Presidente da Associação dos Ministros Evangélicos de Paranaguá assume Secretaria Municipal de Ação Social


Por Redação JB Litoral Publicado 08/01/2019 às 12h24 Atualizado 15/02/2024 às 06h20

Dando sequência às mudanças do primeiro escalão do secretariado municipal, depois de concluída 50% de gestão, o Prefeito Marcelo Elias Roque (Podemos) nomeou, nesta segunda-feira, 07, o novo titular da Secretaria Municipal de Assistência Social, o Bispo Darci Borba, atual presidente da Associação dos Ministros Evangélicos de Paranaguá (AMEP). O cargo estava vago desde o dia 10 de outubro do ano passado, quando Levi de Andrade foi exonerado.

Nas eleições de 2016, o novo gestor da Ação Social ficou como primeiro suplente de vereador, pela Coligação Paranaguá Pede Mudanças, ao somar 964 votos (PSC). De acordo com o pastor, ele pretende dar prosseguimento à política social, de forma democrática e transparente.

O trabalho em favor da população será a nossa maior causa”, resume Darci Borba. “O ser humano é prioridade e tudo é possível quando nos dedicamos a resolver os problemas”, destaca o novo secretário.

Quem estava à frente da pasta, interinamente, era a servidora Gisele Cristina da Silva, sobrinha do Pastor Ozias Rodrigues dos Santos, da Igreja Assembleia de Deus. Ela faz parte da Igreja do Evangelho Quadrangular, localizada na Raia, onde o novo secretário é o pastor superintendente.

Segundo a prefeitura, o Secretário de Ação Social é natural de Morretes, casado e pai de dois filhos e, na juventude, se tornou um grande líder da Igreja do Evangelho Quadrangular em todo o Litoral. Em Paranaguá, desde 2009, assumiu a 1ª Igreja do Evangelho Quadrangular na Raia, e, em 2018, se tornou presidente da AMEP.

AMEP tem afinidade com a prefeitura

A entidade evangélica sempre teve uma aproximação com as gestões municipais, desde a época do Prefeito José Baka Filho (PDT) até os dias atuais. O único confronto ocorreu em julho de 2017, quando o então Presidente da Associação, Pastor Irineu José da Cruz Alves, da Igreja Chama do Avivamento, usou o plenário da Câmara Municipal para dizer que era contra a organização da 12ª Marcha Para Cristo pela prefeitura municipal naquele ano.

Ele ressaltou que a contratação do cantor gospel André Valadão, para o dia da Marcha, não teve aprovação da Diretoria para estar vinculado ao evento. Disse, ainda, que a Associação dos Ministros Evangélicos não participaria do show e não dividiria espaço com ele no dia da Marcha para Jesus.

Segundo o referido pastor, a decisão ocorreu devido à falta de transparência dos contratantes e de alguns fiscais da Câmara Municipal, por se negarem a informar à população o tipo de parceria adotada entre o Poder Executivo e a iniciativa privada.

Polêmica na Câmara

Após criticar duramente a interferência da prefeitura no evento, a ponto de dizer que “as decisões, por parte do Executivo em relação à Marcha para Jesus de 2017, foram tomadas à revelia da AMEP”, na semana seguinte, o pastor posou para foto com o Prefeito Marcelo Roque e o Vice-prefeito Arnaldo de Sá Maranhão Junior (Podemos), ao lado do Secretário da Associação, Apóstolo Emerson Casburgo e do Pastor Carlão, da Ceia.

Dois dias após o registro, o Vereador Jozias de Oliveira Ramos (PDT) apresentou na sessão plenária um requerimento pedindo informação sobre o repasse de recursos à AMEP, para a realização do tradicional evento. No requerimento, o vereador queria saber se foram repassadas verbas no período de 2013 a 2016 e, se isto aconteceu, qual o montante. Entretanto, em uma manobra legislativa, a requisição não entrou na ordem do dia e só foi discutida e votada no retorno do recesso de julho, no dia 1º de agosto de 2017.

Ex-presidente faturou quase um milhão

Na época, o JB Litoral fez um levantamento no Portal da Transparência da prefeitura, usando o CNPJ da entidade evangélica, e não encontrou nenhum valor entre os pagamentos realizados ao longo do período que constava no pedido de informação de Jozias.

Porém, ao pesquisar pelos ex-presidentes da entidade, apareceram recursos em nome do Pastor Carlos Roberto dos Santos, da Comunidade Ceia, o qual presidiu a Associação no final da gestão do Prefeito José Baka Filho (PDT), em 2012.

O estudo mostrou que o Pastor Carlão, como é mais conhecido, recebeu um total R$ 130.901,90 no ano de 2012 e, durante os quatro anos seguintes, na gestão do Prefeito Edison de Oliveira Kersten (PMDB), ele obteve um valor de R$ 798.774,72, por meio de sua empresa, a Tipografia Santos. No total, Carlão recebeu R$ 929.676,62, de 2012 a 2016.

Neste caso divulgado pela reportagem, ele esclareceu que se tratou de serviços de impressos e tipografia, por meio de sua empresa, os quais forneceu às gestões anteriores, pelos pregões e licitações, como qualquer prestador de serviço. Afirmou ainda que, naquele ano (2017), não havia prestado serviços à gestão de Marcelo Roque, mas não via nenhum problema em fazê-lo.

Darci Borba com o prefeito Marcelo Roque.
Pastor Irineu amenizando polêmica com Marcelo Roque em 2017


Sobre

Trabalhamos constantemente para apresentar a notícia que você precisa saber.