Editorial: O dia em que Paranaguá deu adeus a parte de sua História
Um gigante, imponente, baluarte da educação de milhares de parnanguaras. O maior de Paranaguá não era “apenas” um colégio: era arte, era história, era parte insubstituível da vida da cidade, palco de cenas de várias gerações, muitas vezes das mesmas famílias.

Em pleno Sábado de Aleluia, dia santo de luto e reflexão para os cristãos, essas gerações viram, sem acreditar, o quase centenário Instituto de Educação Doutor Caetano Munhoz Rocha ser tomado pelas chamas. As imagens, em diversos formatos e ângulos, rapidamente se espalharam pelas redes sociais. Veículos de imprensa locais e da capital repercutiram o ocorrido.
Mas, além de triste, o incêndio que consumiu capítulos inteiros da história pode ter exposto muito mais do que o “esqueleto” do Instituto: não estamos preparados para preservar o nosso patrimônio. Se a causa do fogo tiver sido falha elétrica, uma vez que o Governo admitiu que já havia planejamento de restauro, o que levou à não detecção do risco?
Na ocasião, em 2 de setembro de 2018, o fogo tomou conta do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, destruindo quase a totalidade do acervo histórico e científico construído ao longo de 200 anos, que abrangia cerca de 20 milhões de itens catalogados. O edifício histórico que abrigava o Museu, antiga residência oficial dos imperadores do Brasil, foi gravemente danificado, com rachaduras, desabamento da cobertura e queda de lajes internas, sepultando parte da história nacional.
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Mas se engana quem pensa que apenas nós, paranaenses e brasileiros, somos negligentes com o nosso patrimônio. Sete meses após as trágicas cenas no Rio de Janeiro, em 15 de abril de 2019, a Catedral de Notre-Dame, um dos templos católicos mais famosos do mundo, foi atingida por um incêndio em Paris, capital da França.
Por horas, a catedral de 850 anos ficou em chamas, até que o teto e sua icônica torre central desabaram. O mundo lamentou a destruição de séculos de história. A causa? Um provável cigarro mal apagado por operários que atuavam na restauração do templo.
Esses não foram os primeiros e, infelizmente, não serão os últimos incêndios a roubarem das gerações futuras o direito e a rica experiência de conhecer o passado. Resta a esperança de que, assim como nas tragédias aéreas, cada um desses acontecimentos sirva para que a sociedade aprenda e se aperfeiçoe no sentido de prevenir. Chorar sobre o leite derramado nada adianta. O que adianta é agir para que ele não caia novamente.
Agora, é aguardar as investigações e torcer para que seja possível uma restauração capaz de reproduzir, ao menos, uma sombra do que foi o nosso Instituto de Educação Doutor Caetano Munhoz Rocha.
