Saída de Péke Bocudo da base aliada e aprovação de PL polêmico na Câmara aquecem debate político em Paranaguá
Vereador se declarou independente após ter Projeto de Lei vetado pelo prefeito e, duas semanas depois, ter outro PL com o mesmo objetivo apresentado pelo Executivo
A 28ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Paranaguá, no começo da noite desta terça-feira (19), foi marcada por um embate e declarações, antes, durante e após a votação do Projeto de Lei (PL) nº 6.826/2026, de autoria do Poder Executivo. A proposta permite que empresas explorem a publicidade em pontos de ônibus em troca de manutenção e melhorias das estruturas, sem ônus ao Município.
Ainda de acordo com o texto, aprovado por unanimidade, a concessão se dará por meio de processo licitatório formal, sem detalhar se a modalidade seria a de concorrência. No entanto, mesmo que a proposta tenha sido elogiada pelos parlamentares, o que chamou a atenção foi a polêmica que a envolve desde a semana passada.
No final de abril, o vereador Marcelo Correia da Costa, o Péke Bocudo (Republicanos), apresentou o PL nº 6.792/2026, que autorizava empresas privadas, organizações sociais e associações a adotarem pontos de ônibus mediante termo de permissão com o Poder Público. Em contrapartida, os adotantes poderiam explorar publicidade nos espaços.
A proposta, conforme noticiou o JB Litoral, previa um chamamento público, para a posterior assinatura do termo. O texto de Péke também foi aprovado por todos os parlamentares e seguiu para a sanção do prefeito Adriano Ramos (Republicanos), o que não aconteceu. Em vez disso, Ramos enviou o veto ao Palácio Carijó e apresentou, duas semanas após a aprovação do “Adote um Ponto de Ônibus” de Péke, a proposta com o mesmo objetivo.

SAÍDA DA BASE E DESISTÊNCIA DE CADEIRA NA ALEP
Declaradamente incomodado com a situação, Péke Bocudo, que foi o vereador mais votado nas eleições de 2024, fez uso da palavra anunciando a desistência ao pleito deste ano, em que concorreria a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
“Eu sou debutante na política, mas venho aprendendo muito com as pessoas e estava cotado para uma pré-candidatura a deputado estadual. Mas, fato é que o grupo do prefeito tem a sua pré-candidata que é a vice-prefeita… Eu me empolguei com as pesquisas internas, com a possibilidade, mas decidi retirar a minha pré-candidatura e continuar trabalhando forte como vereador, honrar o voto de quem me escolheu”, disse o parlamentar.
“Vou torcer muito para que a nossa vice-prefeita Fabiana Parro (Podemos) tenha sucesso, que represente a nossa cidade na Assembleia Legislativa”, completou Péke para, em seguida, anunciar que não apenas desistia da Alep, como também da base governista da maior cidade do Litoral.
“Todos sabem que eu sempre defendi a atual gestão, que sempre fui da base. Porém, todos também acompanharam o ocorrido nos últimos dias e quero anunciar que, a partir de hoje, eu não faço mais parte da base do prefeito. Não sou oposição, agora sou um vereador independente. Não sou desleal e vou continuar fazendo o que sempre fiz ao longo dos últimos 7 anos: trabalhar em prol da população“, declarou Péke.
PREFEITURA NEGA “PLÁGIO”
Apesar de ter sido apresentado poucos dias após a proposta do, agora, ex-aliado, a Prefeitura negou que o texto tenha sido inspirado no texto de Péke, alegando, por meio de mensagem assinada pelo prefeito Adriano Ramos, e lida em plenário pelo líder do governo na Casa Legislativa, vereador Welington dos Santos Frandji (Podemos), que o projeto amplia, atualiza e revoga a lei já existente há 11 anos, de nº 3.492/2015.

“O processo teve início em maio de 2025 e, desde então, percorreu vários setores técnicos da Prefeitura, envolvendo a parte de licitação, Secretaria do Governo, Procuradoria-Geral do Município e demais áreas demandantes, recebendo apontamentos, correções e aprimoramentos necessários. Esse histórico mostra seriedade administrativa e um percurso de responsabilidade, com revisões, ajustes e aperfeiçoamentos necessários, principalmente contendo elementos suficientes, especialmente estimativa de valor de contratação, parâmetros de preço e base econômico-financeira”, afirmou Frandji.
PONTOS CONTEMPLADOS E OS QUE FICAM DE FORA
Já no momento de justificar os votos, o vereador Francisco Carlos Busmaier (União Brasil), conhecido como Chiquinho, levantou a dúvida sobre os pontos de ônibus que ficam nas áreas de concessão da EPR Litoral Pioneiro.
“Referente aos pontos das colônias e das rodovias, que não têm ponto, inclusive na BR-277, na Ayrton Senna, na PR-407 e na 508, como vai ficar? A EPR vai autorizar essas publicidades?”, indagou.
A resposta foi dada pelo vereador Irineu Cruz (União), que, pela primeira vez na sessão falou sobre valores.

“Pelo que eu vi do projeto de lei, essa empresa absorverá 200 pontos de ônibus. Ainda vai ter ponto de ônibus dentro da cidade que ficará sob responsabilidade do Município e os da EPR não estão inclusos nesse projeto de lei. O investimento, a priori, seria de R$ 35 milhões de reais até o final do contrato, o que daria em torno de R$ 2,5 milhões ao ano para a empresa que ganhar essa licitação”, disse Irineu, sem explicar se esses valores seriam fruto da exploração publicitária ou se haveria algum tipo de recurso público no contrato.
TRE mantém cassações de Fabio Santos e Mari Leite; julgamentos são marcados por embates entre magistrados
O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) manteve, nesta quarta-feira (3), as cassações dos vereadores de Paranaguá, Fabio Santos (PSDB)…
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