Irineu Cruz defende viagem ao Marajó e ressalta que vai devolver dinheiro “do próprio bolso”
O vereador Irineu Cruz (União Brasil) se pronunciou após uma série de críticas por ter faltado às sessões na Câmara de Vereadores de Paranaguá para uma viagem como pastor evangélico ao Pará. As reclamações se deram porque, mesmo sem participar dos trabalhos da Casa Legislativa, o político recebeu o salário integral.

Irineu Cruz recebeu, em março, de acordo com o portal da transparência, R$ 16.503,08 — o valor integral do seu salário — e também R$ 2.576 de vale-alimentação, que é concedido por lei desde 2017. Esses valores foram pagos apesar de o vereador não ter participado das sessões nos dias 10, 11, 17 e 18 daquele mês. Ou seja, houve ausência em duas semanas consecutivas de trabalhos.
Na sessão plenária da última terça-feira (22), o parlamentar destacou que realmente viajou, mas não para pregar, e sim para fazer pesquisa. “Eu trouxe dados que vão surpreender nossa sociedade. Situações que Paranaguá tem a média quase idêntica a de Marajó. Eu vou mostrar isso para vocês. Lógico que esse tipo de trabalho causa espanto e comichão nos ouvidos de alguns, mas eu digo que o RH não vai ser onerado, a presidência não vai ser onerada. Eu vou devolver esse dinheiro do meu bolso para provar que é Deus que sustenta tudo isso e não o dinheiro do povo”, disse o parlamentar.
Ainda durante o discurso, o político fez uma crítica a cobrança pela laicidade dos poderes. Isso porque, segundo a Constituição Federal, as instituições constituídas são de caráter plural e não devem beneficiar ou priorizar qualquer religião. Crítico a esse entendimento, o pastor e vereador encerrou seu discurso com uma frase de efeito. “Para finalizar, eu digo: o Estado é laico, mas eu sou terrivelmente cristão e continuarei sendo”.
Vídeos exibidos buscam justificar ausências
Antes de se pronunciar sobre as faltas nas sessões, Irineu Cruz exibiu dois vídeos que, na visão dele, justificariam as ausências nos trabalhos da Casa de Lei. O primeiro vídeo mostra um grupo de jovens que praticam boxe em um projeto social. Já a segunda gravação é de um encontro entre Irineu e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) para falar sobre a campanha “Maio Laranjo”, que é o mês de enfrentamento a violência sexual contra crianças e adolescentes.
De acordo com o político, as suas ações sociais são bancadas pela igreja e, mesmo sendo pastor, não recebe nenhum tipo de retorno financeiro. Com base em sua atuação voluntária, ele viajou para Marajó para entender a realidade local e, na sequência, fazer o enfrentamento dos problemas sociais de Paranaguá.
Entenda a polêmica
O vereador Irineu Cruz ficou 15 dias sem comparecer à Câmara de Vereadores em março e recebeu o salário integral durante o mês. A ausência se deu devido a uma viagem como pastor evangélico à Ilha de Marajó, no Pará, um dos locais mais criticados por supostas violações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Brasil.
As faltas para atividades de cunho pessoal e sem qualquer relação com a função de vereador gerou críticas nas redes sociais e ameaças de denúncias ao Ministério Público. Com críticas crescentes e tamanha repercussão, o parlamentar resolveu se manifestar em defesa da sua atuação como pastor, vereador e filantropo.
