Com arrendamento da PAR14, operadores que utilizam Silo Público no Porto de Paranaguá terão que buscar outras alternativas
O contrato de arrendamento da área chamada PAR14, no Porto de Paranaguá, foi assinado no último dia 18 pelo governador Ratinho Junior (PSD), que veio ao Litoral. A vencedora do leilão foi a empresa BTG Pactual Commodities Sertrading, por meio do certame realizado em abril na Bolsa de Valores do Brasil (B3). O investimento previsto é de R$ 1,2 bilhão na área de 82,4 mil m².
A Portos do Paraná anunciou a formalização do arrendamento um dia após a visita do governador à empresa pública. O PAR14 é formado por espaços que estão em operação, como o terminal de granéis e o Silo Público, além de uma área greenfield (que pode receber edificações).

Com o processo concluído, os operadores portuários que utilizam o Silo Público no Porto de Paranaguá terão que buscar outras alternativas. Em nota ao JB Litoral, o conselho da Aocep (Associação dos Operadores Portuários do Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá), explicou que todas as manifestações e contribuições pela Associação foram realizadas dentro do processo de licitação da área.
“Os órgãos reguladores entenderam que o processo cumpriu todas as formalidades. Os operadores portuários que atuam no Silo Público terão que buscar outro segmento (carga/operações) portuário ou outro ramo de atividade”, informou a Aocep.
Atualmente, utilizam o Silo Público no Porto de Paranaguá os operadores: Céu Azul, Grano, Gransol, Marcon, Sulmare, Toex, Tibagi e Trans Gulf, segundo a Aocep. Eles poderão utilizar o local até o dia 31 de dezembro deste ano.

Esclarecimentos na Câmara
O diretor executivo da Aocep, Sandro Heck, esteve na Câmara de Vereadores de Paranaguá para falar sobre os impactos do arrendamento para a atuação dos operadores, em fevereiro deste ano.
Na ocasião, ele expôs que o Silo Público é um patrimônio histórico, construído na década de 1970, com a prerrogativa de atender os exportadores na época que não possuíam estrutura portuária, os chamados armazéns.
“Esse terminal tem uma característica específica de defender de forma democrática os pequenos, médios e grandes exportadores para que possam competir com grandes corporações. A essência dele é atender a todos de maneira uniforme. Não é um terminal ineficiente, é o mais representativo do corredor de exportação”, disse Sandro durante a sessão na Câmara.

Investimentos previstos em contrato
O contrato, de acordo com a Portos do Paraná, prevê melhorias na área de 82,4 mil m², que totalizam R$ 529 milhões. Outro compromisso é o aporte de R$ 477 milhões para a construção da primeira fase do Píer em “T”. Além do repasse de R$ 225 milhões referentes à outorga do leilão.
“O valor será aplicado em diversos projetos de melhoria de infraestrutura do próprio porto. O BTG já pagou a primeira parcela, no valor de R$ 33,7 milhões”, divulgou a Portos do Paraná.
O governador do Paraná, Ratinho Junior, afirmou que a oficialização do arrendamento é estratégica para o Porto de Paranaguá. “É um investimento bilionário que vai ampliar a capacidade de exportação com mais quatro berços, garantindo que o Porto de Paranaguá continue sendo o mais eficiente do Brasil”, disse Ratinho.
Para o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, os valores que englobam o contrato e a outorga deve aquecer a economia do Litoral. “Principalmente na geração de emprego e renda que, consequentemente, movimenta o comércio e outros setores”, complementou Garcia.
A previsão é de que o arrendamento gere mais de 1,6 mil empregos diretos e outros 3,4 mil indiretos, com preferência de contratação de moradores da região litorânea do Estado.
“No fundo, é isso que faz a sociedade evoluir. É a crença no potencial do Brasil que promove investimentos como o nosso aqui em Paranaguá, que se transformam em emprego e dignidade para quem de fato faz o País evoluir”, declarou o chairman e sênior partner do BTG, André Esteves.
A Portos do Paraná informou que a arrendatária deverá fazer melhorias no sistema de recepção rodoviário para atender à demanda projetada para o terminal, incluindo a instalação de novas balanças e novos tombadores, além da conexão com o Moegão, obra de mais de R$ 650 milhões que irá conectar 11 terminais e ampliar a capacidade ferroviária.
Píer em T
Durante a comemoração de aniversário de 90 anos do Porto de Paranaguá, em março deste ano, o governador do Paraná anunciou o investimento de R$ 1 bilhão na obra do Píer em “T”.
Dividido em duas fases, a primeira etapa prevê a construção da ponte entre o cais e os dois novos berços de atracação (sentido oeste), com um aporte de R$ 1,2 bilhão provenientes dos arrendamentos dos PARs 14, 15 e 25. As informações são da Portos do Paraná.
A segunda fase contempla R$ 1 bilhão em investimentos do Governo do Estado para a construção de mais dois berços (sentido leste), completando o formato em “T”.
“Cada berço terá capacidade para movimentar até 8 mil toneladas por hora, hoje, a média é de 3 mil toneladas por hora. Com a capacidade de receber navios maiores, a nova estrutura do Corredor de Exportação Leste (Corex) movimentará 32 mil toneladas por hora”, informou a empresa pública.
De acordo com o contrato, disponibilizado no site da Antaq, o píer em T é uma estrutura aquaviária a ser implantada para atracação das embarcações que realizam operações junto ao Corredor de Exportação Leste do Porto de Paranaguá.
A primeira etapa de implantação prevê a realização do conjunto de novas estruturas civis e eletromecânicas correspondentes à ponte de acesso com ligação ao cais existente, plataforma central e píer de atracação composto por dois berços no sentido oeste. A segunda etapa corresponde à realização das obras das estruturas civis e eletromecânicas no sentido leste.
*A empresa BTG Pactual Commodities Sertrading foi procurada pelo JB Litoral, mas não retornou até o fechamento desta edição.
