Pastor diz que professores ensinam “o que não é correto” em Marcha para Jesus; sindicato repudia


Por Brayan Valêncio Publicado 30/07/2025 às 23h09

A APP-Sindicato divulgou nota de repúdio nesta quarta-feira (30) após a veiculação de um vídeo gravado durante a Marcha para Jesus, realizada na terça-feira (29), em Paranaguá. A manifestação religiosa passou em frente ao Colégio Estadual José Bonifácio, onde um pastor fez críticas a professores durante uma oração. Para o sindicato, o episódio representou uma “agressão moral” aos profissionais da educação e exige retratação pública dos organizadores.

A Marcha para Jesus 2025 passou em Colégio Estadual José Bonifácio e uma oração causou polêmica. Foto: Reprodução/ Redes Sociais

“Vai tocando os professores, pai. Aqueles que através do ensino têm disseminado o que não é correto. Aqueles que vêm distorcendo a mentalidade dos alunos e os pensamentos”, diz o pastor na gravação, que viralizou nas redes sociais.

A Marcha para Jesus é realizada anualmente no município e, neste ano, saiu do Aeroparque às 16h, com quatro paradas: Praça Portugal, Ministério Público, Hospital Regional e Câmara Municipal. A oração polêmica ocorreu na altura da Praça Portugal, logo no início do percurso.

Para a APP-Sindicato, o conteúdo representa um ataque direto à atuação dos professores e à escola pública laica. A entidade afirma que a fala é carregada de “preconceito e desvalorização” e defende que educadores merecem reconhecimento, não ataques. “A escola pública laica, de qualidade e democrática, bem como professoras(es) e funcionárias(es) merecem valorização e não ataques violentos que ferem, profundamente, o trabalho e a importância de cada profissional da educação”, afirma o texto assinado pela direção sindical.

O sindicato também pontua que a fala extrapola os limites da liberdade religiosa. “São profissionais que dedicam sua vida ao ensino, à formação de gerações de pessoas que constroem a riqueza e o desenvolvimento de nossa cidade”, diz o documento.

Até a publicação desta reportagem, os organizadores da Marcha para Jesus não haviam se pronunciado. A reportagem procurou Marcos Luz, presidente da Associação dos Ministros Evangélicos de Paranaguá (AMEP), para identificar o pastor responsável pela oração com críticas à escola, mas ele preferiu não comentar. O JB apurou que o pastor pertence à Igreja Casa de Oração.

Assista ao vídeo abaixo:


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.

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