Morde e assopra: a política dupla face de Ratinho Junior no Litoral
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
A relação do governador Ratinho Junior (PSD) com as lideranças políticas do Litoral anda cada vez mais curiosa e, porque não dizer, contraditória. De um lado, o governo estadual acomoda aliados em cargos estratégicos, nomeando os ex-prefeitos Marcelo Roque (PSD), Lilian Ramos (PSD) e Zé Paulo (PSD) para funções estratégicas na região.

De outro, o apresentador Ratinho, pai do governador, segue fazendo acenos públicos justamente aos adversários desses mesmos aliados. O jogo é de morde e assopra, com doses de pragmatismo e uma pitada de recálculo eleitoral, principalmente pensando em 2026.
O caso mais recente foi em Paranaguá. Meses após o ex-prefeito Marcelo Roque ser nomeado para a função de coordenador da Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná, um dos cargos mais importantes da pasta, o apresentador Ratinho resolveu gravar um vídeo ao lado de Adriano Ramos (Republicanos), atual prefeito da cidade. Vale lembrar: Ramos venceu as eleições de 2024 derrotando de forma acachapante o candidato do Palácio Iguaçu, o ex-diretor da Portos do Paraná, André Pioli (PSD).
A movimentação demonstra algo que as lideranças locais já devem estar curiosos para saber: afinal, o governo estadual joga em que time? A resposta é objetiva: de todos. E quando não dá, está ao lado de quem estiver no poder.
Lense e Justus também foram abraçados pelo ratismo
E não foi só em Paranaguá. Em Guaratuba, a história já tinha sido contada. Mesmo tendo apoiado a candidatura de Fernanda Monteiro (PSD), e ser muito próximo do ex-prefeito Roberto Justus (União Brasil) e de seu pai, o deputado estadual Nelson Justus (União Brasil), Ratinho pai apareceu recentemente ao lado do atual prefeito Maurício Lense (Podemos), que foi eleito justamente em confronto com a candidata governista. A disputa em Guaratuba foi tão intensa que acabou abrindo um racha público dentro do clã Justus, com Evani derrubando a chapa apoiada pelo próprio sobrinho.
Nos dois casos, a lógica parece ser a mesma: enquanto o governo estadual mantém sua tropa de aliados bem posicionada institucionalmente, o apresentador Ratinho faz o movimento contrário, buscando afagos com os vencedores locais, ainda que esses vitoriosos tenham sido adversários diretos do grupo do governador nas urnas.
Quem acompanha os bastidores da política paranaense sabe que o apresentador Ratinho nunca foi de esconder suas preferências ou de medir palavras. Ao contrário, sua postura sempre foi a de transitar com desenvoltura entre diferentes grupos políticos, muitas vezes de forma independente da estratégia oficial do governo do filho. No Litoral, essa postura está criando um cenário confuso, com aliados de longa data que devem estar se perguntando qual é, de fato, a orientação da família Massa para as próximas eleições.
Parece que a estratégia de pai e filho é manter cabos eleitorais próximos, sejam vitoriosos ou derrotados nas urnas. Ratinho Junior quer escalar para Brasília, mas precisa fazer o seu sucessor no Paraná. E para não perder o Governo do Estado para o senador Sergio Moro (União Brasil) no ano que vem, é mais do que necessário ter palanque no Litoral e, para isso, vale abraçar os Roque, os Justus, o Lense e o Ramos, e quem mais tiver força política, sem distinção.
Seja como for, o recado político que fica para o Litoral é claro: quando se trata da família Massa, o que vale mesmo é o velho ditado que diz que quem é amigo de todos não é de ninguém.
No final das contas, no Paraná, o que prevalece é o pragmatismo e as ambições.
