Guerra de facções: Justiça condena executores de ataque que deixou criança paraplégica em Paranaguá


Por Redação Publicado 03/06/2026 às 11h32

A Vara Plenário do Tribunal do Júri da Comarca de Paranaguá condenou dois homens envolvidos em uma ação criminosa motivada por disputas de facções. O crime, ocorrido em 29 de novembro de 2023, resultou na execução de um jovem de 26 anos e deixou feridos, incluindo uma criança de apenas um ano.

Conforme informações divulgadas nesta quarta-feira (3), as penas somadas ultrapassam 71 anos de prisão em regime inicialmente fechado. Além disso, o juiz negou aos réus o direito de recorrer em liberdade, fundamentando a decisão na soberania dos veredictos do Júri.

As condenações e as penas

O Conselho de Sentença acolheu as teses do Ministério Público e reconheceu a materialidade e a autoria dos crimes, divididos em três fatos principais:

  • Réu 1 (22 anos à época): Condenado por homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos e lesão corporal. A pena definitiva totalizou 38 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, além de 5 meses e 10 dias de detenção.
  • Réu 2 (18 anos à época): Condenado por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos. Com a aplicação da atenuante da menoridade relativa, a pena definitiva ficou em 32 anos, 9 meses e 23 dias de reclusão.

Noite de quarta-feira (29) é marcada por violência com 5 pessoas baleadas no Santa Cecília e Emboguaçu; criança está entre as vítimas

O caso

O crime aconteceu na noite de 29 de novembro de 2023, na Rua Balduína de Andrade Lobo, no Morro da Cocada. Na ocasião, os réus executaram a tiros Wagner Henrique Rodrigues das Neves, de 26 anos.

Durante o ataque, uma jovem de 18 anos foi atingida na região das nádegas, o que gerou a condenação por lesão corporal a um dos autores. Simultaneamente, uma menina de apenas um ano, que estava com a vítima principal em uma bicicleta, foi baleada gravemente no abdômen.

Embora tenha sobrevivido, a criança sofreu sequelas permanentes, resultando em paraplegia.

Segundo as investigações, os réus cumpriram uma “missão” determinada por uma organização criminosa de Santa Catarina.

Contudo, logo após o atentado, o próprio comando da facção ordenou a morte dos executores por terem atingido a criança.

A Polícia Militar encontrou a dupla escondida em uma casa no bairro Emboguaçu. Ambos haviam sido alvejados por um terceiro envolvido, mas sobreviveram após atendimento no Hospital Regional do Litoral.

Resposta do Estado e combate às facções

Estas condenações decorrem de uma investigação conduzida pela 1ª Subdivisão da Polícia Civil do Paraná (PCPR), em parceria com o Ministério Público. Vale lembrar que, em 2023, Paranaguá enfrentava uma intensa guerra entre facções criminosas, cenário que elevou os índices de homicídios na região litorânea.

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *