Com primeira visita de ministro ao porto, governador enaltece capital humano, de investidores a colaboradores, em Paranaguá


Por Flávia Barros Publicado 10/12/2024 às 13h34

Após cancelar a agenda no mesmo dia em que a visita aconteceria, em 25 de novembro, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, esteve no porto de Paranaguá, na última sexta-feira (6). Na ocasião, o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) anunciou o envio do processo de concessão do Canal de Acesso Aquaviário do porto ao Tribunal de Contas da União (TCU), que será responsável pela análise antes da elaboração do edital, a qual será feita pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Com isso, o Paraná se torna o primeiro estado a implantar um modelo de concessão deste tipo na América Latina, em que o formato deverá ser seguido por outros portos do País, a exemplo do que aconteceu com o novo modelo de concessão de rodovias.

Governador Ratinho Junior recebeu o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, no porto de Paranaguá. Foto: Jonathan Campos/AEN
Governador Ratinho Junior recebeu o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, no porto de Paranaguá. Foto: Jonathan Campos/AEN

No primeiro semestre do ano que vem estaremos na Bolsa de Valores, fazendo essa grande transformação, um sonho do porto de Paranaguá, com 15,5 metros de profundidade, dando a oportunidade de trazermos navios ainda maiores e garantindo mais eficiência no porto”, pontuou o governador, ao falar da ampliação da profundidade do canal, umas das melhorias previstas com a concessão.

RECONHECIMENTO

Ao enaltecer os números alcançados pela economia do estado e os recordes dos portos paranaenses, Ratinho Junior também atribuiu as conquistas ao capital humano, como a confiança de investidores no porto de Paranaguá, a exemplo da implantação de novas esteiras transportadoras nos berços 211, 209 e 208, com investimento de R$ 800 milhões da iniciativa privada, das empresas Rocha e Fertipar, cujo presidente e fundador, Alceu Feldmann, compareceu ao evento.

O porto de Paranaguá faz essa grande diferença no mundo porque nós tivemos homens de visão lá atrás, há 30, 40, 50 anos atrás. De acreditar no povo de Paranaguá e fazer os investimentos como o senhor Alceu fez agora, junto com a Rocha. Essa obra feita pela Fertipar e pela Rocha, com uma capacidade estática de fertilizantes de três navios Panamax. É a maior capacidade estática de fertilizantes da América Latina. Então, é um privilégio para nós termos investidores como os senhores e os nossos colaboradores, trabalhadores que, obviamente, são quem tocam o dia a dia e faz desse porto ser essa grande referência”, disse.

As novas estruturas de correias terminaram de ser instaladas recentemente no cais comercial, que é público.

ALINHADO AO GOVERNO FEDERAL

Já o ministro de Portos e Aeroportos destacou a importância do trabalho conjunto entre os governos federal e estadual.

O Brasil nunca precisou tanto de convergências como nós estamos precisando nesse momento. A sociedade está cansada de briga, as pessoas querem construção. E é isso que nós estamos fazendo nesse momento, com a construção coletiva entre o governo do estado do Paraná e o governo federal, em defesa desse porto que, sem dúvida alguma, hoje é o melhor porto público do Brasil”, afirmou Costa Filho.

O representante da União também chamou a atenção para o caráter pioneiro da concessão do Canal da Galheta.

Será a primeira concessão de canal da história do Brasil e, a partir daí, vamos fazer a concessão do canal do porto de Santos (SP), do canal de Itajaí (SC). Isso mostra, mais uma vez, o pioneirismo do estado do Paraná, a importância de aumentar o calado, de 11 para mais de 15 metros, independente do governador, independente do presidente. O setor produtivo aqui do porto terá previsibilidade para os próximos 20 anos”, ressaltou o ministro.

A concessão do canal de acesso aos Portos de Paranaguá e Antonina foi tema principal da agenda do ministro de Portos e Aeroportos a Paranaguá. Foto: José Fernando Oura/AEN
A concessão do canal de acesso aos Portos de Paranaguá e Antonina foi tema principal da agenda do ministro de Portos e Aeroportos a Paranaguá. Foto: José Fernando Oura/AEN

O QUE CONTEMPLA

De acordo com as informações divulgadas pelo governo, a concessão abrangerá a ampliação, manutenção e exploração do canal de acesso aquaviário pelo prazo de 25 anos, com possibilidade de prorrogação até 70 anos. Entre as principais melhorias previstas no projeto estão aprofundamento, ampliação e alargamento do canal.

Com isso, a previsão é passar para 12,8 metros de profundidade ainda na fase de implantação e a 15,5 metros após a concessão, o que viabiliza a atracação de navios de maior porte. O futuro concessionário executará todos os investimentos necessários para atingir a meta estabelecida, incluindo serviços de dragagem, derrocagem, sinalização náutica, batimetria, programas e monitoramentos ambientais, dentre outros. O investimento previsto é de R$ 1,07 bilhão.

O porto de Santos e os portos catarinenses têm, em média, 14,5 metros de profundidade, então a Portos do Paraná se prepara para receber as maiores embarcações que navegam pela costa brasileira. Além do aprofundamento do canal nos próximos quatro anos, este investimento de mais de R$ 1 bilhão vai garantir a manutenção permanente dele pelos próximos 25 anos”, declarou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia. 

A FUNÇÃO DE CADA UM

O governo federal, como poder concedente, será responsável pelo leilão e a assinatura do contrato, enquanto a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) ficará com a função de fiscalização. Já a Portos do Paraná terá que estabelecer diretrizes e orientará as concessionárias, fazendo a gestão estratégica portuária. Não haverá alteração na forma da cobrança dos Armadores, que é feita por meio da Tarifa Inframar, com a transferência para a iniciativa privada.

Situado ao sul da Ilha do Mel, o Canal da Galheta é o principal acesso aquaviário ao porto e terminais da baía de Paranaguá desde a década de 1970, quando a demanda de navios de maior porte exigiu a dragagem do banco da Galheta e consequente criação do canal.

O escopo da concessão abrangerá as funções de administração portuária, no que tange à gestão das infraestruturas de acesso aquaviário, buscando-se a ampliação, manutenção e exploração do canal de acesso aos Portos de Paranaguá e Antonina por meio da concessão.

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