Editorial: Uma realidade que assusta, mas que transformamos em força para seguir


Por Redação Publicado 08/03/2026 às 21h18

Somos uma redação feminina: mulheres, profissionais, filhas, esposas. Praticamente, todas mães. Diariamente saímos de casa com a intenção de dar o nosso melhor — informar com imparcialidade, mas com profundidade. Contamos histórias reais e, muitas vezes, essa realidade machuca.

Dói noticiar que uma mulher, como nós, só teve coragem de denunciar um estupro porque engravidou do criminoso.

Dói escrever uma reportagem sobre uma mulher, como nós, que foi morta na frente dos filhos.

Dói contar que, mesmo com dispositivos de proteção como a Lei Maria da Penha, mulheres como nós continuam sendo espancadas por namorados, maridos ou companheiros.

Como também entristece e revolta noticiar que ainda somos tão poucas em cargos públicos de liderança, e que a equidade de gênero continua sendo uma realidade distante, não só na esfera pública, mas também no setor privado — onde mulheres têm de trabalhar muito mais para provar que são capazes e, mesmo assim, recebem menos do que os homens nas mesmas funções.

No Brasil, mulheres ainda ganham cerca de 20,7% menos que homens em cargos similares, além de enfrentarem jornada dupla ou tripla devido aos cuidados domésticos.
Não tem como não se revoltar, até diante de notícias com caráter “positivo”, como a que o Governo do Paraná divulgou neste sábado (7), véspera do Dia Internacional da Mulher. A matéria informou que o número de feminicídios no Estado mantém tendência de queda, registrando uma redução de quase 40% em janeiro de 2026 em relação ao mesmo mês do ano passado.

Então, vamos lá: oito mulheres foram assassinadas no Paraná apenas por serem mulheres, contra 13 no mesmo período de 2025. Oito de nós tiveram suas vidas brutalmente encerradas por homens que se achavam donos delas.

Como “comemorar” 430 mulheres estupradas em um mês, porque em janeiro de 2025 foram 549?

Como enxergar algo “positivo” em 6.687 mulheres agredidas em um único mês, porque no mesmo período do ano passado foram 35 a menos, uma redução inferior a 1%?
Desculpa, mas é estarrecedor. Não há como achar que o combate à violência contra a mulher está sendo efetivo com esses números. Eles deveriam chocar; deveriam ser suficientes para que todos os poderes tratassem o assunto como extrema prioridade — com o peso devido, punindo os agressores e assassinos de forma exemplar.

Claro que a educação é importante, não temos dúvida disso.

Mas a frente tem que ser dupla: investimento pesado em educação e conscientização, aliado a leis mais assertivas; a polícias realmente preparadas para lidar com esse tipo de situação; e um judiciário que não ponha tudo a perder quando, finalmente, um feminicida ou um espancador de mulher é preso. Isso também vale para nós, mulheres, mães de meninos. Vamos virar a chave: tratar os nossos filhos da mesma forma que tratamos as nossas meninas, sem privilégios aos “piás” e educando-os para respeitar as mulheres. Só assim, com essa transformação da sociedade, poderemos, de fato, comemorar.

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