De 8 a 80: realidades totalmente distintas das mulheres na política diferenciam Municípios do Litoral


Por Opinião da redação Publicado 11/03/2025 às 11h52

Enquanto Morretes, Antonina e Pontal do Paraná se destacam pelo fortalecimento da presença feminina na política – com o aumento do número de mulheres em suas Câmaras Municipais e protagonismo nas Prefeituras –, outras cidades do Litoral seguem em sentido oposto. Antonina, por exemplo, tem a única prefeita mulher da região (assim mesmo, com pleonasmo), mas em Matinhos o cenário é bem diferente. Apenas uma mulher foi eleita para ocupar uma das cadeiras da Câmara Municipal, e a vice-prefeita tem uma atuação meramente ilustrativa.

Ao contrário das vice-prefeitas de Pontal do Paraná e Paranaguá, que ocupam posições relevantes, são ativas e desempenham funções bem definidas, a de Matinhos permanece invisível, sem espaço e sem voz. Já a única vereadora eleita, entre os 13 parlamentares do município, foi alvo de ameaças já no segundo mês de mandato. E de quem? De um servidor (homem) da própria Administração Municipal. A Prefeitura tomou providências? Veio a público, ao menos, para repudiar qualquer tipo de intimidação contra mulheres? Não.

Em pleno 2025, condutas como essa – e tantas outras, disfarçadas de “brincadeira” – são inadmissíveis. Seguimos normalizando o sexismo, o machismo e tantos outros “ismos” que deveriam ter sido superados há muito tempo. E não, isso não é “mi-mi-mi”. É simplesmente exigir que certas atitudes fiquem no passado, pois continuam sendo toleradas quando, na verdade, deveriam ser abolidas. Na política, no mercado de trabalho, na vida pública e privada, as mulheres merecem o mesmo respeito dispensado aos homens. Ambos têm a mesma importância para a sociedade, cada um com suas características e habilidades, mas a igualdade de direitos não pode ser relativizada. Aceitar como natural tratamentos desiguais, que enaltecem um em detrimento do outro, é perpetuar um problema que deve ser combatido por todos – homens e mulheres.

Não é normal que ainda precisemos de cotas para garantir a participação feminina na política e, mesmo assim, elas sigam sendo minoria, como em Matinhos, onde há 12 homens e apenas uma mulher na Câmara Municipal. Enquanto isso, em Pontal do Paraná foram eleitas quatro mulheres e sete homens; em Morretes e Antonina, três vereadoras em cada.

O que justifica tamanha discrepância? O fato de que ainda há um longo caminho a percorrer se quisermos construir uma sociedade verdadeiramente mais justa. As mulheres não querem ser mais do que os homens. Elas só querem – e merecem – respeito. Elas só querem – e merecem – não ser vítimas de qualquer tipo de violência e ainda terem que lidar com a culpa imposta pela sociedade.

É urgente acelerar essa mudança de mentalidade, virar a chave e deixar no passado os tempos em que as mulheres não podiam votar, eram obrigadas a vestir-se de determinada forma, não tinham escolha a não ser ficar em casa, e eram tratadas como inferiores em todos os aspectos da vida.

E por que escrevemos tudo isso no passado? Porque é essa a esperança que nos move. Que essas desigualdades sejam, cada vez mais, algo que ficou para trás. Que possamos dizer, com convicção, que “eram” e não “são” – todos os dias um pouco mais.

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