Empresários de Morretes pedem construção de ciclo-ferrovia na Estrada de Ferro; ideia busca manter o uso da linha mesmo com a Nova Ferroeste


Por Redação Publicado 21/05/2022 às 21h12 Atualizado 17/02/2024 às 08h59

A associação Convention & Visitors Bureau de Morretes, composta por empresários ligados ao turismo, está reivindicando a construção de uma ciclo-ferrovia no trecho de aproximadamente 100 quilômetros da centenária linha férrea que liga Paranaguá a Curitiba. A medida visa diminuir as perdas turísticas e comerciais ocasionadas pela Nova Ferroeste, que tem como premissa ligar, por meio de uma nova ferrovia, o Porto de Paranaguá até Maracaju, no Mato Grosso do Sul.

De acordo com o presidente da Convention, Maurício Scucato, a ideia surgiu após o entendimento de que o trem de carga não passaria mais pela linha existente e, sim, pelo novo traçado. “Ficamos preocupados com o que aconteceria com a nossa estrada de ferro, de que forma seria feita a manutenção, para o que ela seria usada e de que forma seria mantida. Somente o trem de turismo não seria o suficiente para manter a ferrovia, as pontes e viadutos”, explica.

Daí, surgiu a ciclo-ferrovia margeando a linha férrea Paranaguá – Curitiba. Scucato comenta que, diariamente, centenas de ciclistas passam por Morretes, vindo pela Estrada da Graciosa ou pela BR-277.

Vendo esse público e que o cicloturismo está se tornando uma tendência mundial, achamos que seria interessante aproveitar esse projeto já em andamento e construir o 1º Parque Ciclo-ferroviário do mundo. Esta é uma proposta inédita e estamos fazendo levantamentos com relação à viabilidade, mas já discutimos a ideia com a Ferroeste”, diz.

“Esta é uma proposta inédita e estamos fazendo levantamentos com relação à viabilidade, mas já discutimos a ideia com a Ferroeste”, diz Scucato. Foto: Divulgação

Sugestão à Ferroeste


A Ferroeste é uma empresa estatal paranaense chamada Estrada de Ferro Paraná Oeste S.A. Ela detém a concessão para construir e operar uma ferrovia entre Guarapuava (PR) e Dourados (MS), servindo os produtores do Oeste e extremo Oeste paranaense; o Mato Grosso do Sul, Paraguai e norte da Argentina.

Com a Nova Ferroeste, uma expansão do modal ferroviário no Brasil, a ferrovia Paranaguá – Curitiba, hoje administrada pela RUMO, poderá ter seu uso comercial desativado, sendo utilizada apenas pelo trem de turismo. Com isso, Morretes também acabaria perdendo o potencial turístico.

O traçado da nova ferrovia deverá passar pela margem direita da BR-277 no sentido Curitiba – Paranaguá. O objetivo do Governo do Estado é oferecer um modal adequado e eficiente para o escoamento de produtos e mercadorias provenientes do Oeste do Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai.

Por isso, sugerimos a ideia da ciclo-ferrovia para a Ferroeste. Estamos fazendo um estudo para saber o quanto da população será impactada de forma benéfica com esse projeto. Acreditamos que ele será aprovado porque é sustentável. O cicloturismo não polui, agrega à tendência de vida saudável, o contato com a natureza, enfim, tudo o que as pessoas estão dando mais valor hoje”, comenta o presidente da Convention.

Melhorias no trecho


Caso aprovado, o projeto da ciclo-ferrovia também trará melhorias para as construções históricas existentes ao longo da ferrovia. Scucato destaca que a proposta prevê a revitalização dos prédios antigos e estações que estão abandonadas, de Piraquara a Morretes.

A ideia é tornar cada estação um ponto de apoio ao ciclo-turista. “O pessoal viria pedalando pela Serra do Mar e podendo contar com as estruturas adequadas para atendê-los em casos de emergência, além de banheiro, água, venda de souvenirs e lembranças. Ou seja, estes locais ainda seriam um ponto de trabalho para os moradores de Morretes”, informa.

Segundo ele, os órgãos municipais e a organização a qual preside estão mobilizados para que a Ferroeste apoie e viabilize a ideia da ciclovia. Recentemente, eles estiveram em reunião com a direção da empresa, juntamente com o prefeito Sebastião Brindarolli Junior (PSD).

Tudo o que traga melhorias para Morretes é apoiado pela administração. Ciclovias já são realidades em muitos países, temos alguns caminhos famosos pelo mundo. Precisamos fazer com que o turista fique mais tempo em nosso município e no Litoral, para isso, devemos criar e divulgar mais atrativos”, comenta o prefeito.

Pré-projeto está sendo realizado


Scucato também afirma que a Ferroeste está vendo “com bons olhos” o projeto. “Já apresentamos verbalmente e eles acharam bacana, então, agora, estamos correndo atrás de um pré-projeto para termos algo mais palpável para mostrarmos às pessoas e, inclusive, trazermos mais apoiadores e investidores. O pessoal da PJJ Arquitetura, que está trabalhando nisso, também está apostando no projeto”, diz.

Ele explica que a PJJ Arquitetura, que está realizando o pré-projeto da ciclo-ferrovia, está realizando estudos e levantamentos sobre a proposta. Após a apresentação inicial, será necessária a captação de recursos para a realização do projeto, que deverá ser financiado por investidores e apoiadores.

Morretes já é a terceira cidade mais visitada do Paraná, perdendo apenas para Curitiba e Foz do Iguaçu. Temos certeza de que uma ciclovia como essa trará inúmeros benefícios para a cidade. As pousadas serão mais frequentadas, os restaurantes, os pontos turísticos, as barraquinhas, banquinhas de artesanato e comida típica. Ou seja, todos esses empresários e comerciantes serão afetados positivamente. Uma ciclovia margeando uma ferrovia, considerada uma das mais bonitas do mundo, viria gente de todos os lugares para fazer um passeio desse”, acredita Scucato. 

O JB Litoral procurou, também, a Ferroeste, que afirmou, por meio do coordenador do Plano Estadual Ferroviário, Luiz Henrique Fagundes, que recebeu a solicitação para a construção da ciclo-ferrovia junto com outros pedidos dos empresários de Morretes. “Estas e outras sugestões serão analisadas futuramente pelo Ibama, que é o órgão licenciador. O órgão federal vai avaliar todas as possibilidades com o vencedor do leilão [da Nova Ferroeste], a ser realizado no segundo semestre deste ano”, finaliza.

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