Vereador cobra fiscalização sobre empresas portuárias e diz que órgãos ambientais “se calam diante dos gigantes”
O vazamento de óleo de xisto registrado na região portuária de Paranaguá na última sexta-feira (10) repercutiu na Câmara Municipal. Durante a 43ª Sessão Ordinária, realizada na segunda-feira (13), o vereador Luiz de Sá Maranhão Neto (PL), o Luizinho Maranhão, cobrou uma fiscalização mais rigorosa sobre as empresas instaladas na área portuária e criticou a atuação dos órgãos ambientais, afirmando que eles “se calam diante dos gigantes”.

Segundo o parlamentar, não é a primeira vez que ocorrências envolvendo empresas do setor geram preocupação entre os moradores. Ele relembrou episódios anteriores e afirmou que a população ainda aguarda respostas sobre incidentes passados.
“Mais uma vez ocorre uma situação de vazamentos. Já tivemos outras situações com empresas ligadas ao setor e até hoje não temos uma resposta do que aconteceu”, declarou.
Críticas aos órgãos ambientais
Durante o pronunciamento, Luizinho Maranhão afirmou que, antes de convocar representantes da empresa apontada como responsável pelo vazamento, é necessário ouvir os órgãos encarregados da fiscalização ambiental.
“O mais importante é chamar os órgãos ambientais, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para que possamos saber o que de fato aconteceu. Só depois devemos chamar as empresas”, afirmou.
Na sequência, o vereador fez duras críticas à atuação dos órgãos fiscalizadores. “Os órgãos ambientais são rigorosíssimos com os pequenos. Quando alguém corta uma árvore ou causa um pequeno transtorno, eles são valentes. Mas, diante dos gigantes, parece que se calam”, disse.
O parlamentar também questionou a nota divulgada pela empresa após a ocorrência e afirmou que é preciso esclarecer se houve tentativa de minimizar a gravidade do episódio. “Precisamos saber exatamente se estão querendo passar panos quentes e impedir que mais uma possível tragédia caia no esquecimento”, reforçou.
Confira o pronunciamento do vereador:
Vazamento mobilizou equipes
O caso teve início após moradores da região da Serraria do Rocha relatarem um forte odor de combustível em diversos pontos da região portuária. O Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil e o Instituto Água e Terra identificaram a presença de óleo de xisto nas galerias de águas pluviais e iniciaram o monitoramento da área.
Ao JB Litoral, a tenente do Corpo de Bombeiros na região, Luana Pessanha, informou que as equipes utilizaram detectores multigases para verificar a possibilidade de explosão e incêndio.
Segundo ela, nenhuma das medições apontou risco para a população. “Foi constatado imediatamente que não havia nenhum risco de explosão e nem risco de incêndio. Por isso, também não foi necessário fazer o isolamento da área”, explicou a tenente.
Desde sexta-feira, os bombeiros realizam aferições periódicas. Inicialmente, o monitoramento ocorreu de hora em hora e, posteriormente, passou a ser feito uma vez por período.
Dos seis pontos inicialmente identificados, cinco já foram descartados. Atualmente, três locais seguem sendo acompanhados até a conclusão da limpeza das galerias.
Investigação segue em andamento
Em nota, o Instituto Água e Terra informou que acompanha a ocorrência e instaurou uma investigação para avaliar a dimensão da contaminação provocada pelo vazamento de um tanque dosador de óleo de xisto.
O órgão informou que a empresa responsável foi notificada e está colaborando com o processo. “Após a conclusão da investigação, os responsáveis poderão responder conforme a legislação ambiental vigente”.
O que diz a Cattalini
A Cattalini Terminais Marítimos informou que identificou, na manhã de sexta-feira (10), um vazamento de pequena proporção de um insumo destinado ao Centro de Tancagem 2.
Segundo a empresa, as equipes de emergência foram acionadas imediatamente para conter o vazamento e realizar o recolhimento do material em conjunto com uma empresa especializada. A companhia afirmou ainda que o produto não atingiu o mar, não oferece risco de explosão por não ser inflamável e que as causas da ocorrência continuam sendo apuradas internamente.
