Anotações de Flávio Bolsonaro expõem estratégia do PL para 2026 no Paraná
As anotações atribuídas ao pré-candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro revelam como o PL articula o tabuleiro eleitoral no Paraná para 2026. O foco não é apenas a disputa presidencial, mas principalmente a construção de palanque forte no Estado, com definição clara de aliados, vetos internos e controle do campo conservador.

O desenho começa pelo Governo do Paraná. Entre os nomes listados como possíveis aliados aparecem o senador Sergio Moro (União Brasil) e o secretário de Estado das Cidades Guto Silva (PSD). Ao lado de Guto, a anotação é direta: ele seria o “candidato do Ratinho”, numa referência ao governador Ratinho Junior (PSD). Ou seja, o PL já parte do pressuposto de que existe um nome ligado ao atual governo na articulação eleitoral. E descarta, de vez, os nomes do presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Rafael Greca (PSD).
Giacobo fora do páreo
As anotações também confirmam outro ponto da disputa política. Havia a especulação de que o PL poderia lançar o deputado federal Fernando Giacobo ao Governo do Estado, a fim de garantir um palanque mais robusto ao bolsonarismo.
Mas a mensagem é categórica: “Giacobo não pode ser candidato (Valdemar)”. A referência é ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Não há justificativa formal registrada. A leitura política, no entanto, é a de que
Fernando Giacobo figura entre os principais puxadores de voto do partido no Paraná. Mantê-lo na disputa proporcional é considerado estratégico para ampliar a bancada federal. Retirá-lo da Câmara poderia não interessar à direção nacional da legenda.
Além de abrir um possível racha com o governador Ratinho, isso porque houve uma articulação em 2024 pensando em 2026, e o lado do chefe do Executivo do Paraná, até aqui, foi cumprido integralmente.
Senado: candidatura única do bolsonarismo
No Senado, o nome apontado como natural é o deputado federal Filipe Barros (PL). Essa construção não é recente. Desde que desistiu da candidatura à Prefeitura de Londrina, há mais de dois anos, o movimento já indicava alinhamento para 2026.
Ao lado do nome da jornalista Cristina Graeml (União Brasil) aparece no rascunho: “não dá. Atrapalha Filipe”.
O motivo é estratégico. Cristina e Filipe disputam o mesmo eleitorado: conservador, bolsonarista e de direita. Em um cenário com dois nomes fortes no mesmo campo, o voto se divide. A lógica apontada nas anotações sugere que o PL prefere concentrar forças em um único candidato para evitar dispersão e reduzir risco eleitoral.
A leitura é pragmática: consolidar Filipe como único representante competitivo do bolsonarismo ao Senado no Paraná.
O fator Deltan
Na parte inferior das anotações surge o nome do ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo).Ele aparece identificado como líder nas pesquisas. No entanto, há um obstáculo jurídico. O mandato de deputado federal de Deltan foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decisão que pode tê-lo tornado inelegível. Isso, na prática, pode retirá-lo do cenário eleitoral em 2026, salvo eventual reversão judicial ou entendimento diferente quanto à sua elegibilidade. Mas a anotação indica que o quadro eleitoral já considera essa inelegibilidade como fator consolidado.
O que revelam os rabiscos
O conjunto das anotações mostra três movimentos claros:
- Construção de palanque presidencial competitivo no Paraná.
- Controle interno do PL para evitar dispersão de votos.
- Consolidação de candidatura única ao Senado no campo bolsonarista.
Mais do que uma lista de nomes, os registros expõem cálculo político detalhado: quem pode somar, quem divide voto e quem precisa ser preservado estrategicamente.
O Paraná, pelo desenho, é tratado como prioridade na engrenagem nacional do bolsonarismo em 2026.
