Caso Jane: suspeito descreve agressão e morte da companheira durante interrogatório


Por Maisy Pires Publicado 21/03/2026 às 11h43

O companheiro de Jane Alves Cordeiro, de 49 anos, encontrada morta dentro de casa em Paranaguá, confessou o crime e descreveu em detalhes, durante interrogatório, como agrediu a vítima até a morte após uma discussão motivada por mensagens no celular. [Confira o vídeo no final da reportagem].

Casal-Feminicidio-Paranagua
Jane e Marcos mantinham um relacionamento há oito meses. Foto: arquivo pessoal

O caso foi registrado na tarde de quinta-feira (19), na residência do casal, localizada na Avenida Belmiro Sebastião Marques, no bairro Jardim Ouro Fino. O suspeito, Marcos da Silva, de 39 anos, foi identificado como o principal autor e acabou se entregando às autoridades após deixar a cidade.

Mensagens e início da discussão

O JB Litoral teve acesso ao interrogatório de Marcos, ele relatou que teve acesso ao celular da companheira horas antes do crime e encontrou mensagens com teor amoroso e íntimo trocadas com outra pessoa. “Eu vi umas mensagens… ela falando ‘meu amorzinho’, ‘meu anjo’, ‘como é bom ter você na minha vida’”, afirmou.

Segundo ele, o conteúdo gerou desconfiança e revolta. Ainda durante a tarde, passou a enviar mensagens para Jane com as mesmas palavras. “Eu mandei as mesmas palavras pra ver se ela se ligava”, disse.

Já no período da noite, por volta das 19h30, os dois se encontraram na residência e iniciaram uma discussão. O suspeito afirmou que questionou a companheira sobre o relacionamento. “Perguntei se ela ainda me amava, se queria que eu ficasse. Ela disse que não queria mais que eu ficasse lá”, relatou.

Agressão dentro da casa

Durante o interrogatório, Marcos afirmou que perdeu o controle durante a discussão. “Eu perdi a cabeça”, declarou.

Ele confessou que desferiu um soco na vítima e, em seguida, aplicou um golpe de estrangulamento. “Dei um soco nela e dei um mata-leão. Minha intenção era só desmaiar ela pra eu poder sair”, afirmou.

Fuga e retorno

Após sair da residência, o suspeito disse que pediu ajuda a um motoboy para chegar até o local onde trabalha. “Eu falei pra ele que tinha brigado com a minha mulher e que talvez tinha feito uma merda”, contou.

Ele permaneceu dentro de um caminhão por algumas horas e afirmou ter feito uso de droga. “Usei cocaína depois que cheguei lá”, disse. Já durante a madrugada, por volta das 3h, retornou à casa. “Voltei pra ver como ela estava”, relatou.

No local, afirmou que tentou reanimar a vítima. “Tentei fazer respiração boca a boca, massagem cardíaca, mas ela não voltou”, disse.

Tentativa de fuga e entrega

Após perceber que Jane não reagia, ele deixou o imóvel novamente sem pedir ajuda. “Eu fiquei desesperado”, afirmou. Na sequência, caminhou por diferentes regiões e conseguiu carona com um caminhoneiro, com a intenção de deixar Paranaguá.

Posteriormente, decidiu se entregar a agentes da Guarda Municipal em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba, na manhã de sexta-feira (20).

Histórico de ameaças

Durante o interrogatório, Marcos também admitiu que já havia ameaçado a vítima anteriormente. “Já ameacei, sim, mas nunca tive coragem de fazer nada”, disse.

Ele também relatou um episódio em que utilizou uma faca para intimidá-la. “Foi só pra intimidar”, afirmou.

Prisão

A Polícia Civil informou que o suspeito permanece preso e à disposição da Justiça. Por se tratar de feminicídio, crime considerado hediondo, não há possibilidade de fiança.


Sobre

Jornalista formada pela Universidade Tuiuti do Paraná, com pós-graduação em Comunicação e Oratória, atua há mais de 10 anos na área, com experiência em portais, televisão, rádio e assessoria de imprensa. Atualmente, é editora-chefe do JB Litoral, onde lidera a produção de conteúdo com foco em informação de qualidade e responsabilidade.

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