Pedido de prestação de contas do Rio Branco gera confronto entre SAF e Marcos Amaral
A relação entre o Rio Branco SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e a empresa Amaral Sports vive dias de tensão. Na quinta-feira (10), o clube notificou, pela segunda vez, a cobrança por transparência na prestação de contas feita pela diretoria da SAF, presidida por Bruno El Kadri.

Presidente afirma não ter recebido todos os documentos financeiros exigidos contratualmente da parte da gestão responsável pelo futebol profissional e pelas categorias de base. O prazo para resposta termina nesta quarta-feira (16).
De acordo com Bruno El Kadri, a obrigação de apresentar mensalmente todas as receitas e despesas do clube estava prevista no contrato de gestão firmado com Amaral, mas nunca teria sido cumprida. Entre os dados que deveriam ser apresentados estão os valores obtidos com bilheteria, venda de camisas, patrocínios e os aportes feitos pelo próprio gestor. “Apesar de reiteradas tentativas de resolver a situação de forma amigável, com promessas não cumpridas por parte do gestor, a diretoria afirma que foi obrigada a notificá-lo formalmente diante do descumprimento contratual”, explicou Kadri.
Foram enviadas duas notificações. A primeira, enviada no dia 19 de março, deu um prazo de 10 dias para a apresentação das contas. Como não houve resposta, uma segunda notificação foi encaminhada no dia 10 de abril, com novo prazo de cinco dias. Além disso, o clube alertou Marcos Amaral sobre diversas pendências financeiras identificadas em um levantamento interno, entre elas salários atrasados da comissão técnica desde 2024, além de dívidas com contabilidade, hotel, fornecedor de uniformes e segurança.
Ainda segundo a diretoria, Amaral regularizou algumas dessas pendências, especialmente as relacionadas à comissão técnica, mas há débitos que permanecem em aberto. “O técnico Massaro, por exemplo, tem uma dívida de R$ 15 mil, que o Amaral assumiu na época da gestão Brayan Roque e ainda não quitou. E agora o Massaro está cobrando a gente”, detalhou El Kadri.
A diretoria revelou ainda que cinco ações judiciais já foram registradas relativas ao período de gestão de Marcos Amaral — algumas contra a própria SAF, outras envolvendo a associação do clube. A soma das dívidas, incluindo ações já ajuizadas e acordos extrajudiciais, como no caso do atleta Caio Vieira, gira em torno de R$ 1 milhão.
O que diz Marcos Amaral

Em entrevista exclusiva ao JB Litoral, o CEO da Amaral Sports, Marcos Amaral, declarou que não deve nada ao clube. Segundo ele, desde que assumiu a gestão do futebol, todo o investimento no elenco, comissão técnica e estrutura foi feito com recursos próprios. “Paguei absolutamente tudo: salários, estrutura, base. A SAF é quem paga tudo, e mesmo assim temos que ficar prestando contas como se fosse obrigação nossa justificar cada centavo. O clube estava fechado, sem dinheiro para comprar um quilo de frutas”, desabafou.
Sobre as ações trabalhistas, Marcos Amaral respondeu que não há pendências ativas no clube. Segundo ele, duas ações foram registradas. “Não, não procede. Nós tivemos duas ações trabalhistas, tá? Em uma foi feito acordo normalmente, e na outra um atleta entrou com ação, mas ele não se reapresentou ao clube, tá? Ele… ele teve, nós o notificamos, ele saiu de férias e não se apresentou”, disse o CEO.
Futuro indefinido
O prazo para resposta à segunda notificação expira nesta quarta-feira (16). De acordo com Bruno El Kadri, caso a prestação de contas não seja apresentada, o clube pode considerar o descumprimento como motivo para rescisão do contrato com a Amaral Sports. “Caso ele não responda até quarta-feira (16), vamos reunir o Conselho de Administração da SAF para decidir quais serão os próximos passos. A ideia é não rescindir imediatamente, para não atrapalhar o andamento do Sub-20. Mas esperamos que o Amaral entregue alguma resposta até quarta”, afirmou o presidente.
Questionado sobre a cobrança da prestação de contas, Marcos Amaral se mostrou insatisfeito. “Faz tempo que enfrento divergências no clube. Eu já estava insatisfeito antes do início do campeonato. Vejo pessoas torcendo contra. Pelo que sinto, querem retornar ao clube, mas não deixam isso claro. Já fiz um investimento absurdo e agora tenho que prestar contas do meu próprio dinheiro?”, finalizou Marcos Amaral.
