Força feminina na Câmara: quem são as vereadoras que entram para a História de Antonina ao formarem a maior bancada de mulheres
Elas são pouco menos de 30% do total de vereadores da Câmara Municipal de Antonina, mas representam um crescimento de 300% da quantidade de mulheres eleitas para ocupar uma cadeira no Poder Legislativo da cidade, em relação à legislatura anterior (2021-2024), quando só havia uma mulher e 10 homens. Agora, são 3 vereadoras e 8 vereadores. Uma delas foi a mulher mais votada da história de Antonina e a terceira mais votada, no geral, durante as últimas eleições, realizadas em outubro do ano passado.

Aos 57 anos e com uma história de vida que é exemplo de superação, Sandra Balthasar de Souza (PP) viveu uma infância pobre em Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba, onde, aos 5 anos de idade já cuidava de carros próximo ao mercado municipal, e ganhava alimentos para suprir as necessidades dela e dos irmãos.
“Depois disso, ainda criança, eu já trabalhava cuidando de idosos. Na adolescência, conheci o meu marido em uma festa e nunca mais nos largamos”, contou Sandra ao JB Litoral.
A parlamentar, que está em seu segundo mandato, foi vereadora de 2017 a 2020, pela primeira vez, e agora retornou à Câmara de Antonina, cidade que escolheu para viver há décadas.
“Depois que nos casamos, viemos morar em Antonina. Meu marido começou a trabalhar em uma empresa de ônibus e eu virei diarista. Limpei a casa de muita gente aqui em Antonina. Depois fiz concurso na Prefeitura e passei. Fui trabalhar como merendeira, isso já faz mais de 30 anos”, revelou a vereadora.
Sandra também vive rodeada de mulheres. É mãe de duas filhas (Tatiane e Gabrielle) e avó de três netas (Rebeca, Luíza e Ana Laura), a mais nova ainda vai completar um mês de vida, e a mais velha tem 15 anos.
“A gente sempre trabalhou duro e, hoje, graças a Deus, chegamos aonde estamos. Todas as privações, as dificuldades que já passei na vida fazem de mim o que sou hoje: com profundo respeito às nossas crianças da rede municipal, pelas quais sempre buscamos a melhor merenda”, pontuou a vereadora.
ESTREANTE, MAS COM MUITAS FACETAS
Já a professora de Educação Física Patrícia Takassaki (PL) encarou o desafio de entrar para a vida pública e iniciou o seu primeiro mandato em janeiro deste ano, aos 53 anos. De descendência japonesa, mas nascida em Antonina, a vereadora é casada há 19 anos. Mãe de três filhos (18, 16 e 10 anos), docente da rede municipal e empresária, Patrícia também conversou com o JB Litoral e contou como faz para conciliar as atividades legislativas com a vida privada.

“Acordo às 6h, cuido da organização das crianças para encaminhar para a escola. Depois vou para o Departamento de Esportes, onde atendo os projetos, sobretudo o de idosos, que tem caminhada e ginástica. Esse projeto foi iniciado por mim e uma outra professora, que não mora mais na cidade, e já vai fazer 12 anos”, disse.
No período da tarde, a versão vereadora entra em ação. “Daí é a hora de conversar com secretários, ir atrás das indicações que estão sendo feitas, de atender a população”. Ainda resta o lado empresarial. Mas, com a vida pública, Patrícia contou que precisou delegar parte das responsabilidades.
“O financeiro da academia eu até consigo fazer, mas a parte de gestão tem uma coordenação, e eu acho que isso foi bom, pois gerou mais trabalho. Eu tive que contratar mais professores, correr atrás de mais pessoas, de mais estagiários”, detalhou.
A parlamentar defendeu, ainda, que mesmo com o crescimento expressivo de representantes femininas na Câmara, cada um tem seu espaço.
“Cada um tem o seu lugar na sociedade, tem a sua importância na sociedade, na família, no trabalho. Então, tem que haver um respeito e um crescimento juntos”, concluiu.
DE ÓRFÃ, CRIADA PELA AVÓ, À DONA DE MOTEL
A terceira vereadora é Juçara Alves Xavier (PSD), a Sara, de 48 anos. A parlamentar também é casada e tem três filhos, de 31, 18 e 11 anos. Filha de pescadores, Sara nasceu em Antonina e foi criada pela avó, uma vez que a mãe morreu no parto. A mais nova de seis irmãos, destacou sua trajetória desde a adolescência, superando desafios.
“Minha avó passava por muita dificuldade, pois ela, pescadora, teve que criar seis netos, um sobrinho e mais o filho dela. Então, eu casei cedo e fui morar em Matinhos”, disse em conversa com o JB Litoral.

“Em Matinhos, fui zeladora por 10 anos. Lá conheci muita gente e foi onde surgiu a oportunidade de ter uma distribuidora de pescados em Curitiba. E fiquei lá por 7 anos, trabalhando nessa peixaria. Nesse meio-tempo, tivemos a oportunidade de ter um motel. Foi aí que eu vi que tudo era possível e percebi que podia fazer mais pela cidade, pelas pessoas”, detalhou.
Mesmo com os negócios concentrados em Curitiba, a vereadora se elegeu em Antonina e se divide entre o Litoral e a capital.
INSPIRAÇÃO – A mulher que dá conta de conciliar tudo isso também revelou que tem as suas inspirações: “Primeiramente minha avó, que me fez essa pessoa que sou hoje. E minha professora, que me deu aulas da 1ª à 4ª série [do ensino fundamental]. Ela sempre fez tudo que estava no alcance dela e mais um pouco. É um espetáculo de mulher, que tirava do salário dela para dar presentinho para todos nós, no final de ano”, concluiu.
TRE mantém cassações de Fabio Santos e Mari Leite; julgamentos são marcados por embates entre magistrados
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) manteve, nesta quarta-feira (3), as cassações dos vereadores de Paranaguá, Fabio Santos (PSDB)…
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) manteve, nesta quarta-feira (3), as cassações dos vereadores de Paranaguá, Fabio Santos (PSDB)…
