Opinião: novela da FASP se transforma em filme de terror e vergonha alheia


Por Redação Publicado 07/06/2026 às 20h53

A semana foi difícil e dolorosa para os mais de 180 servidores concursados da Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá (FASP), que viram 15 vereadores aprovarem a extinção da entidade sem que o assunto fosse analisado pelo Conselho Municipal de Saúde, enquanto a Prefeitura ignorava a recomendação do Ministério Público. O que se viu após a sessão de terça-feira (2), que dificilmente sairá da memória dos servidores que lotaram a Câmara — muitos com lágrimas nos olhos e sem saber como será a vida a partir de agora —, foi uma sucessão de determinações judiciais e o Executivo tendo de recorrer à dispensa de licitação para garantir mão de obra na Saúde, após antecipar o rompimento do contrato com a FASP, que, segundo a Prefeitura, permaneceria vigente até o dia 9.

Enquanto isso, a gestão também teve que suspender, por força de decisão judicial que acatou determinação do TCE, o Chamamento Público que credenciaria empresas para substituir a mão de obra até então fornecida pela Fundação. Além disso, ainda não esclareceu se todos os concursados ficarão “a ver navios” ou se parte deles será absorvida. O resultado é uma população apreensiva: vai faltar profissional para atender na UPA?

Imagine você estudar para um concurso público, sonhando com estabilidade, e, apenas seis anos depois, mesmo tendo desempenhado corretamente suas funções, estar sem emprego. Pessoas que abriram mão de outras oportunidades de trabalho, outras que investiram na cidade e que, de repente, viram tudo mudar. Quem, em sã consciência, vai esquecer o desabafo da servidora que, aos 61 anos, agora está desempregada e vê o sonho da aposentadoria virar pó?

Tudo isso foi ignorado e só não aconteceu exatamente da forma como a Prefeitura havia planejado porque o Ministério Público e o TCE identificaram as irregularidades.

E a semana, que já havia sido vexatória, conseguiu ficar ainda pior com as imagens registradas no fim da tarde de domingo (7), que mostram o prefeito correndo para o carro para evitar falar com os servidores da Saúde que protestavam em frente ao Aeroparque.

Inaugurar espaços de lazer quando se tem quase 200 famílias sem emprego é, no mínimo, de mau gosto. Ainda assim, o prefeito manteve a agenda e saiu correndo ao ser abordado pelos manifestantes.

O que mais falta acontecer? Qual será o fim desse filme? Em breve saberemos.

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