última semana, a lista dos colégios que passarão por consulta pública, nos dias 17 e 18 de novembro, para saber se pais e responsáveis concordam com a mudança.

Na lista, estão inseridas seis escolas da região, entre elas três de Paranaguá: Colégio Estadual José Bonifácio, Colégio Estadual Vidal Vanhoni e Colégio Estadual Zilah dos Santos Batista. Os demais ficam em outros três municípios: Colégio Estadual Rocha Pombo (Antonina); Escola Estadual Anibal Khury (Guaratuba) e Colégio Estadual Maria Helena Luciano (Pontal do Paraná).
A seleção das escolas, de acordo com a Seed, foi feita a partir de critérios técnicos analisados pelo Departamento de Educação. A regulamentação completa das consultas, com formato e regras de votação, será publicada nos canais oficiais da Secretaria nas próximas semanas.
Procura é alta
O chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), Paulo Severino Penteado, disse que os pais do Litoral têm procurado matricular seus filhos em colégios cívico-militares. “Nós não temos vagas para atender todos os pais que querem. A importância está em poder ofertar para os pais aquilo que eles têm procurado e, no momento, nós não conseguimos atender”, explicou Paulo ao JB Litoral.

Poderá participar da consulta pública, na próxima semana, a comunidade escolar das unidades selecionadas: estudantes maiores de 18 anos ou o responsável pelo estudante menor de 18 anos, professores e funcionários da escola.
Os atuais colégios cívico-militares do Litoral estão em Paranaguá (3), Antonina (1), Matinhos (2), Guaratuba (1) e Pontal (1).
Mudanças trazidas pelo modelo
A comunidade escolar do Colégio Estadual Faria Sobrinho, no Centro de Paranaguá, decidiu pela mudança para o modelo cívico-militar em 2021. A diretora-geral, Liliana Kffuri, já atuava na instituição. Segundo ela, a principal alteração foi a ampliação da jornada.

“A gente percebe que foram poucas as mudanças, porque a escola já tinha um padrão de qualidade que era muito bom. Ampliamos a jornada para seis aulas diárias, as aulas são das 12h50 às 18h20”, considerou a diretora.
Ela ressalta que a escola cívico-militar não é uma escola militar, e sim uma unidade que tem uma direção pedagógica e outra que fica sob a responsabilidade de militares, que cuidam da parte disciplinar. Ambas atuando em conjunto.
“Tiveram algumas regras específicas como manter o cabelo sempre preso. Não pode cabelos coloridos. Os meninos precisam ter o cabelo cortado geralmente no formato militar mesmo, bem curto. A escola não tem punições, está amparada no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) da mesma forma”, relatou Liliana.
A diretora-geral do Colégio Cívico-Militar Helena Viana Sundin (bairro Costeira), Caroline Alves de Oliveira, contou que a escola também aderiu ao modelo em 2021 e que fez toda a diferença. Até 2020, o colégio tinha poucos alunos, corria o risco de fechar, e hoje atende estudantes de outros bairros de Paranaguá.

“Os pais buscam pelo ensino de qualidade. Temos 520 alunos matriculados e lista de espera bem extensa para todas as turmas, porém não temos mais vaga devido ao nosso espaço físico. O Colégio Cívico Militar resgata o civismo, a ética, a disciplina e nós trabalhamos com os monitores militares que auxiliam a equipe pedagógica e diretiva”, disse Caroline.
A equipe do Colégio Estadual Cívico-Militar Didio Augusto de Camargo Viana afirmou que a mudança marcou o início de uma nova fase, não apenas estrutural, mas também de valores e de propósito.

“É visível o crescimento em todos os aspectos: a organização do ambiente escolar, o fortalecimento dos valores humanos e o aumento do comprometimento de alunos, professores e famílias. O clima escolar tornou-se mais harmonioso, o sentimento de pertencimento se intensificou, e a escola passou a ser vista como um espaço de oportunidades e orgulho para todos que dela fazem parte”, declarou o diretor-geral, Edson Damaceno da Silva.
Benefícios apontados pelo Governo do Estado
O modelo cívico-militar foi implantado pelo Governo do Estado em 2021 e combina a gestão civil com a presença de militares da reserva nas atividades administrativas e no apoio à rotina e organização escolar.
De acordo com o Governo do Estado, a mudança refletiu nas últimas notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), referentes a 2023. As unidades de ensino deste modelo obtiveram índices de 5,43 nos anos finais do ensino fundamental e de 4,75 no ensino médio, superando a média estadual (5,3 no ensino fundamental II e de 4,63 no ensino médio). No comparativo com o Ideb de 2021, quando ainda funcionavam no modelo tradicional, 64% dos colégios cívico-militares elevaram a sua nota Ideb.
“Outro destaque é a participação dos estudantes no programa Ganhando o Mundo. Dos 2 mil jovens selecionados para intercâmbio neste ano, 417 estão matriculados em colégios cívico-militares, o equivalente a 20,6% do total”, comentou a Seed.
