Editorial: Decisão inteligente, estruturante, mas que também entrega o ouro ao vizinho
O governador Ratinho Junior tem realizado, inegavelmente, um conjunto de obras estruturantes no Litoral e, certamente, concluirá sua trajetória deixando a marca de um dos governadores que mais fizeram pela região. Poderíamos voltar a citar as maiores — como as requalificações das orlas, as pontes dos Valadares e de Guaratuba e outras ainda não iniciadas, como a esperada revitalização do Centro Histórico de Paranaguá e o terminal para recebimento de passageiros de cruzeiros. Mas, desta vez, é preciso destacar mais um feito do governador, que tem mostrado que a habilidade de se comunicar também faz diferença.
Com a comunicação vinda de berço, Ratinho Junior conseguiu resolver, na conversa, uma dívida multimilionária (mais de R$ 270 milhões) que tinha com Santa Catarina, referente aos royalties de petróleo que deveriam ser repassados ao estado vizinho. Então, o chefe do Executivo paranaense foi até o catarinense e disse: “Escute, e se eu pagar essa dívida com obras?”. Jorginho Mello (governador de SC), que não é bobo, aceitou. E Ratinho Jr., mais esperto ainda, ainda acrescentou R$ 120 milhões para fazer valer a pena o investimento em terras vizinhas.
Mas como assim?
As obras que serão realizadas para pagar a dívida de royalties vão melhorar os acessos tanto para Garuva, como para Itapoá. As obras no Contorno de Garuva e na SC-417 estão diretamente ligadas às melhorias que estão sendo feitas aqui no Litoral, como a duplicação da PR-412 e que, de quebra, ainda vão melhorar o acesso a Guaratuba. Esse conjunto de intervenções, que envolvem a duplicação de rodovias e a construção de três viadutos, vão proporcionar mais desenvolvimento para todo o eixo do Litoral do Paraná até Santa Catarina, trazendo retorno financeiro para a nossa região.
Ocorre que, por tabela, o Paraná também estará atuando de forma direta em um dos fatores apontados (duplicação da SC-417) para que a prata da casa, a paranaense Coamo, maior cooperativa agroindustrial da América Latina, tenha escolhido Santa Catarina para instalar um porto que custará R$ 3 bilhões e gerará 2 mil empregos na fase de construção, além de mil postos de trabalho durante a operação, prevista para já começar em menos de 5 anos.
Pagamos dívida de forma inteligente? Sim.
São obras estruturantes? Definitivamente.
Mas também entregamos nosso ouro ao vizinho.
