Editorial: Quanto vale um networking?
No mundo corporativo, sabemos bem a importância de estar em contato com as maiores empresas do setor e de participar de eventos onde, ao menos, os contatos iniciais — que podem levar a transações comerciais — são feitos. Porém, em um mundo conectado, onde praticamente tudo se resolve com o auxílio da tecnologia, como reuniões por vídeo com participantes de todos os cantos do planeta, quanto vale investir em megaeventos presenciais?
A Portos do Paraná participa, ao longo de todo o ano, de diversos desses eventos. Claro que o que recebe publicidade são os “louros”, ou seja, os prêmios conquistados, os números que demonstram a evolução dos nossos portos. Obviamente, tudo isso é importante. Mas a que custo?
Quanto, exatamente, há de retorno sobre o investimento feito para participar de todos esses eventos? Por que esses dados não recebem a mesma divulgação que os prêmios e recordes?
Apenas para marcar presença nos encontros promovidos pela AAPA — Associação Americana de Autoridades Portuárias — tanto na América do Norte quanto na América Latina, a empresa pública destinou, neste ano de 2025, mais de R$ 500 mil. O equivalente a quase 330 salários mínimos foi investido na renovação do pacote de patrocínio “Gold”, o que garantiu a logomarca da Portos do Paraná em banners, souvenires dos eventos, materiais publicitários, entre outros. Mas será que vale tudo isso mesmo?
A mesma marca, tão importante para a economia da nossa região, não é vista patrocinando os eventos que também movimentam as cidades do Litoral, especialmente na baixa temporada, quando são ainda mais necessários. Será que existem tantos empecilhos legais para investir em apoios locais, e nenhum para ações publicitárias em eventos internacionais?
A tão falada relação porto-cidade precisa de mais. Mais diálogo, mais ações, mais investimentos, mais vontade.
