Crianças e adolescentes estão cada vez mais expostos a riscos em jogos online e redes sociais, alerta PCPR
Crianças e adolescentes estão cada vez mais dentro do ambiente digital, principalmente por meio de jogos online e redes sociais, onde a interação com outros usuários faz parte da experiência, inclusive com desconhecidos.

É nesse espaço que começam muitas situações que exigem atenção: conversas iniciadas dentro de jogos ou plataformas sociais que, aos poucos, podem sair do ambiente público e migrar para chats privados e outros aplicativos.
O alerta da Polícia Civil do Paraná (PCPR) ganha destaque neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data que reforça a importância da prevenção também no ambiente virtual.
Em muitos casos, os autores utilizam interesses em comum para conquistar a confiança da criança ou do adolescente e, posteriormente, praticar crimes como aliciamento virtual e extorsão mediante uso de imagens íntimas.
Jogos online e redes sociais como espaços de interação constante
A PCPR reforça que os jogos online e redes sociais fazem parte da rotina de socialização de crianças e adolescentes, com chats ativos, partidas em equipe e conversas em tempo real com outros usuários.
Nesse ambiente, interações com desconhecidos podem começar de forma simples, dentro do próprio jogo ou da plataforma, e evoluir com o tempo, criando sensação de amizade e confiança entre os usuários.
NUCRIA alerta sobre aliciamento de menores em jogos online e “estupro virtual”
O delegado do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA), Emmanuel Brandão, relata que a unidade já identificou mais de 15 casos em Paranaguá entre o ano passado e este ano envolvendo crianças e adolescentes vítimas de aliciamento pela internet.
Maio Laranja: Paranaguá registra mais de 25 casos de estupro de vulnerável em 2026
Segundo ele, os crimes geralmente começam em jogos online, onde os suspeitos se passam por jovens, criam vínculo de confiança e depois levam a conversa para redes sociais.
A partir daí, passam a oferecer benefícios como celulares ou transferências via PIX para induzir as vítimas a participar de chamadas de vídeo íntimas.
Essas imagens são gravadas sem consentimento e usadas posteriormente para chantagem, com pressão para que a vítima produza novos conteúdos ou até envolva outras pessoas. A prática, segundo o delegado, configura o chamado “estupro virtual”.
O que os pais precisam observar no dia a dia
Sinais que exigem atenção
- Mudanças bruscas de comportamento, como irritabilidade, ansiedade ou depressão
- Isolamento e afastamento da rotina familiar
- Resistência em permitir acesso ao celular ou redes sociais
- Dificuldade em falar sobre o que faz na internet
- Alterações no sono, alimentação ou longos períodos conectado sem supervisão
O desafio dentro das famílias
Na prática, muitos pais relatam dificuldade em limitar o uso da internet, porque jogos e redes sociais também fazem parte da rotina dos amigos da mesma idade, o que reforça a ideia de que “todo mundo está online”.
Mas a orientação é clara: o problema não está no acesso em si, e sim na falta de acompanhamento. Quando o uso acontece sem supervisão, principalmente por longos períodos ou durante a madrugada, aumenta a exposição a interações com desconhecidos sem qualquer controle.
Denúncia e canais oficiais
Em casos de suspeita ou confirmação de violência contra crianças e adolescentes, a orientação é denunciar imediatamente.
O registro pode ser feito em qualquer delegacia, no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) ou pelos telefones 197 (PCPR) e 181 (Disque-Denúncia), de forma anônima.
