JB Litoral chega à edição 900, comemora conquistas e está pronto para o futuro


Por Flávia Barros Publicado 16/12/2025 às 16h41 Atualizado 18/12/2025 às 19h41

Ele nasceu como Jornal dos Bairros, ainda no final da década de 1990, e era o sonho do jornalista Gilberto Fernandes (1960–2022). Começou como uma publicação mensal voltado às associações de bairro e era produzido em paralelo ao jornalismo diário por seu fundador, em parceria com o jornalista Antonio Carlos Correia e com o então presidente da Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap), Alceu Chaves.

Pouco a pouco, o sonho foi se tornando realidade e se aperfeiçoando. Em 2009, o Jornal dos Bairros já havia crescido, chegando a todas as bancas e comércios de Paranaguá, consolidando espaço, notoriedade e a credibilidade da população.

Uma década depois, em 2019, Gilberto Fernandes passou o legado para a filha, Jéssica Fernandes, que já atuava no jornal com o pai, e assumiu a Direção Executiva do JB Litoral.

Nesta segunda-feira (15), o semanário chega à sua edição de nº 900. E você, leitor, que acompanha o JB Litoral há mais tempo ou que chegou mais recentemente por meio das plataformas digitais, está convidado a conhecer um pouco mais da história do jornal.

A mudança

De acordo com Jéssica Fernandes, no início, ela só acompanhava o trabalho do pai, mas, com o tempo, foi se aproximando e tomando gosto. No entanto, as publicações com o DNA do jornalismo investigativo incomodavam a quem não gostava de ver a verdade exposta nas páginas e, em março de 2018, o jornal foi alvo de um atentado. Um atirador disparou diversas vezes contra a fachada do JB

Foi um momento muito difícil. A gente nunca imaginou que, em uma cidade como Paranaguá, pudesse acontecer algo desse tipo: sofrer um atentado a tiros. Isso teve uma repercussão muito grande, inclusive em nível nacional”, diz a diretora-executiva.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o atirador, no começo da madrugada de 26 de março de 2018 passa em frente à sede do jornal e atira. Os projéteis atingiram e quebraram a porta de vidro da redação, de onde Gilberto Fernandes havia saído menos de uma hora antes.

Depois disso, meu pai decidiu que não queria mais colocar a família em risco e entendeu que era o momento de se aposentar. E foi aí que eu decidi tomar a frente, mas já com a ideia de trazer uma nova linguagem, um novo formato”, relata Jéssica.

Credibilidade do impresso refletida no digital

Seguindo a tendência da convergência de mídias, o JB também passou a ser portal de notícias e a marcar presença nas redes sociais, com linguagem que acompanha as necessidades de cada mídia.

No período em que muitos jornais começaram a migrar para o digital, nós também investimos no formato, logo no início. Mesmo assim, foi um momento cheio de desafios, porque trabalhar com site é completamente diferente do impresso — era outra lógica, outra rotina, outra dinâmica”, relembra a diretora.

E, para fazer essa engrenagem funcionar, a equipe — liderada por uma mulher — também é composta, quase em sua totalidade, por mulheres: repórteres, editoras, produtora de imagens e revisora. Para Jéssica Fernandes, mais do que uma característica, isso é uma prova do potencial e da força feminina.

“Tem um ponto que eu sempre ressalto: achar que, por ser mulher, a gente não vai enfrentar preconceito ou ser subestimada no jornalismo é ingenuidade. Ser mulher nessa área é, muitas vezes, ter que se provar o tempo todo. Precisamos provar duas vezes por que somos boas, por que fazemos o que fazemos e por que estamos onde estamos”, defende.

Mas, longe de ser um empecilho, para a diretora-executiva, liderar uma equipe majoritariamente feminina é uma vantagem.

Leia também: Uma redação marcada pela inteligência, competência e resiliência feminina

Tenho muito orgulho de trabalhar com uma equipe formada por mulheres, porque isso mostra, na prática, o quanto a gente é competente, comprometida e forte. Eu acredito que a nossa diferença está nos detalhes e também no fato de pensarmos mais no coletivo. Não é sobre ‘ser imparcial’, mas sobre ser justa, coerente, olhar todos os lados e ponderar o que existe de prós e contras — até porque, muitas vezes, a gente já parte de um lugar em que precisa se impor para ser respeitada”, completou Jéssica Fernandes.

JB em números

Para se ter uma ideia do alcance do JB Litoral na internet, nos últimos 30 dias, no www.jblitoral.com.br foram 126 mil usuários ativos, 90 mil novos usuários, com 43 mil visualizações ao longo da semana passada. Já os dados dos últimos 90 dias revelam 398 mil usuários ativos, 335 mil novos usuários e 777 mil visualizações. No ranking das cidades de onde o site do JB é mais acessado estão: Curitiba, Paranaguá, Pontal do Paraná, Matinhos, São Paulo, Guaratuba, São José dos Pinhais, Joinville (SC) e Londrina.

Nas redes sociais, os conteúdos também têm um largo alcance. No perfil do Facebook, por exemplo, foram cerca de 2,3 milhões de visualizações nos últimos 28 dias. A página conta, atualmente, com 79 mil seguidores orgânicos, assim como o perfil no Instagram, que conta com 26,4 mil seguidores.

Reconhecimento

Ao longo de sua trajetória, o JB também teve sua relevância reconhecida por meio de diversas homenagens. Entre elas, o título de Honra ao Mérito concedido pela Câmara de Paranaguá, em 2013, por proposição do então vereador e atual prefeito Adriano Ramos (Republicanos).

FOTO 1 – Honra ao Mérito para o JB foi proposta por Adriano Ramos.Na foto, Gilberto Fernandes (esq.) – fundador do JB LItora; Jéssica Fernandes e o atual prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos
Honra ao Mérito para o JB foi proposta por Adriano Ramos. Na foto, Gilberto Fernandes (esq.) – fundador do JB Litoral; Jéssica Fernandes e o atual prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos.

A segunda honraria do Executivo Municipal veio em 2022, quando Jéssica Fernandes recebeu o título por indicação do vereador Thiago Kutz (PP). Reconhecimentos semelhantes também foram concedidos ao JB pelas Câmaras Municipais de Antonina e Guaraqueçaba, além de homenagens realizadas pelo Sesc Paranaguá.

Em 2023, foi a vez da diretora-executiva e do JB Litoral serem reconhecidos em nível estadual e receberem Menção Honrosa na Assembleia Legislativa do Paraná Alep), por proposição do deputado Goura (PDT).

É por você, Gil

E, claro, não poderia faltar a homenagem da família JB Litoral àquele que deu forma ao projeto, fez com que ele nascesse e se fortalecesse: Gilberto Fernandes. Companheiro que, com sua generosidade, transmitia conhecimento sem jamais parecer que estava “ensinando” — porque, no fundo, só as almas verdadeiramente generosas sabem que é ensinando que também se aprende.

Gil faleceu em 30 de março de 2022, aos 62 anos recém-completados, em decorrência de complicações após uma cirurgia cardíaca.

Deixou uma saudade sem fim e um espaço que é só dele. Fica o nosso eterno agradecimento e a certeza de que ele está feliz ao ver a continuidade do seu legado.

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