“Se ampliarmos nossa capacidade de operação, novas empresas poderão se estabelecer na região”, diz Luiz Fernando


Por Brayan Valêncio Publicado 17/03/2025 às 14h26

O Porto de Paranaguá é um dos maiores e mais estratégicos do Brasil, destacando-se pela sua infraestrutura moderna, localização privilegiada e alta eficiência operacional.

Considerado um dos principais corredores de exportação do agronegócio brasileiro e movimentando grandes volumes de grãos, como soja e milho, além de fertilizantes, cargas conteinerizadas e veículos, o Porto de Paranaguá tem quebrado recordes ano após ano.

Luiz Fernando Porto – Foto Gabriel Rosa AEN
Em entrevista ao JB Litoral, Luiz Fernando afirma que a Portos do Paraná destinou R$ 28 milhões para a manutenção das vias públicas de Paranaguá. (Foto Gabriel Rosa/AEN).

E quem está no comando há seis anos dessa empresa que movimenta a economia paranaense é Luiz Fernando Garcia, que atua como diretor-presidente da Portos do Paraná.

Em entrevista exclusiva ao JB Litoral, Luiz Fernando faz um panorama do passado e presente, destacando as festividades de 90 anos da instituição, além de voltar os olhos para a próxima década, quando a Portos deve chegar ao centenário.

Confira a entrevista:

JB Litoral: 90 anos é uma data muito simbólica e há a expectativa de que a Portos do Paraná presenteie a população. O que tem sido feito para garantir melhorias para a comunidade?

Luiz Fernando: O Porto é parte essencial da cidade. Desde que o governador Ratinho Junior (PSD) assumiu, determinou que houvesse uma integração do Porto com a cidade. E assim temos feito. Buscando formas e meios de ampliar essa proximidade. Não dá para dissociar o Porto e a cidade, pois um não existe sem o outro. Isso fica claro quando observamos estatísticas que apontam que um em cada cinco trabalhadores parnanguaras atua em alguma atividade ligada ao setor, direta ou indiretamente.

Nos últimos anos, realizamos uma série de ações para aproximar a comunidade e fazer com que os cidadãos se sintam parte dessa estrutura. Um exemplo são as diversas campanhas sociais em prol de instituições que atendem famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade, como o Natal Solidário, que em 2024 beneficiou 1.200 crianças.

Também atuamos junto às comunidades das ilhas, oferecendo treinamentos, cursos de empreendedorismo e idiomas. Preparamos o Porto para receber navios de cruzeiro, trazendo turistas que movimentam o comércio local. Mais recentemente, dentro do que a legislação nos permite, destinamos R$ 10 milhões para a recuperação de ruas da cidade. Em breve, teremos a conclusão do Moegão, a maior obra portuária em desenvolvimento no país, que reduzirá o número de travessias de trens na cidade, diminuindo transtornos e aumentando a segurança no trânsito.

JB Litoral: Ano após ano, o Porto bate recordes e gera receita. Como esse aumento impacta o dia a dia da população do Litoral?

Luiz Fernando: Sempre há uma confusão sobre o Porto gerar lucro com as mercadorias movimentadas. Na verdade, o Porto é um equipamento logístico, não um centro de comércio. Nossa fonte de renda são as tarifas portuárias, e, de acordo com a legislação, os valores arrecadados são usados para a manutenção do complexo, que engloba a dragagem do canal marítimo e do cais. Também para a manutenção das vias de acesso, despesas com a segurança, projetos ambientais, sistemas de tecnologia, mão de obra, entre outras.

Premio Porto do Paraná
Sob a administração de Luiz Fernando Garcia, Portos do Paraná é reconhecido como a melhor gestão portuária do Brasil pelo quinto ano consecutivo. (Foto: divulgação).

Hoje temos 67% das receitas vindas das tarifas e 33% dos arrendamentos, que pagam valores fixos (pela área) e variáveis (pela movimentação que fazem).

Eventualmente, podemos ir além e realizar investimentos externos, seguindo os ritos legais, como a manutenção de ruas. Estamos disponibilizando, este ano, R$ 28,4 milhões para a recuperação de vias públicas de Paranaguá e de Antonina.

Além disso, desenvolvemos ações sociais, educacionais e ambientais. As inscrições da Corrida do Porto, por exemplo, foram revertidas em mais de 20 toneladas de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade, e o valor arrecadado com um lote extra de inscrições foi destinado aos desabrigados da enchente no Rio Grande do Sul. O projeto Porto Escola, que completará 10 anos em 2025, já atendeu 1.500 crianças, ensinando sobre a preservação ambiental. Temos também o Natal Solidário, que, em 2024, beneficiou 1.200 crianças, além de iniciativas de incentivo ao empreendedorismo e desenvolvimento socioeconômico nas ilhas.

O Porto tem um compromisso muito forte com a comunidade. Gostaríamos de fazer ainda mais, mas, como mencionei, há impedimentos legais que limitam nossa atuação.

JB Litoral: Paranaguá é uma cidade cuja estrutura gira em torno do Porto. Com o crescimento da atividade portuária, o município também deve se desenvolver ainda mais? Como isso ocorrerá?

Luiz Fernando: Com certeza! Hoje, segundo estatísticas, um em cada cinco trabalhadores formais de Paranaguá atua direta ou indiretamente na atividade portuária. O Porto e todo o sistema que ele alimenta são uma gigantesca fonte de renda para a cidade e seus moradores. Se ampliarmos ainda mais nossa capacidade de operação – e estamos trabalhando para isso –, as empresas já instaladas terão oportunidades de expansão, e novas empresas poderão se estabelecer na região.

