Moro e Flávio selam parceria e Ratinho fica a ver navios


JB No Radar

O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.


Por Brayan Valêncio Publicado 19/03/2026 às 12h26 Atualizado 26/03/2026 às 09h08

A parceria entre o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que começa a se consolidar nos bastidores de Brasília, reposiciona o jogo político no Paraná e deixa o governador Ratinho Junior (PSD) fora de uma articulação que, até então, o colocava no centro do tabuleiro nacional.

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Flávio Bolsonaro e Sergio Moro fecharam acordo e atropelaram governador Ratinho Junior. Foto: Reprodução.

Moro deve trocar o União Brasil pelo PL nos próximos dias. A movimentação, confirmada pela coluna, integra justamente essa construção de palanque para Flávio Bolsonaro no estado, mirando a disputa presidencial de 2026.

A virada de chave ocorre após Ratinho recusar publicamente a possibilidade de compor como vice em uma eventual chapa nacional. Em reunião recente com interlocutores do PL, entre eles o senador Rogério Marinho (PL-RN), o governador foi direto ao afirmar que não será vice “nem de um lado, nem de outro” e que mantém sua pré-candidatura ao Planalto.

A posição foi interpretada como um freio nas negociações entre PL e PSD. Nos bastidores, a reação foi imediata: o grupo de Flávio Bolsonaro passou a reorganizar a estratégia no Paraná, abrindo espaço para a aproximação com Moro.

Desde as eleições municipais de 2024, as duas siglas vinham atuando de forma alinhada em cidades estratégicas, como Curitiba, Londrina e Foz do Iguaçu. O plano era manter essa parceria até 2026, com Ratinho disputando a Presidência, apoio à sucessão estadual dentro do PSD e a indicação do deputado federal Filipe Barros (PL) para o Senado.

Com o novo desenho, esse arranjo perde força. A aproximação entre Moro e Flávio Bolsonaro altera o equilíbrio político no estado e coloca aliados em situação indefinida. Filipe Barros continua tendo o caminho livre para a disputa ao Senado, enquanto a jornalista Cristina Graeml, que havia se filiado ao União Brasil para compor chapa com Moro, vê o cenário mudar de forma drástica.

A saída de Moro do União Brasil ainda dialoga com conflitos internos na federação com o Progressistas. No Paraná, lideranças do PP resistem ao nome do senador. O deputado federal Ricardo Barros já declarou preferência por uma aliança com Ratinho Junior ou, alternativamente, pelo ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD) como candidato ao governo.

O movimento marca o início de uma nova fase nas articulações para 2026. Com Moro e Flávio Bolsonaro alinhados, Ratinho Junior perde espaço em uma construção que ajudou a viabilizar e agora precisa recalcular a rota para não ficar, de fato, a ver navios no cenário nacional.


Sobre

Jornalista, pós-graduado em Mídias Digitais, com passagem por veículos nacionais como CNN Brasil, Jovem Pan News e Record. Atuou em rádio, TV e internet, além de ter sido colunista de política no portal RIC.com.br.