Pimentel entra no radar e PL se reorganiza com saída de Giacobo
JB No Radar
O JB No Radar vai se aprofundar nas principais discussões que movimentam os bastidores da política no Litoral, no Paraná e em todo o Brasil. Análises sobre o xadrez político, disputas regionais e os jogos de poder que moldam os rumos do país.
O nome do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), deixou de ser apenas especulação de bastidor e passou a ocupar o centro da disputa pelo governo do Paraná. A movimentação ganhou força após a desistência de Ratinho Junior da corrida presidencial e expõe, agora de forma mais clara, a dificuldade do grupo em consolidar uma sucessão sem ruído.

Pimentel virou peça-chave porque representa, ao mesmo tempo, continuidade e risco. Continuidade para o projeto político de Ratinho, que busca manter o controle do Estado. Risco porque, na prática, uma eventual saída da Prefeitura com pouco mais de um ano de mandato pode gerar desgaste político e alimentar a narrativa de abandono.
É nesse impasse que o PSD se move. Guto Silva (cada vez mais fraco) e Alexandre Curi seguem no páreo, mas o fato de o nome de Pimentel ter sido testado em pesquisas recentes mostra que o grupo ainda não fechou questão e, mais do que isso, ainda procura um nome capaz de enfrentar o novo cenário que se desenha.
Do outro lado, Pimentel tem sido firme em dizer que segue na Prefeitura de Curitiba. Não há motivos reais que o façam acreditar que trocar o certo pelo muito duvidoso tenha lógica.
Já nos corredores do PL, a reformulação é quase que total.
A saída de Fernando Giacobo do comando estadual do partido e a ascensão de Filipe Barros não são apenas uma troca interna. Elas indicam uma mudança de estratégia que tende a impactar diretamente a eleição de 2026. Giacobo, mais pragmático e historicamente próximo de Ratinho, perde espaço. Barros, alinhado ao núcleo ideológico do bolsonarismo, assume com a missão de dar protagonismo ao partido.
Só que Giacobo não sai sozinho, ele leva consigo dezenas de prefeitos. Uma movimentação que pode atrapalhar o planejamento de Moro. Essa reestruturação talvez seja a carta na manga que o governador não queria ter usado, mas após receber um truco, precisou gritar “seis”.
Na prática, isso significa menos espaço para composições amplas e mais disposição para confronto direto. Giacobo ainda mantém capital político relevante, especialmente no interior do Estado, e deve atuar fora da estrutura formal do partido, o que pode embaralhar ainda mais as alianças no estado.
É nesse novo cenário que Sergio Moro precisa aprender a trabalhar.
A filiação do senador ao PL não foi apenas uma mudança partidária. Ela consolida um novo eixo na disputa e coloca, pela primeira vez, um adversário competitivo e estruturado diante do grupo de Ratinho. Moro passa a ter partido forte, alinhamento nacional e palanque definido, algo que antes era uma incógnita.
Mais do que isso, chega com desenho praticamente pronto: Edson Vasconcellos aparece como vice, enquanto o campo bolsonarista e lavajatista se organiza também para o Senado, com nomes como Deltan Dallagnol e Filipe Barros.
O efeito imediato dessas últimas movimentações é a fragmentação da direita no Paraná. Guto, nesse momento, é o maior derrotado. Ratinho tenta mostrar força e controle. Moro conquistou o que queria.
No final das contas, o que antes caminhava para uma transição relativamente controlada agora se transforma em uma disputa aberta, com múltiplos pólos e interesses distintos.
O ponto central, hoje, não é mais quem lidera, mas quem consegue unificar. E, neste momento, ninguém consegue.
