Simpósio reúne mais de mil pessoas para discutir perspectivas do setor de fertilizantes e projeções para a próxima safra


Por Gabriela Perecin Publicado 03/11/2025 às 04h43

Na quinta-feira (30), o JB Litoral subiu a Serra e acompanhou, em Curitiba, a 19ª edição do Simpósio Sindiadubos NPK 2025. De acordo com a organização do evento, um público superior a mil pessoas acompanhou as discussões sobre as perspectivas do setor, economia internacional e projeções para a safra 2025/2026. O simpósio reuniu players da cadeia produtiva, desde produtores de fertilizantes no Brasil e no exterior até consumidores finais.

Dados do Sindiadubos (Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná) revelam que, de janeiro a agosto de 2025, foi estimado um aumento de 10% na entrada de fertilizantes no Brasil, em comparação com o mesmo período de 2024. O crescimento da movimentação e as novidades que devem impactar o segmento no próximo ano nortearam as discussões entre os principais representantes do mercado.

“Todo o setor de fertilizante está aqui hoje, toda a cadeia está representada aqui”, ressaltou o diretor-presidente do Sindiadubos, Aluisio Schwartz Teixeira.

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O diretor-presidente do Sindiadubos, Aluísio Schwartz Teixeira, comemorou o recorde de público do evento. Foto: João Crisanto/JB Litoral

Equilíbrio com colaboração internacional

O dirigente da entidade também destacou que o volume de importação com origem da China foi determinante para o ramo neste ano, após dois anos de baixa.

“O fertilizante é oferta e demanda. Caso a China não tivesse trazido a quantidade que trouxe, o agricultor brasileiro ia ter as margens muito estranguladas pelos produtores tradicionais, que aumentariam seus preços. A China, quando manda produto para o Brasil, na quantidade que mandou, segura a alta dos fertilizantes para o agricultor”, explicou Teixeira.

O aumento da movimentação na operação de fertilizantes no Porto de Paranaguá foi o ponto ressaltado pelo fundador do Grupo Fertipar Fertilizantes, Alceu Elias Feldmann.

“Há cerca de quatro meses, começaram a funcionar as esteiras ligadas a três berços dedicados a fertilizantes, que têm uma capacidade de descarregar mil toneladas por hora. São mil toneladas por hora, ou seja, quantos caminhões nós estamos tirando do trânsito de Paranaguá, que é um problema urbano gravíssimo? É uma conquista muito grande que tivemos”, comentou Feldmann.

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O fundador da Fertipar, Alceu Elias Feldmann, afirmou que o setor vive um bom ano devido ao volume expressivo de entrega e aumento de importação. Foto: João Crisanto/JB Litoral

Frente Parlamentar do Agronegócio

Além da participação de representantes do segmento, o Simpósio contou com a presença de representantes da Frente Parlamentar do Agronegócio, da Câmara dos Deputados.“É um setor que enfrenta dificuldades e gargalos importantes. Temos trabalhado nessa representação lá em Brasília, e simpósios como este nos ajudam a ter uma noção clara de quais são os problemas e o que precisamos fazer para melhorá-los”, disse o deputado federal Pedro Lupion (PP), presidente da Frente.

Segundo ele, o Moegão é esperado há muito tempo para modernizar e dar celeridade aos resultados do Porto de Paranaguá. “Esses investimentos de modernização do Litoral devem ser uma constante e, sem dúvida, as pessoas que estão aqui nesse simpósio, que também representam as empresas instaladas no Porto de Paranaguá, estão muito contentes e otimistas com esse novo momento”, frisou Lupion.

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O deputado Pedro Lupion (PP) destacou o otimismo do setor com os investimentos em modernização do Porto de Paranaguá. Foto: João Crisanto/JB Litoral

Perspectivas para 2026

Para o presidente do Conselho de Administração da Copadubo, Allan Derik Constantino, o Simpósio é uma oportunidade de fazer o balanço do ano e traçar as perspectivas para 2026.

“A expectativa é de um ano bom, tão bom quanto 2025. Esperamos ouvir a confirmação disso justamente aqui na NPK. E uma das novidades de 2026, para Paranaguá, é o Moegão. A Copadubo não tem relação direta com o Moegão, mas o Porto terá mais movimentação e estamos sempre olhando para o futuro. Todas as alternativas de mercado e tudo que for alterar a logística portuária, tentamos nos preparar”, disse Constantino.

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O presidente do Conselho de Administração da Copadubo, Allan Derik Constantino, destacou o Moegão como um dos fatores que serão mais marcantes em 2026. Foto: João Crisanto/JB Litoral

Já o diretor comercial da FTSpar, Sérgio Nichele, comentou sobre a presença cada vez maior de exportadores no evento, o que traz um portfólio maior de demandas e de necessidades logísticas.

Isso traz para nós a vontade de crescer. Aumentamos muito a capacidade de armazenamento dentro dos portos em que já atuamos e estamos entrando em novos portos, ao longo desse e do próximo ano. Tudo isso na expectativa de melhorar a economia logística dos nossos clientes”, declarou Sérgio.

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O diretor comercial da FTSpar, Sérgio Nichele, disse que o Simpósio traz um panorama das demandas logísticas. Foto: João Crisanto/JB Litoral

Novo operador

O CEO da Amart Shipping Brazil, José Ricardo Barbosa, contou ao JB Litoral que a empresa realizou a primeira operação portuária no segmento de fertilizantes em Paranaguá. Segundo ele, a experiência foi positiva, com o navio que movimentou 22 mil toneladas de cloreto de sódio de Israel. A empresa atende 17 portos e tem 12 escritórios com estrutura própria, desde o Sul do país até o Norte, no Estado do Pará.

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O CEO da Amart Shipping Brazil, José Ricardo Barbosa, relatou a experiência da primeira operação da empresa no Porto de Paranaguá. Foto: João Crisanto/JB Litoral

“Tenho certeza de que é só o início de uma grande jornada. Contribui para o desenvolvimento econômico da cidade, aumenta a mão de obra, dá oportunidade para outras empresas e ficamos muito felizes de entrar nesse segmento de operação portuária para contribuir também com o setor portuário”, enfatizou o CEO da Amart Shipping.

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