Uma das formas de aumentar essa capacidade é a construção de dois novos píeres de atracação. Além disso, a concessão do canal de acesso, prevista para ser concluída até o final do ano, permitirá o aprofundamento da área de navegação, viabilizando a entrada de navios maiores e mais pesados. Também teremos o Moegão, que possibilitará a chegada de um volume maior de cargas por ferrovia.

Tudo isso gera uma reação em cadeia. Mais empresas significam mais oportunidades. Com a necessidade de mais investimentos em diversos serviços, os microempreendedores locais terão espaço para crescer, e a arrecadação municipal aumentará. Isso se traduz em mais investimentos públicos em infraestrutura, educação, saúde e outros setores essenciais.

JB Litoral: Há grande expectativa para a nova Ferroeste. Como o Porto enxerga essa obra e qual será seu impacto nas atividades portuárias?

Luiz Fernando: A nova Ferroeste será uma revolução no transporte de cargas no Paraná, aliada às melhorias rodoviárias promovidas pelo Governo Estadual por meio das concessões das rodovias. Sabemos que a ferrovia terá um impacto direto em nossas operações, tanto que já estamos nos antecipando com a construção do Moegão, a maior obra portuária em desenvolvimento no Brasil. Estamos nos preparando para esse grande momento.

JB Litoral: O Moegão também é um sonho antigo. Como a Portos do Paraná enxerga essa reorganização logística? O aumento da capacidade do Porto de Paranaguá suprirá a demanda crescente?

Luiz Fernando: Mais que um sonho, o Moegão é um projeto para o futuro! Além disso, é uma necessidade urgente. De imediato, a obra trará mais segurança, reduzindo em 11 o número de cruzamentos ferroviários na cidade. Também tornará o descarregamento de vagões muito mais eficiente. Hoje, conseguimos descarregar 550 vagões por dia. Com o Moegão, esse número subirá para 900.

JB Litoral: A cada dois meses, o Porto de Paranaguá quebra algum recorde. O que tem levado a esses bons resultados? Podemos afirmar que 2025 será mais um ano de recordes em importações e exportações?

Luiz Fernando: Se estamos alcançando tantos resultados positivos, precisamos ressaltar que isso acontece porque a comunidade portuária acredita, investe e traz suas cargas para serem enviadas pelo Porto de Paranaguá.

E tenho certeza de que, se depender da nossa equipe técnica e da valorosa dedicação dos Trabalhadores Portuários Autônomos (TPAs), com certeza vamos bater novo recorde este ano. No entanto, também dependemos de uma série de fatores externos, como o comportamento do mercado e até mesmo do clima. Mas as expectativas são muito positivas, e devemos superar nossos próprios recordes novamente em 2025.

Investimos fortemente em inteligência logística, o que tem garantido conquistas que antes pareciam distantes. A movimentação registrada em 2024, por exemplo, era algo projetado para ser alcançado apenas após 2030.

JB Litoral: Com tantas mudanças acontecendo, como podemos imaginar a Portos do Paraná daqui a 10 anos, quando a empresa pública completar 100 anos?

Luiz Fernando: O projeto que estamos desenvolvendo busca resultados tanto no presente quanto no futuro. Eu vejo a Portos do Paraná consolidada como uma referência internacional em logística marítima e uma das principais portas de comércio entre o Brasil e o mundo.

JB Litoral: Há discussões iniciais sobre a construção de uma nova rodovia ligando a capital à região do Porto. Como o senhor vê essa necessidade? Acredita que essa é a melhor alternativa ou há outras propostas prioritárias?

Luiz Fernando: Ter um acesso rodoviário alternativo é fundamental para o Paraná. Os estudos e projetos estão sendo conduzidos com seriedade pelo Governo Estadual.

JB Litoral: Em termos de competitividade, é possível se aproximar do Porto de Santos? Qual a expectativa de crescimento do Porto de Paranaguá e em quais segmentos?

Luiz Fernando: Não há como fazer uma comparação direta com o Porto de Santos, que tem um cais quatro vezes maior que o nosso. No entanto, já superamos o porto paulista em alguns aspectos. Paranaguá é o maior corredor de exportação de proteína animal congelada do Brasil. Também somos a maior porta de entrada de fertilizantes do país, recebendo um quarto de tudo que o setor agrícola utiliza. Estamos entre os maiores portos graneleiros do mundo.

Dificilmente superaremos Santos em volume total de movimentação, mas seguiremos firmes como o segundo maior porto do Brasil e um dos mais importantes da América Latina.

JB Litoral: Alguma mensagem que queira deixar para a comunidade do Litoral neste aniversário de 90 anos do Porto?

Luiz Fernando: Quero expressar minha imensa gratidão a todos que fazem parte dessa história tão rica. Nossa gestão tem o privilégio de contribuir para este momento marcante e integrar um capítulo dessa grandiosa trajetória. Meu agradecimento especial a cada profissional que atua no cais, na administração e nos diversos setores deste complexo, assim como os transportadores e empresários que confiam no nosso trabalho. Chegamos a esse importante marco graças a inúmeras pessoas que passaram por aqui e deixaram sua marca, além de tantas outras que, dia após dia, seguem construindo esse legado. O Porto de Paranaguá é, e continuará sendo, um equipamento logístico moderno, eficiente e essencial para o Brasil e para o mundo.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.

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