Em risco e pedindo socorro, Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá segue fechado e sem previsão de reforma
O Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá (IHGP) foi fundado em 1931. O acervo conta com documentos e peças dos séculos 17 e 18. Destacam-se os manuscritos originais de Vieira dos Santos, tombados pelo Patrimônio Estadual, além de assinaturas do imperador D. Pedro II e da princesa Isabel, a imagem de Nossa Senhora das Vitórias e o canhão de um corsário francês que naufragou na Ilha da Cotinga, em 1718.

No entanto, todo esse acervo está em perigo e já deveria ter sido realocado desde o ano passado. O espaço foi fechado em outubro de 2025 devido a danos estruturais no prédio. O professor e historiador Hamilton Ferreira Sampaio Júnior revelou ao JB Litoral que, entre os prédios históricos de Paranaguá, o IHGP é o que corre maior risco de perda de documentos e peças.
“Corre sério risco de incêndio e desabamento, há goteiras sobre as obras de arte e, ainda por cima, materiais inflamáveis, como jornais, no andar superior, sem contar a fiação exposta”, afirmou o professor, que também é membro do Instituto.
Presidente do IHGP alerta para deterioração
A edificação é de propriedade privada, atualmente, pertencente aos 59 sócios, como explicou a presidente da entidade, Simone Pereira de Mello, em entrevista ao JB Litoral. Segundo Simone, embora o edifício não tenha sido consumido pelas chamas, ele padece sob uma “chama invisível”: a degradação estrutural e a falta de investimentos em segurança e restauro.
“O incêndio do Instituto de Educação serviu como um alerta amargo de que o patrimônio de Paranaguá está vulnerável, funcionando como um barril de pólvora cultural onde a omissão do poder público é o principal combustível”, relacionou.
Ela disse que vários apelos já foram realizados, mas as autoridades se mantêm inertes à preservação da história. Para ela, a falta de apoio financeiro reflete uma “visão míope” que enxerga o patrimônio apenas como custo, e não como a identidade de um povo.
“Se não houver uma mudança imediata na gestão e um suporte real do Estado, corremos o risco de ver o IHGP tornar-se o próximo capítulo de uma crônica de perdas anunciadas, restando apenas cinzas onde deveria haver memória”, ressaltou Simone.
Técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Defesa Civil do Município estiveram no prédio no ano passado para avaliar as condições da estrutura. O Iphan recomendou, durante a visita, que o acervo bibliográfico e museológico fosse realocado para não correr risco de degradação, segundo o IHGP.
A Defesa Civil do município afirmou que o laudo técnico já foi enviado ao Iphan. O JB Litoral procurou pelo Iphan para saber detalhes sobre o que foi constatado e se já poderia ser feita a realocação do acervo, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
IHGP lamenta incêndio no Instituto de Educação
Em nota, os membros da instituição manifestaram consternação diante do incêndio que consumiu as instalações do Instituto de Educação Dr. Caetano Munhoz da Rocha, no último dia 4. “O edifício era o símbolo máximo do esforço modernizador de Caetano Munhoz da Rocha e um monumento ao ecletismo neoclássico que definia a altivez de Paranaguá no cenário nacional”.
A instituição acrescentou que a comunidade já vinha alertando para a precariedade da estrutura e a ausência de políticas públicas eficazes na área de prevenção e manutenção do patrimônio histórico. “O fogo que devastou o Instituto de Educação é resultado da omissão e da negligência”, reforçou o IHGP.
Os membros do Instituto Histórico também exigem uma investigação técnica para identificar as causas do incêndio e que as autoridades apresentem um plano de escoramento das ruínas, além de um projeto de reconstrução fiel à originalidade do edifício de 1927.
“Que esta tragédia sirva como um ultimato para que outros prédios históricos de Paranaguá não tenham o mesmo fim. É urgente a criação de uma brigada de patrimônio e um fundo municipal voltado exclusivamente para a segurança de edifícios tombados”, completou a nota.




