Moro amplia vantagem e Ratinho precisa agir: o risco de perder o comando político do Paraná
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
A pesquisa divulgada pela Futura Inteligência nesta sexta-feira (20) serviu como um verdadeiro banho de água fria no núcleo político do governador Ratinho Junior (PSD). Não é só mais um levantamento de intenção de voto: os números mostram que o senador Sergio Moro (União Brasil) virou um adversário difícil a ser batido na disputa pelo governo do Paraná em 2026.

Moro aparece com quase metade das intenções de voto já no primeiro turno e vence todos os cenários de segundo turno com folga. Contra o Rafael Greca (PSD), por exemplo, a diferença passa dos 23 pontos percentuais. Contra nomes menos conhecidos, como Guto Silva (PSD) ou Cida Borghetti (Progressistas), o placar é ainda mais elástico.
O problema para Ratinho não é só o tamanho da vantagem de Moro. É o que ela representa: um espaço político que está ficando vago e que o ex-juiz está ocupando com facilidade. Enquanto o grupo do governador segue travado na escolha de um sucessor, Moro ganha terreno sem nem precisar fazer esforço. Não há campanha nas ruas, não há mobilização partidária e mesmo assim ele lidera com folga. Isso mostra que o recall de 2022, somado à imagem de “homem da Lava Jato”, ainda tem peso entre os eleitores paranaenses.
Ratinho sabe que, se quiser manter o comando político do Estado e ter força para os próximos passos da própria carreira, precisa reagir agora. Não dá mais para empurrar a escolha de um candidato com a barriga. A disputa interna entre Guto, Alexandre Curi (PSD) e até o ex-prefeito Rafael Greca precisa ser resolvida logo. O grupo precisa de um nome competitivo nas ruas até o fim deste ano.
Além disso, o governo estadual terá que melhorar a comunicação de suas entregas. As obras de infraestrutura, os programas sociais e os investimentos em educação e saúde existem, mas não estão virando capital político para eleger um sucessor. A impressão é que a máquina está trabalhando, mas sem emplacar um herdeiro, diferentemente do que aconteceu com Eduardo Pimentel (PSD), em Curitiba.
Se o PSD seguir nesse compasso lento, corre o risco de entregar o governo do Paraná de bandeja para Moro. E mais: dará ao ex-juiz um palanque privilegiado para, quem sabe, um projeto presidencial futuro. Por outro lado, não emplacar um sucessor faz de Ratinho uma vítima das próprias ambições, perdendo espaço no cenário nacional e ainda fazendo o grupo político deixar de comandar o Estado.
Ratinho, que flerta com o protagonismo em Brasília, sabe que não pode perder esse jogo em casa. O governador tem estrutura, tem base política e tem tempo. Mas precisa começar a usar tudo isso. Caso contrário, o cenário de 2026 pode virar um pesadelo eleitoral para o grupo que hoje comanda o Estado.
